segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

A tia do cafezinho

Depois de um criterioso processo de recrutamento com entrevistas, testes e dinâmicas de grupo, uma grande empresa contratou um grupo de canibais para fazer parte de sua equipe.
"Agora vocês fazem parte de uma grande equipe" - disse o Diretor de RH, durante a cerimônia de boas vindas.
"Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa. Por exemplo, podem ir à lanchonete da empresa quando quiserem para comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados, por favor!"

Quatro semanas mais tarde, o chefe os chamou:
"Vocês estão trabalhando duro e eu estou satisfeito. Mas a mulher que serve o cafezinho desapareceu. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?"
Todos os canibais negaram com a cabeça. Depois que o chefe foi embora, o líder canibal pergunta a eles:
"Quem foi o idiota que comeu a mulher que servia o cafezinho?"
Um deles, timidamente, ergue a mão.
O líder prontamente retruca:
"Mas tu és um asno, mesmo! Nos estamos aqui, com essa tremenda oportunidade nas mãos. Estamos comendo gerentes há quatro semanas sem ninguém perceber nada. E poderíamos continuar ainda por um bom tempo. Mas não... Você tinha de estragar tudo e comer uma pessoa que faz falta!"

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Incompetência ou azar?

Já de início vou elimiar a segunda alternativa porque, como bom ateu praticante, não acredito em mau olhado, espinhela caída, olho gordo, aura carregada, tranca-rua, espírito de porco, gnomos, elfos, duendes, outras entidades zombeteiras e coisinhas do gênero.
Tratemos então da primeira proposta: incompetência. Incompetência generalizada é o que tenho encontrado nas minhas andanças por este planeta. Incompetência institucionalizada. Incompetência total e irrestrita.

Pois bem, o caro leitor pode estar achando que estou exagerando, subestimando a competência alheia em prol, quiçá, de auto-promoção ou falta de modéstia. Não é o caso. Não falarei aqui das minhas atividades e realizações, apenas citarei breves exemplos REAIS que têm ocorrido comigo e com os que me são próximos, nos últimos tempos.

Exemplo 1 - Serviços de saúde

Esse é um exemplo clássico. Todos já presenciaram ou sabem de algum caso próximo de inépcia e/ou imperícia de profissionais (?) da área da saúde. Nos últimos tempos posso destacar:

  • Dentistas: por causa de um siso cariado, passei por quatro deles, até resolver o problema. Dentre vários erros, um queria extrair o dente, outro errou a avaliação e o canal já estava afetado pela cárie, outro errou a mira da anestesia ao fazer o tratamento do canal e fiquei temporariamente com voz de pato Donald, outro ainda fez a restauração mas o material utilizado quebrou em uma semana, tendo que refazê-la.

  • Atendimento de emergência: curiosamente, a mãe deste último dentista veio a falecer um dia depois de ser atendida e liberada numa emergência (eu cito nomes: Hospital Moinhos de Vento). Ainda não sabem do que ela morreu.

  • Médicos: um colega de ex-empresa teve tendinite (graças à incompetência dos responsáveis pela ergonomia da empresa os programadores não tem cadeiras com apoio de braço) e foi ao médico. Este prontamente lhe receitou um antiinflamatório extremamente agressivo ao estômago, tendo plena consciência da úlcera gástrica ativa que o paciente tinha. Resultado? Sangramento estomacal.

Exemplo 2 - Colegas de ex-empresa

Pedi demissão no início do mês passado e cumpri todo o aviso prévio sem dispensa. Ninguém foi contratado para meu espaço vago. Até aí tudo bem, afinal sou um inútil. O detalhe é que agora começaram a me ligar pra saber onde tá isso?, como ficou aquilo?, pra quem tu passou aquilo outro?... Ainda não atingi o nível de irritação suficiente para mandar alguém longe, mas tenho usado a tática da minha bateria está acabando!!! seguida pelo botão OFF do celular.

Exemplo 3 - Serviços de mecânica

Fui fazer um serviço de rotina no meu auto, de uma simplicidade absurda. Ficou um dia na oficina pra fazer o tal serviço. Mais um dia pra refazer a merda que fizeram. Mais uma manhã pra botar em ordem o que foi desarrumado pela merda ao quadrado que fizeram. Querem nomes? Brondani Auto Center, na Azenha, Porto Alegre - RS.

Exemplo 4 - Serviços fotográficos

Precisei de fotos 3x4 para documentos. Tirei as fotos e pedi urgência, mesmo assim só poderia buscá-las no final do dia seguinte. Chegando lá na hora determinada, não estavam prontas as fotos. Mais dois dias passaram e ainda não estão prontas.

Exemplo 5 - Serviços públicos

Decidi não citar este exemplo pois teria que usar mais texto do que contém a Enciclopédia Britânica. Mas, de forma brevíssima: descumprimento de prazos na entrega de documentos, cobrança indevida de multas em documentos já pagos, falta de assistência em serviços importantes, ausência de retorno em solicitações pendentes, etc.

Não pretendo também desenvolver teses sobre os porquês dessa incompetência institucionalizada, mas reservo-me o direito de um breve comentário. Na minha inútil opinião, os fatores determinantes da incompetência são (não respeitando nenhuma ordem, mesmo porque a ordenação desses fatores daria margem ao desenvolvimento de mais teses):

  • Baixo salário;

  • Falta de valorização das características profissionais individuais, ocasionando mau posicionamento na estrutura organizacional da empresa;

  • Falta de condições (ferramentas ou informações) adequadas de trabalho: como no item anterior, geralmente provocada por inépcia de chefes/gerentes;

  • Total falta de interesse pelo trabalho executado, sendo somente um ganha-pão-paga-contas;

  • Burrice: existem pessoas que mesmo com ótimos salários e com todas as ferramentas necessárias ao bom desenvolvimento de suas tarefas, não as fazem com qualidade por pura e simples burrice. Darwin explica;

  • Funcionários públicos: todas as anteriores (mesmo assim, continuo fazendo um concursinho aqui, um concursinho ali, quando aparecem... Afinal, quem não quer uma boquinha dessas?)

Se algum dos caríssimos leitores discordar ou quiser expor suas razões, por favor usem os comentários ou o e-mail da SIC. Somos eternamente gratos aos nossos milhares de leitors por suas opiniões sempre tão importantes e embasadas.
Se alguém ainda acreditar somente na segunda proposta do título deste post, pode mandar o endereço de alguma benzedeira forte.

domingo, 9 de janeiro de 2005

Almanacão de Férias da SIC

Que tal aproveitar o periodo de ócio para pôr as historinhas bizarras em dia? Pois então, eis uma que me aconteceu. Acho que eu já tinha feito um comentário aqui a respeito, mas o desfecho eu não contei.

Foi uma vez que um cara estragou boa parte de um projeto que estavamos desenvolvendo quando resolveu terminar o serviço em casa, de madrugada. E o legal é que o cara não viria trabalhar na manhã seguinte. O fantasma da minha guia-mestra-guru Judith Meir apareceu para mim naquele dia, me lembrando que não se deve levar trabalho para casa. Mas, infelizmente, só eu vejo fantasmas, como vocês constataram no conto de natal. Bom, eu e uma outra colega batemos cabeça a manhã inteira para desentortar o sistema, que tinha de estar 100% até o meio-dia. Conseguimos limpar a casa em cima da hora. E óbvio, depois eu nem pude dar um esporro no cara pelo que ele fez, porque ele é "sensível" e é um dos queridinhos da empresa.

Tudo muito bom, tudo muito bem, e o tempo passou. Então, dia desses, o meu querido colega estava contando a história acima para outro cara. E eu liguei as anteninhas para ouvir a versão dele:

- Bah, aquela vez eu fui mexer no XXX em casa de madrugada, daí o Overman e a Fulana foram testar de manhã e tava tudo errado. Eu devia estar totalmente grogue na hora, iac, iac, iac (<- risada do Pateta).

Será que ele ia ter um surto de humildade? Era pedir muito. Ele continuou:

- Mas aí eles conseguiram reverter para a versão anterior e então EU cheguei depois e arrumei tudo.

Coisa querida o cidadão, não?

Ok, a historinha não foi grande coisa. Mas aguardem, em breve sairão os incríveis Passatempos do Almanacão de Férias da SIC:

- Jogo dos 7 erros: descubra as diferenças entre dois curriculos quase iguais, mas com salários diferentes;
- Labirinto: ajude o consultor de RH a sair do labirinto. E afundar no poço sem fundo;
- Decifre o código: tente decifrar os e-mails da diretoria da empresa;
- Colorir: pinte a cara do seu chefe de rosa-choque.


Tá, acho que vou tentar pegar uma praia...

Relatório das férias

Quase uma semana de férias e acho que vou sobreviver. O único incoveniente é a temperatura. Será que eu não podia ter dado mais azar do que escolher o período mais quente do ano para tirar férias? No momento em que eu digito estas palavras uma "lua" de, sei lá, uns 400º queima lá fora. Vou ter que economizar no post inclusive, senão eu desidrato. E nem pensem em me mandar para alguma praia, pois eu odeio este habitat natural dos seres apreciadores de farofa.

Mas tudo bem, não estou reclamando. Ainda. Férias no verão é isso mesmo: minisaias, sorvete de morango, calorão de janeiro, decotes, ventilador ligado o dia inteiro, mais minisaias, sessão de férias na t.v., reprise do Jô Soares, Almanacão de Férias da Mônica, etc. Aliás, por falar em Almanacão, acho que tive uma idéia...

domingo, 2 de janeiro de 2005

Como ganhar todas

Cansado de perder todas as discussões com o seu chefe ou com colegas incompetentes? Cansado de ficar mostrando as coisas óbvias e verdadeiras como argumento e mesmo assim sempre perder a parada? Pois seus problemas se acabaram-se!!

Roubado do NoMimino:

Algumas regras para vencer discussões:

1. Convença o público, não seu oponente
2. Insira a teoria de seu oponente numa categoria odiosa qualquer.
3. Escolha metáforas favoráveis à sua posição.

No total, são 38 truques listados em 'A arte de estar sempre certo' de Arthur Schopenhauer. A conclusão, naturalmente, é que discussões raramente tem a ver com chegar à verdade; seu objetivo é a vitória.


Compre aqui o livro, em português. Um trecho da resenha da Livraria Cultura:

Arthur Schopenhauer (1788-1860) deixou inconcluso este livro breve e perturbador com que desmascara os esquemas da argumentação maliciosa e falsa. Por mais de um século a 'Dialética Erística' ficou praticamente ignorada, até que o renascimento dos estudos sobre retórica e persuasão viesse tirá-la do esquecimento, mostrando seu potencial explosivo.

Para os iletrados, Schopenhauer não é nenhum escritor de livros de auto-ajuda. É "apenas" um dos maiores filosofos da história, influente até hoje.

Como eu sempre digo, carisma e boa retórica são o melhor disfarce para a incompetência.

Enfim, férias

Então meus caros inúteis, já contei pra vocês que em janeiro eu entro em férias? Já? Pois é. Janeiro tá aí e amanhã (segunda-feira) começam oficialmente as primeiras férias remuneradas da minha vida. Vinte dias coçando. Até que é interessante isso, afinal, os caras te pagam pra não fazer nada. Apesar que os funcionários públicos fazem isso o ano inteiro, mas enfim.

Mas como bom inútil, não vou viajar nem nada, fora aquela visita tradicional à casa da mãe, antes que ela esqueça da minha cara. O bom inútil aproveita as férias para fazer aquelas coisas que ele não consegue fazer enquanto está trabalhando, como a faxina na casa, pôr a leitura em dia, dormir, tomar banho, etc. Ou homologar a dissertação de mestrado, que é mais o meu caso. Também espero não sentir falta do trabalho, senão eu saio das férias direto para um hospício.

