sábado, 18 de dezembro de 2004

Conto de Natal da SIC - Parte I

Overman tentava não cochilar em pleno expediente, numa quente e enfadonha manhã de véspera de Natal, aquelas em que funcionários mais rasos como Overman eram obrigados a cumprir meio turno. O sono era grande e Overman não resistia. Mas, pouco antes de cair de nariz no teclado, Overman ouviu uma voz familiar lhe chamando. Olhou pra trás e qual foi a sua surpresa ao ver, em pé diante de si, um dos seus professores da época da faculdade. Usava a mesma roupa da última vez que o havia visto, além de trazer o seu velho telefone celular do tamanho de um tijolo na cintura.

- O que tu tá fazendo aqui?? - perguntou.
- Overman, Overman, olha pra ti, meu rapaz. Tu nem parece mais o guri promissor que eu conhecia, tsc, tsc. A priori, meu caro, vim aqui te dar a real - os outros funcionários da empresa, que naquele dia não eram muitos mesmo, pareciam não perceber a presença do professor.

- Que real?
- Sabe que dia é hoje?
- Um dia como qualquer outro?
- Não! Hoje é véspera de Natal.
- Putz. Odeio Natal.
- Eu sei, por isso que estou aqui. Vim te dar um recado. Hoje Overman, tu serás visitado por três fantasmas e...
- Puta, era esse meu medo...
- Cale-se!! - o professor parecia flutuar no ar agora - Preste atenção. A priori, o primeiro a chegar será o fantasma dos natais passados. Sistematicamente depois, o fantasma do Natal presente e por fim...
- O fantasma dos natais futuros...
- Isso. Boa sorte e vê se aprende alguma coisa. Não vá se tornar uma alma penada assim como eu.
- Alma penada? Não sabia que tu tinha morrido.
- Já faz tempo. Na verdade, na época que tu estudou naquele curso daquela universidade mediocre, eu já era uma alma penada. Conheces pena melhor do que dar aula naquela pocilga por toda a eternidade?
- Isso explica como tu conseguia dar tantas aulas ao mesmo tempo, no mesmo semestre...

Acordou. Tinha cochilado em cima do teclado e o apito do speaker do computador o despertou. Na tela apareciam caracteres aleatórios que ele devia ter digitado com a cara enquanto cochilava, ou algo assim. Foi lavar o rosto e esqueceu do sonho, almadiçoando ainda mais aquele dia, que ele detestava tanto. O que não sabia é que, se os caracteres "aleatórios" fossem lidos de trás pra frente, a seguinte mensagem teria surgido:

"HOJE, 9H DA NOITE. PRIMEIRO FANTASMA. A PRIORI, APROVEITE. G."

Mas ele apagou o texto e foi embora. Já era meio-dia.

(Continua...)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2004

Para os curiosos

Se alguém mais ficou curioso como eu a respeito do post do Overman, que traz um trecho de um conto de Lima Barreto, vou colocar um link interessante:

- Contos de Lima Barreto.

Incluindo, claro o "Três Gênios da Secretaria".

quarta-feira, 15 de dezembro de 2004

Enquanto isso, à um tempo atrás

"Mas, como dizia, todos nós nascemos para funcionário publico. Aquela placidez do ofício, sem atritos, nem desconjuntamentos violentos; aquele deslizar macio durante cinco horas por dia; aquela mediania de posição e fortuna, garantindo inabalavelmente uma vida medíocre - tudo isso vai muito bem com as nossas vistas e os nossos temperamentos. Os dias no emprego do Estado nada têm de imprevisto, não pedem qualquer espécie de esforço a mais, para viver dia seguinte. Tudo corre calma e suavemente, sem colisões, nem sobressaltos, escrevendo-se os mesmos papéis e avisos, os mesmos decretos e portarias, da mesma maneira, durante todo o ano, exceto os dias feriados, santificados e os de ponto facultativo, invenção das melhores da nossa República."

- Trecho de "Três Gênios de Secretaria", conto de Lima Barreto. Brás Cubas, Rio, 10/04/1919.

terça-feira, 14 de dezembro de 2004

Desestressando

Whack your boss...

domingo, 12 de dezembro de 2004

Tipinhos Típicos do Ambiente de Trabalho: o Chefe-Arara

Para esse tipinho eu vou pular direto para um estudo de caso. Não, eu nunca tive um chefe-arara, graças ao grande Inútil do Céu. Mas já pude ver a ação de um exemplar da espécime. Trata-se do chefe da área de tecnologia de um cliente aqui da empresa que eu trabalho. Vamos a algumas historinhas do chefe-arara.

Em reuniões ele mostra quem manda: corta a fala dos outros, sai no meio quando se enche do assunto, acaba com a reunião quando não concorda com nada e cospe palavrões e grosserias a torto e direito. Também "invade" reuniões alheias quando quer usar a sala.

O e-mail deve ter sido inventado por um chefe-arara. Como ele adora esculachar os outros por e-mail, usando todo o sarcasmo, ironia e grosseria desenvolvidos em anos de experiência. Com cópia pra todo mundo, óbvio.

Ainda sobre e-mail, teve uma vez que um colega meu mandou um para o pessoal do setor do Arara, fazendo uma pergunta sobre um dos projetos que temos com eles. Passou um, dois, três dias e nada de alguém responder. Até que um dia o Arara mandou o seguinte e-mail para todos: "Alguém já respondeu ao Fulano???". Dois segundos depois, o meu colega deve ter recebido resposta até da tia que serve o café. Bem ou mal, o Arara deve ser o tipinho mais respeitado de qualquer ambiente de trabalho.

A última história é lendária e é passada de geração para geração lá na empresa. Conta-se que o projeto entre as duas empresas (a minha e a do Arara) estava praticamente pronto. Então o Arara saiu de férias em Janeiro (a propósito, já falei que eu saio de férias em Janeiro próximo?) e o resto do pessoal ia só sair em Fevereiro. Quando o Arara voltou, começou a revisar alguns pontos do projeto e descobriu uns furos. TODOS os outros estavam de férias, mas o Arara não quis nem saber. Chamou um por um e tirou o pessoal todo da folga. Reza a lenda que um dos caras chamados estava em plena praia quando o celular tocou.

O que torna possível a existência de chefes-araras nestes tempos de bom-mocismos, hipocrisias e "psicologias" nas empresas? Simples. O Arara é competente pra caralho. Não tá nem aí pra nada, sabe que ele manda e que os outros obedecem. É um cara que se preocupa com resultados, não com aparências. Por isso, nenhum diretor tem coragem de demitir um chefe-arara. Mas calma, não quero dizer que eu seja um admirador da espécie.

Pelo menos não totalmente...

"Formal day"

Na sexta passada a empresa recebeu uma vi$ita importante para os diretores. Alguns inve$tidore$ vieram conhecer onde eles estavam se socando.

Como preparação para a tal visita, pediram para que todos os funcionários viessem muito bem vestidos. Tênis e camiseta seriam considerados pedidos de demissão. E assim foi, aquilo mais parecia um sarau que uma empresa de software.

Agora me diz, adianta mesmo alguma coisa isso tudo? Acho até que atrapalha, duvido que exista mesmo alguma empresa neste ramo onde todos sejam assim tão almofadinhas! Só