Então é isso. Tentarei postar mais seguido durante o período de coçamento de saco. Ou não.

sábado, 1 de janeiro de 2005

Mais um texto inútil

Para quem interessar possa, juntei as partes do conto de natal num arquivo só. Tá ali do lado, nos "Textos Inúteis".

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

Um Dia de Calma

Todo dia o estimado colega que senta na minha frente passa duas horas no telefone. Não, ele não fica falando com clientes. Ele fica fazendo ligações pessoais. Eu devo conhecer toda a vida pessoal do cidadão. Hoje ele está conversando com não-sei-quem sobre a sua atribulada vida amorosa. Um dia eu vou chegar na empresa com um bastão de beisebol. Vou quebrar o telefone do meu colega. O celular dele, eu enfio no rabo dele (e tiro uma foto lá de dentro). Em seguida eu vou cortar a língua dele com uma tesoura de jardineiro. Então vou sentar no meu lugar e trabalhar sossegadamente, aproveitando o silêncio...

Como vocês podem ver, voltei bem mais relaxado do Natal.

Nota Mental: comprar um cd-player portátil...

domingo, 26 de dezembro de 2004

Maré...

Depois de ter 5 dentes cariados, uma cirurgia no siso, um acidente de trânsito que me deixou 5 dias com colar cervical, duas caixas de antiinflamatório, duas caixas de tarja-preta, não ter o carro aceito pra conserto por nenhuma oficina, dar o carro a preço de banana pruma seguradora, estar há um mês e uma semana a pé, ter uma infecção intestinal, derrubar a chave de casa no fosso do elevador, pedir demissão da bosta de emprego, cumprir um mês de aviso prévio, ter uma infecção de pele por fungos e uma tendinite na destra, tudo isso nos últimos 45 dias do ano, finalmente se aproxima o ano novo...
E, se deus ou o satanás quiserem, espero que o tsunami (tal qual o da Indonésia, ontem) passe, levando consigo seus mortos e feridos, deixando pra nóis, pobres manos inúteis, algo que preste pra 2005.
Em uníssono: AMÉM!!!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2004

Algumas coisas

1 - Depois da festa de confraternização, onde enchemos a cara até cair, este respeitavel blog entrará em recesso. Mas não por muito tempo.

2 - O nosso salvador, aquele a que esperamos a chegada todo mês de dezembro, já deu as caras. O 13º, óbvio.

3 - Por onde anda 2x2eh4?

O verdadeiro conto de Natal

Um Conto de Natal (A Christmas Carol) - Charles Dickens - 1843

- Versão em português

- Versão original em inglês

Filmes:

- Os Fantasmas se Divertem (Scrooged) - Com Bill Murray - 1988

- Adorável Avarento (Scrooge) - Musical - 1970

Pronto. Agora o fantasma do Charles Dickens não vem mais puxar meu pé de noite por eu ter esculhambado a história dele.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

Conto de Natal da SIC - Parte Final

(Uhú! Acabei essa merda! Leio as outras partes nos posts anteriores)

Entrou no apartamento esbaforido. Atirou-se no sofá e ficou pensando porque, afinal, aquilo tudo tinha que estar acontecendo logo com ele. Como se ele, um reles inútil, tivesse alguma importância. E o que eram esses fantasmas-estereótipos? Como seria o próximo? Um nerd? Um cientista maluco? Um chefe-arara? Levantou e foi na cozinha preparar mais uma dose de cuba. Já que provavelmente não ia ter como fugir do fantasma, então o melhor era enfrentar a situação preparado.

Quando voltou, de copo na mão, reparou que já eram mais de onze horas da noite. Talvez o próximo fantasma nem viesse. Quem sabe? Mas o seu otimismo foi embora quando ouviu um ruído conhecido atrás de si. Era aquela barulheira insuportável de quando o fax-modem do computador se conecta com a Internet. O único problema era que o seu computador estava desligado.

Já imaginando o que ia acontecer, Overman derrubou todo o conteúdo do copo goela abaixo. Olhou para o seu velho computador de guerra e viu que uma luz avermelhada estava sendo projetada pelo monitor. Um segundo depois, no lugar aonde o facho de luz apontava, surgiu uma estranha criatura. Não tinha rosto, era apenas uma longa capa escura tapando um corpo, ou seja lá o que tinha ali embaixo. Overman não se abala diante da figura, e já sob efeito da última dose, tenta iniciar um diálogo:

- Nossa. Gostei dos efeitos especiais. Com esse aditivo aqui então – aponta para o copo vazio – ficou melhor ainda.
- ...
- Tu não fala não?
- ...
- Ah, entendi. O espírito dos natais futuros não fala, claro. Afinal, o futuro não aconteceu ainda. Né, não?
- ...
- Mas me diz, chefia, o que exatamente tu é? Um Nazgûl? O Darth Vader? Um dementador? O Mancha-Negra?
-...
- Hehehe. Legal isso. Posso perguntar qualquer coisa e tu não reage. Que time é teu?
- ...
- Tá, e então? De que forma irônica iremos ver o futuro?

O fantasma lentamente levanta o braço e aponta para a tela do computador.

- Nesse monitorzinho de 14 polegadas? Mas que sem graça...

A criatura balança a cabeça, em negativa. Neste instante a luz avermelhada começa a ser projetada novamente, mas desta vez em todas as direções e com mais intensidade, cegando Overman por alguns segundos. Quando ele pôde enxergar novamente, não estava mais no seu apartamento. Ele e o fantasma voavam numa velocidade absurda dentro de alguma espécie de rede de túneis high-tech. À volta deles passava todo tipo de imagem, som, luz e movimento, num caos enlouquecedor. Logo Overman percebeu onde estavam.
- Caralho!! Isso aqui é a Internet?? Mas essa não pode ser a minha conexão discada. Ela não seria tão rápida assim.

Terminou esta frase e foi atingido na cara por um objeto estranho e pegajoso. Desgrudou aquela coisa mal-cheirosa e examinou com as mãos.

- Que isso? Tem um negócio escrito aqui. “Enlarge your penis”. Merda! Fui atingido por um spam!!

Nesse momento de distração ele não percebeu que o túnel o qual viajavam terminou. Ele e o fantasma caíram dentro de uma grande sala. Overman, depois de se recuperar do tombo, olhou em volta e viu que a sala não tinha janelas. Na sua frente, havia uma espécie de púlpito com um metro de altura. Não havia ninguém além deles na sala.

- Tá, seu Mancha. E agora?
- ...
- Imaginei.

Foi quando surgiu um homem de uma porta à esquerda, que vinha caminhando apressado e xingando um outro, que vinha mais atrás.

- Vamos com isso Dante! Rápido que tem mais dois inúteis pra despachar hoje.

Dante carregava com dificuldade uma grande caixa de papelão. O outro homem dirigiu-se para a parede rente ao púlpito. Abriu um painel que havia escondido ali e pressionou uma seqüência de botões. Feito isso, o teto do púlpito se abriu e lá de dentro surgiu um grande caixão preto.

- Vai Dante. Abre isso daí e despeja ali no incinerador.

Dante, atrapalhado, abriu uma outra portinhola, que ficava na lateral do púlpito. Depois, abriu a caixa de papelão e começou a despejar o seu conteúdo lá dentro. Eram várias folhas esverdeadas, de tamanho mediano. Overman, que até então tinha observado tudo impassível, e percebendo que os dois homens não podiam ver nem ele nem o fantasma, aproximou-se da caixa de Dante e retirou uma daquelas folhas de dentro, antes que fosse para o incinerador também. Olhou para ela e levou um susto. Decidiu verificar outra folha também. Mesma reação. Olhou outra e outra e outra. Ficou em pânico e correu para o fantasma.

- Isso aqui, mas ali...Aquilo...Aquela caixa...
- ...
- São contra-cheques! Meus!! Tem trinta e cindo anos de contra-cheques ali!! O que significa isso??

Dante, como se tivesse ouvido Overman, dirige a palavra para o outro homem:

- Não vem ninguém não?
- Não – responde o outro – não tem ninguém.
- E esses contra-cheques? Porque vão ser usados pra isso?
- Pedido do próprio cara. Ele não deixou mais nada mesmo.
- Credo. Devia gostar de um sarcasmo, o cara.

O homem acionou mais uns botões no painel e o caixão começou a baixar lentamente. Uma música fúnebre começou a tocar. Em seguida, os dois funcionários da funerária foram embora. Mas podia-se ouvir o inconfundível ruído das chamas vindo de dentro do incinerador. Foi o suficiente para Overman recobrar a indignação com os fantasmas natalinos.

- Então seu fantasma, era isso que o senhor queria me mostrar? Que eu vou morrer velho e sozinho e, ainda por cima, tostado nos meus próprios contra-cheques??
- ...
- Quer dizer então que eu vou trabalhar a vinda inteira, encher o rabo de dinheiro, mas não vou ter mais nada? Minha vida vai ser meu trabalho? Não vou construir nada, não vou realizar nada, não vou inventar nada, nem vou salvar a humanidade. Projetos pessoais, realização pessoal, nada? Não vou escrever um livro, não vou plantar uma árvore nem vou ter um filho? Mas em compensação, vou ser sempre um funcionário exemplar??
- ...

A música fúnebre ficava mais alta, mas não era suficiente para abafar o barulho das chamas.

- E ainda por cima vou ser enterrado numa VÉSPERA DE NATAL???
- ...
- Fala alguma coisa, criatura imprestável!!

Tomado pela raiva, Overman arranca a capa do fantasma, mas no lugar de ver algum tipo de corpo por baixo, ele recebe um clarão daquela luz avermelhada nos olhos e perde novamente a visão.

Quando volta a enxergar, já não está mais no crematório. Ou melhor, está, mas não exatamente. Overman está agora dentro do caixão. O calor é intenso e algumas chamas começam a romper a madeira. Overman, ao perceber que aquele deveria ser o seu momento final, buscou dentro de si aquela que seria a sua última frase, e que deveria expressar, da melhor maneira possível, todo o seu sentimento diante de tudo aquilo:

- PUTAAAA QUE O PARIUUUU!!!!!!!!!!

***

Acordou. Estava deitado no sofá do seu apartamento. O copo de cuba estava firme na sua mão ainda. Sentiu a cabeça doer e rodopiar. Lá fora se ouviam fogos de artifício, pois já era meio-noite do dia de Natal. Sentou-se e respirou fundo. Largou o copo no chão. Um minuto depois, tocou o telefone. Levantou-se e atendeu.

- Alô... Mãe??...Ah é, feliz Natal.

FIM.

(Fim?)

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Conto de Natal da SIC - Parte III

(A saga de auto-piedade natalina continua. Leia o início da história nos posts anteriores)

Overman chamou o elevador. Enquanto esperava, não tirava os olhos do corredor, com medo de que a velhinha reaparecesse, para decerto mostrar mais algum daqueles natais passados. Como aquele em que ele foi na festa de confraternização da firma do pai, e ficou com medo do Papai Noel.

Chega o elevador e Overman entra desatinado, mal reparando na figura do ascensorista sentado no canto. Mas este em seguida se faz notar.

- Ae mano. Pra onde?

Overman estava ainda tentando racionalizar tudo o que tinha acontecido até agora, por isso a resposta saiu quase automática:

- Térreo.

Quando o elevador começa a descer é que Overman finalmente tem um estalo do que está acontecendo ali.

- Êpaaaa!!!! Desde quando esse prédio xinfrim tem ascensorista?? Não vai me dizer que...
- É nóis, mano. Tá ligado nas parada dos natal presente aí?

Overman bate com a mão espalmada na própria cara.

- Não, não pode ser. O fantasma do Natal presente é um "mano". Não me falta mais nada...
- Ae mano, respeito, tá ligado? Vamu chega numas parada de Natal de umas pinta aí.

Overman choraminga, mas fica em silêncio depois, protestar não ia adiantar mesmo. Assim que o elevador parasse ele dava no pé dali. Mas o elevador parecia ter descido muito mais do que os três andares que antes o separava do térreo. E descia cada vez mais rápido, ao ponto de Overman quase cair no piso. Até que parou. Tão bruscamente que ele teve a sensação de que ia ser esmagado contra o teto. Perdeu o equilíbrio com essa movimentação toda e se estatelou de vez no chão. O fantasma permanecia imóvel. Até que a porta abriu.

O plano de Overman de sair correndo alucinadamente dali direto para um hospício foi frustrado. No lugar do corredor do térreo do seu prédio o elevador parecia ter ido parar na sala de jantar de alguma casa, que Overman nunca tinha visto na vida. A sala estava apinhada de gente com roupas de festa conversando alegremente. Decoração natalina, comida sendo servida, enfim, a típica ceia natalina de propaganda de peru de Natal. Até que uma figura conhecida de Overman adentrou na sala.

- Aquele cara ali, eu conheço, é aquele incompetente puxa-sacos filha-da-mãe que trabalha comigo. E que ganha mais do que eu, óbvio.
-Cerrto mano. Preistenção.

A ceia rolava alegremente, e o colega de Overman distribuía sorrisos para todos os lados. Cumprimentava e era cumprimentado, comia, bebia, ria, se divertia. Overman, apenas cruzou os braços e olhou para o ascensorista-fantasma.

- Humpf. Qual o próximo andar?
- Opa, demorô.

A porta fechou e o elevador desceu mais ainda. Quando abriu a porta de novo, a cena era semelhante a anterior. Apenas o lugar e as pessoas mudaram. Em seguida Overman reconheceu seu chefe no meio das pessoas, posando para uma foto, com uma taça de champagne na mão. Overman não esperou muito desta vez.

- Próximo andar, por favor!!
- Tô ligado.

Dessa vez o elevador parou num lugar conhecido. E as pessoas também eram conhecidas. Era a sua família, ou o que restou dela, preparando a ceia de Natal. Sem ele, óbvio, que estava em outra cidade. O clima não era lá essas coisas. Parecia mais um velório do que uma véspera de Natal naquele lugar. Dessa vez Overman não foi agressivo com o ascensorista, apenas pediu calmamente:

- Mano, me leva de volta.
- É nóis.

Mas enquanto o elevador subia, Overman aproveitou para despejar a sua indignação em cima do fantasma.

- Então vem cá. Me diz um negócio. Isso tudo foi pra mim ver que esses caras que eu chamo de incompetentes, puxa-sacos, baba-ovos e coisas do gênero, esses seres que eu considero desprezíveis, desqualificados e sem moral, essas pessoas amorfas e descerebradas que trabalham comigo e que faço questão, sempre que posso, de diminuí-los, achincalhá-los, desprezá-los, cuspir na cara e fazer gozação deles no blog, esses caras na verdade tão cagando pra tudo que eu digo de mal deles? A minha indignação pela tem importância zero?
- Firrmeza.
- Eles tem a vida deles, a família deles, as namoradas, os carrinhos, os celulares que tiram foto e que por mais que eu me ache muito mais profissional e qualificado que todos eles juntos isso não faz a menor diferença!! E eu sou um inútil completo que não tem vida fora do trabalho e que quando chega a merda do Natal eles ficam lá ganhando tapinhas nas costas dos cunhadinhos advogados e eu fico enchendo a cara de cuba??
- É o 'squema mano.
- Puta que pariu.

A porta do elevador abre novamente. Desta vez, de volta ao terceiro andar do bom e velho prédio onde Overman mora. Ele sai em disparada em direção ao seu apartamento, sendo que o fantasma só teve tempo de dizer uma última frase:

- Ô mano, não rola uma "caixinha" pra nóis aqui não?? Ô...

Mas Overman já ia longe.

(Amanhã o grand finale...)

segunda-feira, 20 de dezembro de 2004

2 Coisas:

1) Chegamos aos 8.000 acessos. Levamos coisa de uma ano e meio pra isso. Ê blogue xinfrim esse...

2) Ninguém comentou meu conto de Natal. Não escrevo mais. Emburrei. Humpf!

domingo, 19 de dezembro de 2004

Sobre o conto de Natal

Tá, eu sei que tá ficando uma merda e que ninguém vai ler mesmo. Mas eu ando com arroubos literários ultimamente, então vocês vão ter que me aguentar.

Conto de Natal da SIC - Parte II

(Leia a parte I no post de sábado)

Já era noite quando Overman tinha comido um resto de pizza do dia anterior e agora preparava a sua ceia de Natal: meia dose de vodka, meia dose de coca-cola, limão e gelo. Depois de entornar uma boa dose, a campainha do apartamento tocou. "Devem ser aqueles lixeiros que enchem o saco toda véspera de Natal", pensou ele. A campainha tocava insistentemente.

- Já vái, ô merda!! - abriu a porta - mas que porr...

Diante de sua porta não tinha nenhum lixeiro desdentado, mas sim uma velhinha sorridente.

- Oi meu filho. Sou sua vizinha aqui do 307. Posso te pedir um favor?
- Hã, vizinha? Mas eu nunca vi a senhora por aqui.
- É que eu não saio muito de casa, meu filho. Mas posso te pedir um favorzinho? É que a minha televisão não está funcionando direito. E hoje é véspera de Natal, não é? Eu queria poder ver a missa do galo mais tarde, eu podia ligar pra...
- Ok, ok. Eu vou ali, interrompeu ele. Na verdade queria era se ver livre daquilo e voltar para a sua "ceia" natalina.

Entrou no apartamento com a velhinha. Reparou que tudo ali dentro podia estar dentro de um antiquário, incluindo a dona do apartamento, que aparentava ser muito velha mesmo, ainda que estivesse bem lúcida. E quem não estava muito lúcido era Overman, já que a primeira dose que ele havia entornado a pouco começava a fazer efeito.

- Ó meu filho, é aqui a t.v.

A televisão estava ligada, mas a imagem aparecia distorcida. Na verdade, parecia ser um modelo tão antigo que devia ser um milagre que ela pudesse estar ligada.
Então Overman, imbuído de todo o seu conhecimento técnico a respeito de eletrônicos e afins, deu um tapão no tampo do aparelho. A imagem ficou surpreendentemente nítida, com se fosse uma tela de alta-definição passando algum DVD.

- Olha meu filho, deu certo. Tá passando um filme até! Senta aqui e olha só.

Overman sentou na poltrona ao lado da t.v. e achou aquele filme familiar. Mostrava uma grande familia em torno de uma ceia de Natal. E as pessoas lhe eram bem conhecidas.

- Perae!!! Eu já vi esse filme! Aquele guri cabeludo ali sou eu com sete anos!!! Ah, não, não vai me dizer que tu é...
- Isso mesmo meu filho, o fantasma dos natais passados!
- Caralho...
- Óóólha essa lingua! Presta atenção no filme, vai querido.

Era uma ceia de Natal de muitos natais atrás. Toda a familia reunida, risos, bebida, comida, brincadeiras com as primas, etc. Aquela coisa toda.

- Ô tia, o que é aquilo ali na minha cara?
- É um sorriso, meu filho.
- Ah é. Já tinha esquecido como fazia.
- Peraí querido, já vi que esse filme não te agradou muito. Deixa eu ver o que está passando nos outros canais.

E mudou de canal. A tela mostrava agora jovens sentados numa mesa de bar. Era o bar da faculdade, véspera do Natal do último ano de curso. Overman e seus colegas comentavam os planos e projetos para depois da formatura. Havia algum pessimismo no ar, mas a esperança era maior.
Mudou de canal de novo. A véspera de Natal agora era mais recente, um pouco antes de Overman começar a trabalhar, ele estava reunido com menos familiares, um pouco emburrado porque não conseguia arranjar emprego, mais ainda celebrando a data.
Mais um canal. Era a véspera do Natal passado. A imagem mostrava Overman deitado na cama do seu apartamento, dormindo, depois de ter degustado aquela sua "ceia" de Natal característica.

- Chega né, meu filho? Concluiu alguma coisa?

Overman estava zonzo. Mas juntou forças para responder.

- Isso tudo quer dizer que eu, antes de ser um desinfeliz que preferiu morar sozinho e trabalhar feito uma mula para encher o cú de dinheiro, era um carinha legal e feliz. Idiota, mas feliz. E que na verdade, o meu ódio pelo Natal não passa de recalque por estar ralando o cú todo dia e mesmo assim me sentir um inútil? Era essa a conclusão que eu tinha que chegar?
- Mas que lingua suja, hein?
- Era ou não era?
- Não sei querido. Sou apenas uma velhinha.
- Com licença. Pra mim chega. Devo estar ficando louco.

Levantou-se e foi embora. Mas não voltou direto para o seu apartamento. Decidiu que precisa tomar um ar e foi em direção ao elevador.

(Continua...)

sábado, 18 de dezembro de 2004

Conto de Natal da SIC - Parte I

Overman tentava não cochilar em pleno expediente, numa quente e enfadonha manhã de véspera de Natal, aquelas em que funcionários mais rasos como Overman eram obrigados a cumprir meio turno. O sono era grande e Overman não resistia. Mas, pouco antes de cair de nariz no teclado, Overman ouviu uma voz familiar lhe chamando. Olhou pra trás e qual foi a sua surpresa ao ver, em pé diante de si, um dos seus professores da época da faculdade. Usava a mesma roupa da última vez que o havia visto, além de trazer o seu velho telefone celular do tamanho de um tijolo na cintura.

- O que tu tá fazendo aqui?? - perguntou.
- Overman, Overman, olha pra ti, meu rapaz. Tu nem parece mais o guri promissor que eu conhecia, tsc, tsc. A priori, meu caro, vim aqui te dar a real - os outros funcionários da empresa, que naquele dia não eram muitos mesmo, pareciam não perceber a presença do professor.

- Que real?
- Sabe que dia é hoje?
- Um dia como qualquer outro?
- Não! Hoje é véspera de Natal.
- Putz. Odeio Natal.
- Eu sei, por isso que estou aqui. Vim te dar um recado. Hoje Overman, tu serás visitado por três fantasmas e...
- Puta, era esse meu medo...
- Cale-se!! - o professor parecia flutuar no ar agora - Preste atenção. A priori, o primeiro a chegar será o fantasma dos natais passados. Sistematicamente depois, o fantasma do Natal presente e por fim...
- O fantasma dos natais futuros...
- Isso. Boa sorte e vê se aprende alguma coisa. Não vá se tornar uma alma penada assim como eu.
- Alma penada? Não sabia que tu tinha morrido.
- Já faz tempo. Na verdade, na época que tu estudou naquele curso daquela universidade mediocre, eu já era uma alma penada. Conheces pena melhor do que dar aula naquela pocilga por toda a eternidade?
- Isso explica como tu conseguia dar tantas aulas ao mesmo tempo, no mesmo semestre...

Acordou. Tinha cochilado em cima do teclado e o apito do speaker do computador o despertou. Na tela apareciam caracteres aleatórios que ele devia ter digitado com a cara enquanto cochilava, ou algo assim. Foi lavar o rosto e esqueceu do sonho, almadiçoando ainda mais aquele dia, que ele detestava tanto. O que não sabia é que, se os caracteres "aleatórios" fossem lidos de trás pra frente, a seguinte mensagem teria surgido:

"HOJE, 9H DA NOITE. PRIMEIRO FANTASMA. A PRIORI, APROVEITE. G."

Mas ele apagou o texto e foi embora. Já era meio-dia.

(Continua...)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Para os curiosos

Se alguém mais ficou curioso como eu a respeito do post do Overman, que traz um trecho de um conto de Lima Barreto, vou colocar um link interessante:

- Contos de Lima Barreto.

Incluindo, claro o "Três Gênios da Secretaria".

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Enquanto isso, à um tempo atrás

"Mas, como dizia, todos nós nascemos para funcionário publico. Aquela placidez do ofício, sem atritos, nem desconjuntamentos violentos; aquele deslizar macio durante cinco horas por dia; aquela mediania de posição e fortuna, garantindo inabalavelmente uma vida medíocre - tudo isso vai muito bem com as nossas vistas e os nossos temperamentos. Os dias no emprego do Estado nada têm de imprevisto, não pedem qualquer espécie de esforço a mais, para viver dia seguinte. Tudo corre calma e suavemente, sem colisões, nem sobressaltos, escrevendo-se os mesmos papéis e avisos, os mesmos decretos e portarias, da mesma maneira, durante todo o ano, exceto os dias feriados, santificados e os de ponto facultativo, invenção das melhores da nossa República."

- Trecho de "Três Gênios de Secretaria", conto de Lima Barreto. Brás Cubas, Rio, 10/04/1919.

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Desestressando

Whack your boss...

domingo, 12 de dezembro de 2004

Tipinhos Típicos do Ambiente de Trabalho: o Chefe-Arara

Para esse tipinho eu vou pular direto para um estudo de caso. Não, eu nunca tive um chefe-arara, graças ao grande Inútil do Céu. Mas já pude ver a ação de um exemplar da espécime. Trata-se do chefe da área de tecnologia de um cliente aqui da empresa que eu trabalho. Vamos a algumas historinhas do chefe-arara.

Em reuniões ele mostra quem manda: corta a fala dos outros, sai no meio quando se enche do assunto, acaba com a reunião quando não concorda com nada e cospe palavrões e grosserias a torto e direito. Também "invade" reuniões alheias quando quer usar a sala.

O e-mail deve ter sido inventado por um chefe-arara. Como ele adora esculachar os outros por e-mail, usando todo o sarcasmo, ironia e grosseria desenvolvidos em anos de experiência. Com cópia pra todo mundo, óbvio.

Ainda sobre e-mail, teve uma vez que um colega meu mandou um para o pessoal do setor do Arara, fazendo uma pergunta sobre um dos projetos que temos com eles. Passou um, dois, três dias e nada de alguém responder. Até que um dia o Arara mandou o seguinte e-mail para todos: "Alguém já respondeu ao Fulano???". Dois segundos depois, o meu colega deve ter recebido resposta até da tia que serve o café. Bem ou mal, o Arara deve ser o tipinho mais respeitado de qualquer ambiente de trabalho.

A última história é lendária e é passada de geração para geração lá na empresa. Conta-se que o projeto entre as duas empresas (a minha e a do Arara) estava praticamente pronto. Então o Arara saiu de férias em Janeiro (a propósito, já falei que eu saio de férias em Janeiro próximo?) e o resto do pessoal ia só sair em Fevereiro. Quando o Arara voltou, começou a revisar alguns pontos do projeto e descobriu uns furos. TODOS os outros estavam de férias, mas o Arara não quis nem saber. Chamou um por um e tirou o pessoal todo da folga. Reza a lenda que um dos caras chamados estava em plena praia quando o celular tocou.

O que torna possível a existência de chefes-araras nestes tempos de bom-mocismos, hipocrisias e "psicologias" nas empresas? Simples. O Arara é competente pra caralho. Não tá nem aí pra nada, sabe que ele manda e que os outros obedecem. É um cara que se preocupa com resultados, não com aparências. Por isso, nenhum diretor tem coragem de demitir um chefe-arara. Mas calma, não quero dizer que eu seja um admirador da espécie.

Pelo menos não totalmente...

"Formal day"

Na sexta passada a empresa recebeu uma vi$ita importante para os diretores. Alguns inve$tidore$ vieram conhecer onde eles estavam se socando.

Como preparação para a tal visita, pediram para que todos os funcionários viessem muito bem vestidos. Tênis e camiseta seriam considerados pedidos de demissão. E assim foi, aquilo mais parecia um sarau que uma empresa de software.

Agora me diz, adianta mesmo alguma coisa isso tudo? Acho até que atrapalha, duvido que exista mesmo alguma empresa neste ramo onde todos sejam assim tão almofadinhas! Só posso pensar em uma explicação para isso, é a velha história do bolo:"onde faltar recheio, capriche na cobertura", ou algo assim.

Ou será mesmo que alguém pensa que quanto mais "bonitos" todos estiverem, melhor será o produto final?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

E o salário, ó...

Hoje estou me sentindo um asno. Pior, um asno inútil. Hoje é aquele dia tão feliz que todos esperam com tanta ansiedade todo o mês. Óbvio que tô falando do pei-dei, o dia que a generosa empresa a qual trabalho tão bondosamente me dá um agrado pelos serviços que eu presto com tanta alegria.

Bem, agora em Novembro deveria ter entrado o reajuste para o ano de 2004, acordado com o sindicato. Só que...

Vamos por partes. Primeiro, como eu recebo meu salário. Acontece que eu me nego prontamente a ser terceirizado. Prefiro vender pamonha na praia a ser terceirizado. Então, quando eu entrei para a empresa, me ofereceram uma "alternativa". Uma parte do meu salário seria em carteira, com os descontos bonitinhos em folha e tudo. E outra parte seria "por fora", "caixa 2", "na mocosa", etc. Na época, aceitei, pois tava muito desesperado
para sair do meu emprego anterior, aquela empresa em que o Hardy já é vice-presidente atualmente. E afinal de contas, eu ia ter meus direitos assegurados, anyway.

Vou dar um exemplo, sem os valores reais, óbvio, de como eu recebia o salário até Outubro passado:

CLT: R$ 400,00
Caixa 2: R$ 600,00

E agora, no salário de Novembro, vamos supor que o reajuste tenha sido de R$ 50,00. Olhem só o que apareceu no meu extrato bancário:

CLT: R$ 450,00
Caixa 2: 550,00

Entenderam? Entenderam? Que beleeezaaaa!!!

Resumindo, não recebi PORRA de reajuste nenhum. Meu salário continua o MESMO. O tal "reajuste" foi só pra mostrar na folha. VÃOSIFUDÊ...Se isso tivesse acontecido mês passado...

E o pessoal da Olimpo S/A deve estar rindo da minha cara nesse instante.

Mas tudo bem, tudo bem. Já contei pra vocês que em Janeiro eu saio de férias?

sábado, 4 de dezembro de 2004

O Homem que Mandava SPAM

Quem ainda não recebeu aqueles e-mails inconvenientes sem pé nem cabeça que atire o primeiro mouse. Nem estou falando exatamente em SPAM, mas sim naqueles e-mails que certos colegas e amigos desprovidos de massa encefálica nos mandam, achando que são sérios, do tipo "americanos ensinam que a amazônia não pertence ao Brasil" e etc...

Pois então. Logo que eu entrei no meu atual emprego um gerente mandou um e-mail pra todo mundo, dizendo que a lista de e-mails interna da empresa não podia ser usada para assuntos off-topic. Tudo porque alguns Joselitos estavam usando a lista para marcar um jogo de futebol e um tempo antes uma estagiária-patty tinha convidado todo mundo pro seu "níver". Tudo bem, não era nada de mais, mas tava incomodando os grandões da empresa.

Só que, um diretor da empresa, isso mesmo, diretor, nunca deu muita atenção pra isso. Afinal, é por isso que ele é diretor. E uma semana sim, uma semana não, nosso amigo chefão manda e-mails acéfalos para TODOS os funcionários. Já rolou propaganda de candidato a vereador, piada cretina, aquele do livro de geografia americano que diz que a Amazônia não pertence ao Brasil, e por aí vaí. O último dizia que americanos estavam tomando conta de reservas indigenas em Rondônia e não deixavam mais brasileiros entrar nelas. Tudo para explorar as riquezas da nossa querida e idolatrada Amazônia (sempre ela).

O diretor foi repreendido alguma vez? Não.

Faça o que eu digo mas não faça o que faço. A não ser que você seja diretor.

Vestindo a camisa da empresa

No inicio desse ano a empresa distribuiu camisetas pra todo mundo. Eu era novo lá e acabei pegando uma e, pasmem, cheguei a usar várias vezes. Agora distribuiram a versão 2005 da camiseta e eu planejava me esconder pra não ter que levar uma. Mas a secretária-recepcionista-faz-tudo-que-tá-cada-dia-mais-gorda da empresa me achou e tive que levar uma.

Mas legal até. Eu tava precisando de um pano de chão novo mesmo.

Trabalho

Nada como um dia de folga para achar graça na história da palavra “trabalho”, que surpreende muita gente: é filha do latim tripalium, um instrumento de tortura. Isso mesmo, aquele que “enobrece e dignifica o homem” descende de um outro que foi concebido para função bem diferente: fazer sofrer terrivelmente, aviltar o homem. Chocante?

Mais aqui.

Bom dia!

São 8:00 da manhã de um sábado, eu estou trabalhando, e vocês? Ah, e eu trabalhei até a 01:00 da manhã de hoje, portando dormi menos de 6 horas de ontem para hoje. E daí?! Daí nada, só quis dizer ... Inútil só pode reclamar mesmo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

O Final da Novela

Bem, os nossos três leitores já devem estar de saquinho cheio da minha história com a empresa, aqui intitulada Olimpo S/A, que me fez uma proposta de trabalho e eu fiquei naquela de "não sei se caso ou se compro uma bicicleta".
Então vamos acabar com o assunto agora. Tive uma reunião com o meu chefe e com o diretor da empresa que eu trabalho. Nela os caras me prometeram algumas compensações relativas as duas ou três pendengas que eu tinha com a empresa (como trocar de projeto, por exemplo), me fizeram um mea-culpa básico, usaram um pouco de psicologia infantil e então, depois que o rocambole estava pronto fez-se aquele 1/10000 de segundo de silêncio no qual eu deveria dar a minha posição final e definitiva. E como eu sou um fã do Homem-Chavão, não deixei por menos:

- Bem, assim sendo, digam ao povo que fico!

E chutei a Olimpo S/A. Na real, meus caros, neste mundo cão do mercado de trabalho, não existem Olimpos, Shangri-las, Paraísos ou Ilhas de Caras. A real é que toda empresa, por melhor que pareça, tem a sua sujeira escondida embaixo do tapete. E no meu caso, eu já conheço a sujeira da empresa que eu trabalho. E sei que por pior que seja, eu tenho boas perspectivas lá mesmo. E não sou mais ingênuo a ponto de achar que vou trocar de emprego e tudo será lindo e colorido. Então, entre o certo e o duvidoso, fica tudo como está.

Ou...

Ou na verdade talvez eu só esteja fazendo este discurso pra não ficar com remorso por ter dispensado a Olimpo S/A.

Mas na real, dane-se!
Que se explodam os certinhos da Olimpo.
Aaaahh, não quero nem saber.
E só sei que em Janeiro eu saio de férias.

domingo, 21 de novembro de 2004

Iguais, em qualquer língua

Os problemas, pelo menos na nossa área (informática, para aqueles que não lembram) são sempre os mesmos, só mudam o país e os requintes de crueldade.

Estava lendo o Joel On Software (tem uma versão traduzida), e achei uma boa descrição sobre as empresas de TI, a seguir um trecho:

"Não preciso citar nomes aqui, este ciclo aconteceu uma dúzia de vezes. Todas as companhias de serviços de TI ficam ambiciosas e tentam crescer mais rápido do que sua capacidade de encontrar pessoas talentosas, e elas criam camadas e mais camadas de regras e procedimentos que ajudam a produzir trabalho "consistente", ainda que não seja muito brilhante." (o artigo é este)

Dúvida

Alguém sabe me dizer se é bom ou ruim quando o presidente da empresa onde a gente trabalha te chama para uma reunião (só tu, no caso eu) para ajudá-lo a escolher teu novo chefe? Tenho de ficar feliz porque minha opinião é importante, ou triste porque isto me exclui da seleção para o cargo de chefe?

Ah, só pra deixar claro, eu não estou triste. Mas queria dividir esta historinha com vocês três leitores do SIC :-)

sábado, 20 de novembro de 2004

Revista da SIC - Resumo das Novelas

Senhor Sem Destino (SIC TV - de Seg à Sex das 8:30 às 18:00)

Terça-feira (16/11/2004):
Overman recebe proposta de trabalho da Olimpo S/A. Indeciso, faz diversas perguntas ao RH da Olimpo. No mesmo dia, o Chefe de Overman diz que está muito satisfeito com seu trabalho. Overman desconfia que esta coincidência foi coisa de Murphy. E seu amigo Hardy apenas lhe diz: "Te vira magrão!!"

Quarta-feira (17/11/2004):
RH da Olimpo S/A finalmente responde dúvidas de Overman, o que o deixa mais confuso ainda. Overman pede para dar a resposta final só no dia seguinte.

Quinta-feira (18/11/2004):
Overman, mesmo sem muita convicção, decide aceitar a proposta da Olimpo S/A. Passa a manhã ligando para o RH da empresa, mas só consegue encontrar a recrutadora à tarde. Overman pede para acertar a data de inicio no dia seguinte pois só poderia falar com seu Chefe na sexta-feira.

Sexta-feira (19/11/2004):
Overman finalmente conta para o seu Chefe da proposta da Olimpo S/A. O Chefe oferece a Overman algumas compensações para convence-lo a permanecer na empresa. Overman promete pensar no assunto. O Chefe propõe a Overman uma reuniao com O Diretor, para pôr os pingos no i's. A reunião, e a decisão final de Overman, ficam para segunda-feira à tarde.

Segunda-feira (22/11/2004):
A emissora não enviou o resumo do capítulo.

terça-feira, 16 de novembro de 2004

2x2 eh candango!!
(ou 2x2 eh serviços gerais)

Como bom inútil, eu não sirvo pra grandes coisa. Pra nada, na verdade. Mesmo assim, na empresa onde trabalho sempre dão um jeito de fazer eu parar o que estou fazendo pra "apagar algum incêndio" que ninguém se habilita... Ora, se eu quisesse ser apagador de incêndio teria mandado meu currículo para o corpo de bombeiros.
Pois bem, como ia dizendo, sempre há algum bom motivo para que eu pare o q quer q estaja fazendo, desvie minha atenção, torre o meu saco, exploda a minha já não tão grande paciência fazendo alguma coisa ou pagando de palhaço pra alguém (vide meu post anterior).

Desta feita, estava eu correndo como um doido pra terminar a bosta que tenho pra fazer antes do dia 23 do corrente quando, não mais que de repente, chega meu chefe 2 (sim, eu tenho 3 chefes... tsk, tsk...) e me lança:
Chefe 2: - Precisamos instalar o equipamento despirocador de chavasqueamento no carro da empresa.
2x2 eh 4: - Aham, é bom ter ele rodando em teste.
Chefe 2: - Tu podes fazer isso?
2x2 eh 4: - Os testes? Claro, basta botar ele a rodar e...
Chefe 2: - Não, instalar ele no carro.
2x2 eh 4: - Eu?
Chefe 2: - Sim, pega um estagiário e vai lá.
2x2 eh 4: -Mas eu...
Chefe 2: - Aproveita e faz isso agora pq o carro tá aí e ninguém vai precisar dele hj...

Que beleza, não? Eu, um cara com o currículo que tenho (ok, ok, não é tão grandes coisa assim, mas 20 anos de estudo depois...) fui trabalhar de auto-elétrico!! E o melhor é que, mais uma vez, parei tudo que estava fazendo, E QUE SEREI COBRADO PELOS PRAZOS E RESULTADOS (embora tb ache q esteja fazendo coisas bastante abaixo da minha modesta capacidade), pra servir de pau-pra-toda-obra.
Concluí, deste evento, que meus dias de inútil legítimo estão muito mais próximos do que eu gostaria...

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

Textos inúteis de volta

Depois de exercitar toda a minha paciência na merda do Ubbi, finalmente os textos inúteis ali do lado estão disponíveis de novo.

Só um aviso aos leitores mais recentes (todos os três): esses textos foram escritos nos primórdios da SIC e são ruins pra caralho.

Como se o resto do blog fosse bom...

domingo, 14 de novembro de 2004

A Entrevista no Olimpo

Bem, como havia anunciado, fui lá no Olimpo (a empresa maravilhosa da área de TI, onde todos trabalham em cima de nuvens saboreando delicias divinais servidas por ninfas semi-nuas que...tá, tá, fecha parentêses). Primeiro falei com a tia do RH, que me fez uma lavagem cerebral básica, me passando os quetais da empresa. Depois fiz uma entrevista com um tiozão gringo-canadense que tinha um sotaque que me fazia querer rir toda vez que ele falava.

Em suma e resumidamente, eis algumas impressões relevantes sobre a Olimpo S/A:

- O normal lá é o funcionário ser CLT, terceirizados são exceção. E não o contrário.
- A empresa tem um esquema altamente complexo de pontuação que pode turbinar o salário do cara com bonificações. Nunca tinha visto nada parecido.
- Ainda no esquema de pontuação, os funcionários são avaliados semestralmente.
- Toda empresa que se preze tem os seus "valores", que geralmente servem pra ficar bonito na página da empresa e quase sempre versam sobre a qualidade dos serviços e a satisfação do cliente. Pois a tia do RH me disse o seguinte sobre os valores da empresa: aqui valorizamos o capital humano. Inédito!
- "Aqui não existe competitividade interna". Mais uma frase da tia do RH.
- E lá veio a tia do RH de novo: "Não fazemos nenhum tipo de teste psicólogico ou psico-técnico para avaliação. Essas coisas não funcionam para profissionais da área de TI". Quase dei um beijo na tia do RH depois de ouvir essa, se ela não fosse mei baranga.
- Plano de sáude, vales transporte e refeição tem cobertura de 95% da empresa. Ou seja, são BENEFICIOS de verdade. Pra se ter uma ideia, eu tomo quase 200,00 de descontos em folha na minha empresa atual. Quase 70,00 só de plano de saúde.
- Toda vez que eu dizia pro tiu gringo que eu não tinha muita experiência em determinada tecnologia, ele só respondia: "no, no tein problema". Quase dei um beijo nele, mas ele não faz muito meu tipo.
- Curso de inglês na empresa com desconto. E certificações, adivinhem só? Isso mesmo. Eles te pagam tudo.

E chega. Agora vem a parte trágica. Estou torcendo, fazendo figa, rezando pra Santo Expedito e o cambau para que eles NÃO queiram me contratar.

Pausa para xingar o Overman.........


Ok. Explicando melhor agora: eu sou um homem estressado. Eu PRECISO de férias. E as minhas devem sair agora em Janeiro ou Fevereiro. Só que se eu trocar de emprego, vou ter que esperar no mínimo mais um ano até poder tirar férias de novo. Só que se a Olimpo S/A me chamar, me digam, caros 3 leitores desse blog, me digam com toda a sinceridade: O QUE EU FAÇO??????

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

O Olimpo

Uma empresa aqui das quadradezas é considerada uma espécie de paraíso, olimpo, meca, terra-prometida ou algo do genero pelos pobres e escravizados profissionais de TI.

Num texto antigo do Hardy, a "Entrevista Versão Heróica" (que devia estar no link ali do lado, mas eu juro que um dia eu ponho no nosso servidor de arquivos), nosso bravo companheiro de inutilidade narrou com detalhes fantásticos a sua visita a este lugar lendário, quando foi chamado para uma entrevista lá. E eu há muito tempo tenho tentado ir pra lá também, este lugar sem igual, onde deuses reunem-se em banquetes intermináveis regados a vinho e ambrosia, ao som de citáras tocadas por ninfas semi-nuas. Mas, somente alguns poucos escolhidos tem acesso. Pois bem, e não é que finalmente eu consigo marcar uma entrevista no Olimpo? Fui chamado a subir até os céus e ser recebido pelos deuses, deusas, ninfas semi-nuas sedentas de sex...Tá, tá, parei.

Na real, acho que não vai dar em nada. Mas como faz tempo que eu não faço uma entrevista, e não quero perder a prática, veremos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

Eu queria ter uma bomba... um "flit" paralisante qualquer...

É impressionante o nível de imbecilidade que o ser humano pode atingir. Começo a pensar que Darwin estava errado, pelo menos com relação à raça humana, pois, em minhas observações, só os imbecis sobrevivem...

Hoje chego à empresa onde troco meus dias inteiros por 10 euros, após merecidos 3 dias de repouso remunerado - propiciados graças ao trabalho escravo-eleitoral - e sou surpreendido pelo meu chefe com a notícia que devo juntar minhas coisas, limpar minha mesa e minha máquina pelas seguintes razões:
1) Minha máquina irá para "a moçoila" que entrou na empresa na mesma "seleção" que eu (ganhando o dobro), pois a dela está muito defasada para suas necessidades.
2) Um recém chegado "gerente da qualidade" (chamemo-no pela alcunha de "playmobil") contratou um estagiário e precisa de uma mesa para seu novo pupilo.

Como resultado prático dessa "ação gerencial estratégica" temos:
1) Fui pra outra sala, pra uma mesa menor e cheia de equipamentos de outras pessoas, os quais não posso retirar.
2) Tive que parar tudo o que estava fazendo e perder a manhã inteira salvando minhas coisas na rede E movendo (isso mesmo, fisicamente) a minha "nova" máquina e tb a "antiga" para "a moçoila".
3) Tive que perder toda a tarde remontando o "circo" de software que preciso pra trabalhar.
4) Fiz um super downgrade: de um P4 HT 2.8GHz com 512MB DDR 400MHz de RAM para um AMD1100 com 320MB DIMM 133MHz de RAM, que tem ainda a vantagem de travar a cada 40 minutos.

Como resultado pessoal dessa imbecilidade tamanho família Silva concluo:
1) Eu sou um inútil.
2) Embora seja um inútil, estou em 3 projetos ditos "carros chefe" da empresa, todos com prazo estourado por incompetência de outros imbecis. Obviamente cabe-me o papel de "inútil expiatório".
3) Como sou um inútil, sou a primeira opção para "fornecedor de mesas" e "downgrade de estações de trabalho".
4) Por ser um inútil, eu ganho metade do que ganha "a moçoila" e sou o que menos ganha no meu setor (menos até do que os imbecis que nem formação têm).
5) Cada vez mais se aproxima o dia no qual voltarei a ser um inútil de facto pois estou seriamente inclinado a solicitar minha exoneração.

Para finalizar, cito Rui Barbosa, que falou mais ou menos assim: "A imbecilidade humana, ao contrário da inteligência, não têm limites"

sexta-feira, 29 de outubro de 2004

Problemas e Soluções

Dois colegas discutiam um problema na minha frente.

- Acho que a causa de tudo isso foi termos mudado o controle do sistema - argumento um.
- Não. Não - esse é mais impaciente - foi a rebiboca da parafuseta!!

Não vou me meter, penso. Não tenho nada que ver com isso. Estou fazendo outra coisa. Eles que são brancos, fodões e certificados que se entendam.

- Mas trocar a rebiboca causaria um impacto.

Impacto. Eis uma palavra que esse pessoal adora. Quando encontram algum termo, expressão ou neologismo novo o agarram e repetem a exaustão, até não lembrarem mais qual era o verdadeiro sentido da palavra. Afinal, eles precisam mostrar conhecimento e causar, hã, impacto quando falam.

- A rebiboca não me preocupa, o problema depois é que afetaria a performance.

Performance. Outra dessas palavras que já me entram por um ouvido e saem pelo outro toda vez que um desses geniozinhos acha um jeito de enfiá-la nas suas frases de impacto.

- Não. Acho que temos que mudar o controle da sessão da rebiboca da parafuseta!!

Falam tão alto que eu quase não ouço meus pensamentos. "Inútil não pensa", penso. Penso? Ok, esquece. O meu problema com a discussão dos notáveis colegas era que eu já tinha trabalhado no sistema que eles estavam falando, mas como agora eu estava envolvido em outro projeto, queria manter uma distância regulamentar pra não criar incomodação.

Até que o inevitável aconteceu. ELA me apareceu. Na forma de uma visão. Ela era simples. Tinha um corpo pequeno e esguio que a fazia ágil. Apareceu do nada em cima da mesa do meu colega e já saiu acenando vivamente na minha direção. De quem eu estou falando? Dela. A Solução do Problema.

Meu primeiro impulso foi olhar para os meus colegas, esperando que eles também a estivessem vendo. Decepção. Eles estavam muito ocupados fazendo retórica.

- Mas eu acho que o impacto da mexer na rebiboca da conexão da sessão seria inversamente proporcional a performace obtida pela inversão...

A Solução continuava ali, do lado do telefone do meu distinto colega, com seus olhinhos claros e miúdos acenando pra mim. E eu começava a suar frio. Não, pensei, não vou falar nada. Não vou estragar o momento dos meus colegas entregando a Solução para eles.

Mas a Solução começou a achar graça do discurso e começou a tripudiar dos dois arautos da verdade. Virou-se para eles, encostou os polegares no rosto e abanando as mãos fez:

- Pllllrrrrrrrrrrrrrr!!!!!

Mas meus capacitados colegas não ouviram e a Solução achou mais graça ainda. Começou a dançar em cima da mesa, acenando e fazendo gestos de criança que quer chamar atenção, enquanto cantarolava:

- Nãninãnã, nãninãnã, nãninãnã!!!

Não vou falar, não vou falar, não vou falar. Mas eles não a viam.

- A rebiboca da parafuseta não pode funcionar assim!!! – continuava o mais empolgado.
- Eu sei. Não estou falando isso. Talvez se fosse mudado a forma como...
- Nãnãnã, nãnãnã, nãnãnã!!! – eu a ouvia cada vez mais alto. A Solução agora sapateava em cima do monitor do computador do meu colega.
- Olha, acho que tenho uma idéia.
- Fala.
- Vamos garantir a performance reduzindo o impacto!

A Solução teve um acesso de riso quando ouviu isso. Tanto que caiu em cima do telefone, tirando o fone do gancho. Eu mesmo tive que segurar o riso naquele momento. Então ela pôs o fone em cima da cabeça, enfiou umas canetas no nariz e continuou sua dancinha de escárnio para os meus colegas, que, mesmo com tudo isso, não conseguiam enxergá-la.

Já era demais. Eu estava quase zonzo e com medo de ficar louco.

- CHEGAAAAAAA!!!!!!! – disse, calando os meus empolados colegas.
- Que foi?
- Caceta, cês não tão vendo que tudo que vocês têm que fazer é trocar X por Y?????

Meus colegas se entreolham. Pronto, agora viria o meu arrependimento.

- Mas e a performance?
- E o impacto?

Calei-me. Meus colegas continuaram a encher de retórica a lingüiça da incompetência. Eu e a Solução olhamos um para o outro. A Solução dá de ombros pra mim. Eu faço um gesto com a mão como que lhe dizendo "bem, eu tentei". Ela me dá um aceno de "bye-bye-baby" e vai para dentro da gaveta da mesa do meu qualificado e bem pago (melhor que eu, leia-se) colega. Pode ser que um dia ele a encontre ali.

quinta-feira, 28 de outubro de 2004

SIC estrela desenho animado

O Overman virou desenho animado!!! Começou ontem, no Cartoon Network.

domingo, 24 de outubro de 2004

Metáforas

Se você não sabe quem é "a turma do olho só", veja o post de sábado do Overman.

Não sei se vocês já notaram como no mundo corporativo o email é um tipo de couraça, os executivos caolhos se sentem mais ou menos como os pilotos de caça. Basta sentar na frente de um teclado que logo surgem frases (feitas) maravilhosas e sacadas geniais, metáforas brilhantes que vão se-auto-explicar-se-a-si-mesmas.

Recebi um destes no fim de semana. O Caolho Mor, cacique e presidente da empresa estava puto com alguma coisa e resolveu escrever um email dando esporro em todo mundo, "pior que criança com metralhadora giratória". Eu que não sou louco nem nada, esperei pra ver o que ia rolar. Começou uma conversa de louco, com metáforas de tudo que é tipo para os problemas reais e irreais.

Resumindo, a reclamação era a básica de sempre: como é que o que eu pedi para ficar pronto pra ontem não está pronto e perfeito ainda?

Até pensei em responder usando uma metáfora também. Ia começar comparando a equipe de desenvolvimento com o Mc Gyver, explicar que ali também estávamos praticamente tendo que construir usinas nucleares com chiclete e clipes.

Mas desisti, esse negócio de discutir por email é masturbação mental pra gente desocupada. E falar por metáforas não é pra mim. Se me derem a chance, vou dizer que se querem que as coisas funcionem direito, não basta querer, tem que investir na formação de uma equipe.

Mas por via das dúvidas, amanhã vou trabalhar de tapa-olho.

Inútil sobrecarregado

O inútil que aqui tecla é somente mais um reles funcionário de uma empresa. Ele trabalha das 8 as 18 (ou 19 ou 20) todos os dias, de segunda a sexta. Mesmo assim, como chegou um dia as 8h11min e outro as 08h12min tomou um "desconto por atrasos" no seu fantástico contra-cheque, seguido de um "três vezes seguidas é advertência!!!" da secretária (!) do chefe...
Ele é o que tem menor salário do seu "time" de 9 pessoas, embora tenha a maior formação acadêmica de todos e não seja o de menor experiência profissional.

Como bom inútil, foi designado para assumir 3 projetos "carros-chefe" da empresa, todos estando pelo menos um ano atrasados para lançamento comercial... Já começou a ouvir coisas do tipo "segunda-feira temos que estar com esse produto pronto pra lançamento!!", ou "como assim, a tarefa tal não pode ser cumprida no prazo???", ou ainda "mas como esse erro de projeto foi descoberto só agora???"

Nesta sexta-feria, foi "convocado" a trabalhar no sábado... Respondeu o seguinte: "Não posso vir amanhã por dois motivos: 1) Estou "convocado" pela justiça eleitoral para buscar as malditas sacolas da eleição do próximo domingo. 2) Tenho que ganhar dinheiro, fazendo trabalhos extras de fim de semana."
Seu chefe fez uma cara de nojo, seguida por um sorrisinho "vaselina" bem ao estilo "ahn, esse vai durar pouco aqui". TOMARA QUE ELE TENHA RAZÃO!!!

Pra finalizar, uma frase da série Frases de Efeito SIC, temos uma pra cada ocasião:
"Urgente é aquilo que um imbecil não realizou em tempo hábil e que o seu chefe espera que você se foda pra realizar em tempo recorde"

sábado, 23 de outubro de 2004

Olhos bem abertos

Olhando os archives desta respeitada publicação, achei um post antigo em que eu linkava para um artigo do Stephen Kanitz na Veja. O artigo se chamava Em Terra de Cego.

Na época eu achei o texto interessante e relevante aqui pra SIC, mas eu ainda não trabalhava naqueles tempos. Hoje, depois de ter passado por todas as aventuras no mercado de trabalho relatadas aqui na SIC, reli o texto e realmente me identifiquei com ele. Por isso decidi "obrigar" os caros 2 leitores deste blog a lerem o artigo, reproduzindo o texto na íntegra. E dane-se se vou estragar o layout do site...

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Em terra de cego

Stephen Kanitz*

Nenhum ditado popular explica tão bem os problemas do Brasil e do mundo como "Em terra de cego quem tem um olho é rei". Ele mostra por que existe tanta gente incompetente dirigindo nossas empresas e nossas instituições. Mostra também por que é tão fácil chegar ao topo da pirâmide social sem muita visão ou competência. Basta ter um mínimo de conhecimento para sair pontificando soluções.

Todo mundo palpita em economia e futebol como se fosse Ph.D. no assunto. Se o técnico Luiz Felipe Scolari tivesse ouvido os palpiteiros, jamais seríamos pentacampeões mundiais de futebol. Por isso temos tantos intelectuais para lá de arrogantes, que se acham predestinados a dirigir nossa vida com muita teoria e pouca informação.

Existe um corolário desse ditado que me preocupa por suas conseqüências. "Em terra de cego, quem tem um olho é rei, e quem tem dois olhos é muito malvisto." Indivíduos inteligentes e capazes são encarados como uma enorme ameaça e precisam ser rapidamente eliminados pelos que estão no poder.

Por essa razão, pessoas com mérito e competência dificilmente são promovidas no Brasil. Promovidos são os bajuladores e puxa-sacos. Quando aparece alguém com dois olhos, os reizinhos tratam de eliminá-lo, quanto antes melhor.

Já cansei de ver gente competente que, de um momento para o outro, deixou de ser ouvida pela diretoria. Já vi muito jornalista que, de repente, caiu em desgraça. Já vi muito jovem comentar algo brilhante na aula e ser duramente criticado pelo professor, sem saber o motivo. Todos cometeram o erro fatal de mostrar que tinham dois olhos. Por favor, não deixe que isso aconteça com você.

Se você é dos milhares de brasileiros que possuem dois olhos, tome cuidado. Em terra de cego, você corre perigo. Nunca mostre a seu chefe, professor ou colega de trabalho os olhos que tem. Lamento não poder dar nenhum bom conselho, eu sou dos que têm um olho só.

A maioria dos dois-olhos que conheço já desistiu de lutar e optou pelo anonimato. Quando eles têm uma idéia brilhante, colocam a solução na mesa de seus chefes e deixam que a idéia seja descaradamente roubada. Eles se fingem de mortos, pois sabem que, se agirem de modo diferente, poderão tornar-se vítimas. Mas há saídas melhores.

Se seu chefe tem um olho só, mude de emprego e procure companhias que valorizem o talento, que tenham critérios de avaliação claros e baseados em meritocracia. São poucas, mas elas existem e precisam ser prestigiadas.

Ou, então, procure um chefe que tenha dois olhos e grude nele. Ele é o único que irá entendê-lo. Ajude-o a formar uma grande equipe. Se ele mudar de empresa, mude com ele. Seja diferente, procure os melhores chefes para trabalhar, não as melhores companhias. Normalmente, as grandes empresas já são dominadas por reizinhos de um olho só. Por isso, considere criar um negócio com outros como você. Vocês terão sucesso garantido, pois vão concorrer com milhares de executivos e empresários de um olho só.

Nosso erro como nação é justamente não identificar aqueles que enxergam com dois olhos, para poder segui-los pelos caminhos que trilham. Eles deveriam ser valorizados, e não perseguidos, como o são. O Brasil precisa desesperadamente de gente que pense de forma clara e coerente, gente que observe com os próprios olhos aquilo que está a sua volta, em vez de ler em livros que nem foram escritos neste país.

Se você for um desses, tenha mais coragem e lute. Junte-se a eles para combater essa mediocridade mundial que está por aí. Vocês não se encontram sozinhos. Nosso povo tem dois olhos, sim, e é muito mais esperto do que se imagina. Ele está é sendo enganado há tempos, enganado por gente com um olho só.

Foi-se o tempo de uma elite pensante comandar a massa ignara. Hoje, a maioria do povo tem acesso à internet e a home pages com mais informação do que essa intelligentsia tinha quando fez seu doutorado. Se informação é poder, ela não é mais restrita a um pequeno grupo de bem formados. Nosso povo só precisa acreditar mais em si mesmo e perceber que cegos são os outros, aqueles com um olho só.

Stephen Kanitz é administrador - www.kanitz.com.br Artigo publicado na revista VEJA, edição 1796, de 02/04/2003

quinta-feira, 21 de outubro de 2004

Fantasmas do Passado III (final)

Só pra concluir a "série": os pessoal da empresa que eu trabalhava se borraram quando eu disse quanto eu ganhava atualmente. E parou por aí mesmo.

Como eu havia dito, é só reencontrar a "ex" para se lembrar de como era a mocréia.

sábado, 16 de outubro de 2004

Novela Mexicana

Um dos mandamentos da nossa musa-suprema aqui da SIC, a Judith Mair é:

Nada de altas filosofias e atitudes. O dia-a-dia é banal. Esforços para transformá-lo em um grande evento não são desejados por aqui.

Concordo e assino embaixo. Dia desses fiquei sabendo de um fato ocorrido na empresa que foi totalmente contra este corolário. Semanas atrás a empresa promoveu um workshop interno, para que todas os departamentos se encontrassem. Eu obviamente não fui (prefiro work-chopp), mas me contaram que um dos meus colegas, ao palestrar sobre as nossas atividades diárias, teve um momento tão "apaixonado", fez um tamanho discurso, que arrancou palmas do público. Palmas de escárnio, óbvio. A piada que rolou depois era que o fulano devia estar concorrendo a vereador.

Pois eu já acho que o sujeito deveria ser escritor de novela mexicana. Por trasformar a tranqueira do nosso trabalho em acontecimentos de alta carga emocional, o cara tinha que trabalhar na Televisa. Já imaginaram:

- Yo quiero comitar la base de datos!!
- No podes ter la base de datos, Juanito!!
- Como no?!
- La base de datos és tu hermana!!
- Oh!!!
(Sobe música dramática ao fundo)


Ganho pouco mas me divirto.

Fantasmas do Passado II

Bem, acabei descendo de volta ao inferno para conversar com os pessoal do meu emprego anterior. Conversa vai, conversa vem, e eis que aparece um dos diretores da empresa e vem me cumprimentar. E ao melhor estilo Homem-chavão, ele solta a seguinte frase genial:

- Opa, o bom filho a casa torna...

É por isso que ele é diretor. Eu nunca teria uma sacada tão genial.

Quanto a voltar ao emprego velho, aguardem cenas dos proximos capitulos...

quarta-feira, 13 de outubro de 2004

Campeonato PJ

Vai rolar um campeonato de futebol-society entre as empresas de tecnologia da cidade. O pessoal da minha empresa ate formou um time. Eu estava olhando a relacao de "times" e constatei que a maioria das empresas participantes sao das mais mercenarias da regiao.

O que me faz pensar: sera que alguma delas vai contratar jogadores terceirizados para formar seus times? Ja imaginaram a entrevista:

- Experiencia em Java?
- Sim, dois anos.
- Bancos de dados?
- Oracle, um ano e meio.
- Hmm, bom. Pega no gol?
- Hein???

Eu to fora dessa. Ainda se fosse numa LAN-house...

segunda-feira, 11 de outubro de 2004

Fantasmas do Passado

Os pessoal do meu emprego anterior tão atrás de mim. Isso me lembra aquela história do cara que sente saudades da ex-namorada. Até que ele se lembra porque se separou da mocréia...

Darwin Awards
da série "como matar horas de trabalho com leituras inúteis na web"

O prêmio Darwin Awards, nomeado em menção ao cientista Charles Darwin, pai da teoria da evolução, oferece láureo aos imbecis que colaboram com o refinamento genético da espécie humana nobremente removendo-se da nossa árvore evolutiva.
Os prêmios são "entregues" anualmente desde 1990 e estão no site oficial www.darwinawards.com

Um exemplo dos "premiados":
- Um homem ficou retirando neve da rua com uma pá por mais de uma hora, durante uma tempestade de neve em Chicago, para poder estacionar o seu carro.

Terminado o trabalho, foi buscar o carro e ao voltar ao lugar que tinha preparado com tanto esforço, encontrou uma senhora que tinha acabado de estacionar, com a maior naturalidade, no espaço que ele liberara.
Explicou à polícia:
"- Como poderia deixar de dar dois tiros de fuzil nessa mulher?"

sábado, 9 de outubro de 2004

O Terrorismo do Bom-Humor

Lendo o último post do ilustre colega de inutilidade 2x2eh4, me lembrei de tratar sobre o assunto "humor no trabalho". Pois é, eu já tive a infelicidade de conviver com dois ou três colegas de trabalho que possuem o infeliz hábito de controlar o humor dos outros.

É um verdadeiro "terrorismo" o que os caras fazem. Querem que tu estejas sempre sorrindo, sempre alegre, sempre feliz, sempre na "parceria". Mas acontece que o meu humor varia de acordo com a lua. Ou melhor, as luas. De Júpiter. Então não adianta vir me cobrar sorrisos e papinhos furados todo dia, que o neguinho vai estar perdendo tempo.

E daí eu pergunto: a minha falta de bom humor influencia nos resultados do meu trabalho? A resposta é uma só: NÃO!! Muito pelo contrário, pra mim nada melhor que enfiar a cara no trabalho pra esquecer das merdas da vida. O problema é que os "caras legais" não entendem isso. Aliás, quem no final das contas acaba criando conflito e situações embaraçosas são esses caras, quando ficam te cobrando pra ser mais "legalzinho-gente-fina" que nem eles. E ainda ficam indignadinhos comigo, coitados...

Se cada um ficasse na sua não ia ter problema nenhum, e nem a falta (no meu caso) ou o excesso (no caso de alguns) de humor iria influenciar no ambiente de trabalho.

Na boa, eu devia ter nascido na Inglaterra. God save the Queen!!!

quinta-feira, 7 de outubro de 2004

Etiqueta empresarial: você sabe se comportar no trabalho?

Por Paula Balsinelli,
SIComentários por 2x2 eh 4


Alguns comportamentos inadequados podem prejudicar o profissional na hora da tão esperada promoção de cargo. Ser visto como desajeitado ou “sem noção” [joselito é o que mais tem nesse mundo] pelos colegas de trabalho, ou pior, pelo chefe, coloca em risco uma carreira de sucesso. Donos e gerentes também precisam prestar atenção em seu comportamento, são eles que dão o [via de regra, mau] exemplo para os demais funcionários, e que geralmente negociam diretamente com os clientes [para isso deviam ler Spin Selling ou outros livros sobre o assunto que ignoram, e depois ainda colocam a culpa no produto].

Todos os profissionais, independentemente da ocupação, precisam cuidar da imagem [atenção, imbecilóides e loiras de plantão, pois imagem não é somente a aparência física]. A imagem, por sua vez, não está ligada apenas ao visual, mas também ao comportamento. Segundo a consultora Bruna Gásgon, a etiqueta empresarial não pretende corrigir erros, mas dar toques a respeito de comportamentos desagradáveis, roupas inadequadas, mal uso de e-mail e celular [vide posts anteriores], etc.

“Nós não podemos ter preconceito em relação à imagem do cliente. Porém, o cliente irá nos julgar (e também a nossa empresa) segundo a maneira que nos apresentamos. Quanto mais adequada a imagem do profissional, melhor ele será recebido em todos os lugares, e terá mais chances de sucesso", esclarece Bruna [nossa, será q ela chegou à esta conclusão sozinha? mesmo assim tem muita gente que não se toca].

Não faça feio:

- Não basta ter a aparência correta, é preciso ter educação, simpatia [o q não significa abanar o rabo pra qqer um, apenas que tu deve ter o mínimo de tato com quem merece], boa comunicação e estar preparado para todas as situações com os clientes [e com os colegas, pois são seus clientes internos];

- É importante seguir as normas de conduta pedidas pela empresa, informe-se sobre elas [a amplíssima maioria das empresas não tem estas normas formatadas e/ou em meio "consultável", portanto não adianta tentar ser o adivinho do oráculo];

- Seja sério quando o situação exigir. Pode brincar, mas só em momentos de descontração, e apenas com quem é íntimo [isso é importantíssimo: APENAS se o cara for REALMENTE teu amigo e se NÃO FOR ATRAPALHAR o trabalho dele];

- É proibido levar os problemas pessoais para o trabalho, para não contaminar o ambiente e os colegas de forma negativa [pra ninguém notar nem te encher o saco quando tu tá de bom ou mau humor, é simples: basta ficar sempre com humor indiferente no trabalho (vide Judith Mair)];

- E-mails para clientes e colegas de trabalho de outras empresas devem ser escritos em português impecável, sem palavras abreviadas ou gírias [ou seja, não assassine a língua mater no trabalho, achando que isso é "tri descolado, véínho"]. Brincadeiras de mau gosto são proibidas, além da perda de tempo, elas podem parar em endereços errados e causar constrangimento [PROIBIDAS, entenderam??];

- Revise os e-mails antes de enviá-los. Nada de entupir o e-mail alheio com correntes e mensagens de felicidade e alegria [spam poderia ser motivação para homicídio, e devia ser considerado como legítima defesa da paciência];

- No visual, os homens geralmente erram ao usar as famigeradas meias brancas, paletós que não têm nada a ver com a calça, gravatas espalhafatosas, barba por fazer e celular pendurado no cinto [e, principalmente, trajes que não combinam com teu salário nem com tua função, vide famosos pseudo-yuppies-maurícios-metrossexuais];

- As mulheres erram ao usar saias curtas demais, [calças de cotton,] decotes, transparências, cabelos desarrumados [ou excessivamente "armados"], muitos acessórios e os inacreditáveis soutiens com alças de plástico transparente com blusas de alcinha [se você quer se vestir como uma puta, não deve se importar se for tratada como tal];

Estas foram algumas pequenas dicas, que se resumem a apenas uma simples regra: faz o teu trabalho e fica na tua.
Nós, da SIC recomendamos fortemente o estilo "low profile" como solução para grande parte dos problemas no ambiente de trabalho.

domingo, 3 de outubro de 2004

FDPs, uni-vos

Eu estava lendo na Veja a coluna de um cara que poderia ser um dos "musos" aqui da SIC: o Millôr. Me identifiquei de imediato com um trecho do texto dele, e só pra não perder a viajem, reproduzo aqui:

"Todos esses erros e esculhambações aconteceram porque somos todos abertíssimos, libertários, sublimes. Mas só pode agir com alguma dignidade, mínima possibilidade de acerto, quem aceita a certeza fundamental de que é, visceralmente, um FDP. O santo bate carteira com a maior facilidade: está, para si próprio, acima de qualquer suspeita. (...)"

É bom saber que não se está sozinho no mundo.

sábado, 2 de outubro de 2004

Frase

"Carisma é o melhor disfarce para a incompetência".

Obviamente eu não sou nada carismático...

sexta-feira, 1 de outubro de 2004

ig-Nobel

O Ig Nobel, o Nobel da ciência inútil, já tem seus vencedores. A premiação é realizada todos os anos, nos Estados Unidos, na semana que antecede o Nobel de verdade.

O Ig Nobel valoriza as pesquisas "que não poderiam ou não deveriam ser reproduzidas". Em 2004, os ganhadores foram o inventor do karaokê, um estudo rigorosamente controlado mostrando a influência da música country nos índices de suicídio nos EUA e duas pesquisas independentes que afirmam que os arenques se comunicam por meio de flatulências.

A cerimônia de premiação ocorreu Teatro Sanders, da Universidade Harvard, em Cambridge. O evento contou com a presença de cientistas ganhadores do Nobel real, além de uma chuva de aviões de papel.

Os "Ig Nóbeis" vieram de várias partes do mundo como Japão, Canadá, Reino Unido, Dinamarca e Suécia. Os cientistas não se intimidaram e receberam seus prêmios sob uma forte ovação da platéia.

Eu realmente acho que a SIC deveria concorrer...

sábado, 25 de setembro de 2004

Tipinhos Típicos do Ambiente de Trabalho: o Anti-social

Depois de esculachar vários tipos que eu conheço no trabalho, resolvi partir pra uma autocrítica. Isso mesmo, o tipinho típico de hoje é inspirado na minha própria e egocentrica pessoa.

Como reconhecer um anti-social no seu trabalho? Tarefa difícil, pois é bem provavel que você nem sequer perceba a existência do anti-social, mesmo que ele sente na sua frente. O anti-social não faz questão de te dar "bom-dia" nem "até amanhã". O anti-social não vai almoçar em grupinhos descontraídos. É bem provavel que ele prefira escapar pelos dutos do ar-condicionado todos os dias para poder ir almoçar sozinho. O anti-social não vai tagarelar o dia inteiro sobre o futebol do fim-de-semana, nem sobre o último filme que ele viu e nem que o Parreira é muito burro. Não vai te mandar e-mails engraçadinhos no meio do expediente. Ele odeia quando tem aniversário de alguém na empresa, principalmente se for o dele (dutos do ar-condicionado, rápido!!!). Ele não vai participar de amigo-secreto nem vai na festa de fim-de-ano da empresa em que todo mundo enche a cara e paga mico.

E desista, ele não quer ser seu amigo!!! É bom não insistir muito, pois é capaz do anti-social te sacanear em algum blog que ele escreva escondido.

Pronto, eis o perfil do anti-social. O que fazer quando encontrar algum no seu ambiente de trabalho? Nada, não incomode o anti-social que ele não te incomoda.

Gênios do RH

A meta de qualquer empresa é atingir o lucro. Normal. Mas daí a fazer isto a qualquer custo, tornando TODOS os seus funcionários infelizes e descontentes, é uma burrice sem tamanho.

Na empresa onde eu trabalho é assim, contrata-se qualquer um que aceite ganhar uma miséria, e fica-se cozinhando os pobres até que eles arranjem algum emprego melhor. Aí vão "valorizar" (é o termo que eles usam pra aumento) o trabalho do cara.

Não existe estratégia de contenção de talentos, só o desespero para tentar segurar os que não aguentam mais. O que eles ganham com isso? Eu não descobri ainda, nem vou tentar descobrir.

Pior é que os chefes (sim, são vários) ainda ficam "magoadinhos" quando a pessoa tem sorte de sair de lá. Vaisifudê!

domingo, 19 de setembro de 2004

PJ X PF

Forma de contratação é um dos assuntos que a gente mais discute aqui. Estes dias senti na pele um dos males de "não ter uma CLT que me defenda". Emergência médica, e eu "sem um puto centavo".

Não pude cuidar de mim mesmo, tive de pedir favores e mendigar atendimento em hospital público. Nunca tinha me sentido tãããooo inútil.

Aliás este é um dos motivos que têm me afastado do SIC, estou mais desanimado. Tentarei voltar aos poucos.

sábado, 18 de setembro de 2004

Jardim da Infância

Bem, pra não deixar a poeira tomar conta, e atendendo a pedidos, vou depositar um post aqui neste humilde blog antes que a tinta comesse a descascar. Já que meus companheiros de inutilidade aparentemente abandonaram o barco, eu vou ficando por aqui enquanto me aguentarem. Talvez eu mude o nome do blog pra "Sociedade do INÚTIL Consciente" ou algo do gênero. Enfim, aceito sugestões...

Ok, mas vamos a historinha de hoje. Um belo dia desses a secretária-recepcionista-faz-tudo da empresa apareceu para dar alguns comunicados.
Comunicado número um: a empresa fez um convênio com uma churrascaria, que vai passar a dar desconto para os funcionários. Este comunicado foi devidamente recebido com uma salva de palmas por todos. Eu só pensei: grande merda! Se tem uma coisa que eu não consigo é encher o c* de carne e ir trabalhar depois.
Comunicado número dois: esse me surpreendeu e merece uma transcrição:

- Pessoal, vocês já podem trazer fotos de quando vocês eram crianças. Vamos juntar as fotos de todo mundo e fazer um mural ali...

Quê? Entendi bem? E depois, vão fazer o quê? Vão encher as paredes com trabalhinhos feitos por nós? Vão fazer um mural com as nossas mãos impressas em tempera? Vão chamar as nossas mães pra gente cantar pra elas no dia das mães??
Putz, essa gente que quer transformar o ambiente de trabalho num lugar "aprazível", "familiar", "caseiro", "social" ou que quer que seja simplesmente me tira do sério!! Vão a merda!! Lugar de trabalho é lugar de trabalho, vida social eu tenho fora dele. Não quero nem saber, esses losers que me chamem de anti-social ou chato se quiserem. Pensam que tão aonde?

Tá, pronto. Voltei chutando o balde...

quinta-feira, 9 de setembro de 2004

Frase

Eu sou como um tubarão: se parar de nadar, afunda..."
Acho que estou preste a pedir demissão do meu emprego por causa da falta de trabalho, que está me enlouquecendo. A ironia do destino...

PS: esse negócio de mandar post por e-mail é uma merda

domingo, 29 de agosto de 2004

Mais um!!!!

Caras, eu sabia que o mercado de trabalho está uma merda, mas não sabia que estava tanto.

Já é o segundo currículo que nós inúteis recebemos. E desta vez é de uma pessoa da nossa área. E pior, mais graduado que os membros (no bom sentido) deste site!!! O que ele quer, ser o presidente da SIC?! :-)

Resumo rápido: curso superior, mestrado, duas pós-graduações, e mais um monte de cursos extra curriculares !!! Experiência, e não é pouca, inclusive internacional ...

Mas aparentemente nem um pouco de noção, pois duvido que tenha enviado pra gente por querer :-D

Bom, hora da resposta padrão: Sr. Volin Tupir (nome foi mudado, claro), sentimos muito, mas o Sr. não preenche os requisitos da vaga, mesmo porque não anunciamos nenhuma vaga!!!

PS: podem seguir mandando seus currículos, gostamos de ver que não somos os únicos inúteis do mundo.

O cúmulo

O que é pior, trabalhar no fim de semana, fazer hora extra ou virar a noite trabalhando?

Pois eu vou dizer o que é pior: trabalhar no fim de semana E fazer hora extra E virar não uma, mas DUAS noites trabalhando!!! E o requinte de crueldade: não receber NADA em troca, nem um muito obrigado!

Acha que não pode piorar? Pois pode. Já ouvi mais de uma vez os mestres da motivação lá do trabalho dizendo que a equipe tinha que vestir mais a camisa da empresa. Só se for camisa de força. Eu queria que só uma vez (HUAHUAUHA!) a empresa vestisse a camisa dos "funcionários" (que eu saiba funcionário tem carteira assinada, e não emite nota).

Cada vez mais me arrependo de não ter trocado de emprego quando tive a chance. Bem feito!

domingo, 22 de agosto de 2004

Links Inúteis

Sarcasmo é o meu tipo de humor favorito, como já deve ter dado pra notar. Bem, então aqui vão mais alguns links roubados do NoMinimo que tem tudo a ver com o pastel:

NaDa: um novo conceito em software. Veja o que seus criadores dizem a respeito:
NaDa™ is a new concept. A thought, really. It is very light : 1 byte. It doesn't take long to fetch. It doesn't take long to understand. It doesn't disturb your habits nor does it makes you feel insecure. It is a reassuring piece of software that does nothing, and does it very well. That's a lot !

Huh Corp.: na primeira impressão é uma empresa de TI como TODAS as outras. Mas veja qual a estratégia da empresa:
Our main strategy is to convince people that we do stuff they can't do themselves, and that we deserve lots of money for it. The best way to do this is to always look good, and always sound like we know something you don't.

O mundo não está perdido com idéias geniais como essa. Aí inúteis, vamos abrir uma empresa tipo a Huh Corp para fazer sistemas como o NaDa?

Porque eu nunca vou ser diretor

Dia desses fui no banheiro da empresa escovar os dentes. Quando entrei me deparei com a seguinte cena: um dos diretores da empresa tirando uma água do joelho no mictório, com uma das mãos ele segurava o, hã, bem...e com a outra mão ele escovava os dentes. Na hora eu pensei, nossa! por isso que o cara chegou a diretor!! se fosse eu, nunca ia ter uma idéia tão produtiva como essa. Imagina quanto do precioso tempo dele ele economiza fazendo isso. Só faltou ele estar falando no celular viva-voz com um cliente ao mesmo tempo. São essas pequenas coisas que diferenciam os grandes, os empreededores, os mestres, dos, digamos, reles inúteis.
Porque eu não tenho essas idéias? Na boa, eu nunca vou ser diretor de nada.

sábado, 21 de agosto de 2004

Psicopatas corporativos

O psicopata corporativo parece ser outro tipinho típico do ambiente de trabalho. Mas esse não foi nenhum pesquisador aqui da SIC que descobriu. Eu li na coluna do Tutty Vasques no NoMinimo:

Sabe aquele sujeito charmoso lá do trabalho que não mede esforços para subir na carreira ainda que para isso precise assumir o crédito por conquistas de colegas? A revista New Scientist acaba de enquadrá-lo na categoria dos ‘psicopatas corporativos’, um tipo de doente mental que tem muito mais chance de sucesso profissional do que você, seu otário.
(...)


Pra vocês verem, criaturas psicóticas tem mais chance de sucesso profissional. Cuidado então, mesmo parecendo ser um tipo meio raro, quem avisa amigo é...

terça-feira, 10 de agosto de 2004

Tipinhos Tipicos do Ambiente de Trabalho: O Queridinho

Em qualquer habitat profissional, um dos tipos mais comuns nos dias de hoje -
praticamente uma praga - eh o "queridinho". O queridinho eh uma evolução (??) de um tipo mais antigo, e amplamente conhecido, o puxa-sacos. O puxa-sacos teve que evoluir, pois nos ultimos tempos a sua especie andou ameaçada, depois que seus artificios de camuflagem (embaixo da saia do chefe) e dissimulacao comecaram a ficar muito manjados pelas seus predadores.
Bem, mas voltando ao nosso amigo (sim, ele eh amigo de todos, oras) queridinho.
Eh facil reconhecer um. No seu primeiro dia de trabalho na empresa, ele jah vai se mostrar um amigo intimo seu. Afinal, o queridinho eh aquele cara pra todas as horas. Aquele que se levanta no meio do expediente pra ficar tagarelando com os parceiros. Aquele que resolve comentar o filme que ele viu no fim de semana bem na hora que voce estava concentrado. Enfim, o queridinho tem uma vida social muito agitada, e ele nao pode desperdicar o horario do expediente para deixar de socializar. E nao reclame dele, porque senao as pessoas vao te tirar pra chato!!
Mas eh com os chefes que o queridinho mostra a que veio. Os chefes o adoram!! Que excelente profissional ele eh!! Com a conversa que ele tem, nao existe chefe que pense que ele eh um mal profissional. E nao vah dizer que ele nao sabe nada, que o trabalho dele eh porco, que voce depois tem que ficar corrigindo as cagadas dele e etc. Vao pensar que voce tah com inveja, jah que voce nao eh queridinho como ele. E cuidado! Nao deixe ele saber que voce fala mal dele. Ele pode usar a sua terrivel arma: a queimacao de filme pra diretoria...
Qual a vantagem do do queridinho pro puxa-sacos? Bem, o puxa-saco era querido soh pro chefes e despertava a ira dos rivais. Jah o queridinho eh queridinho com todo mundo, por isso ninguem percebe que ele nao passa de um puxa-sacos com anabolizante. A nao ser voce, caro leitor da SIC.

domingo, 8 de agosto de 2004

Teia de Aranha

Bah, esse blog tá jogado as traças. Blog de inútil só podia dar nisso...

domingo, 1 de agosto de 2004

Leitora francesa da SIC lança livro

Não sei se é verdade, mas bem que poderia ser. A francesa Corinne Maier publicou um livro chamado Bonjour Paresse (Bom Dia Preguiça), uma paródia aqueles livros de auto-ajuda que ensinam como fazer sucesso em grandes corporações.

Algumas pérolas da moça em seu livro:

- Capítulos com títulos como “Cultura Corporativa – Gente Estúpida”;
- Frases como “você não tem muito a perder se não fizer muito no trabalho”;
- Conselho dado por Maier: escolha os tipos mais inúteis de trabalho, como o de consultor, especialista ou conselheiro.

No mínimo vale uma lida pra dar umas risadas :-)

Vejam a reportagem aqui.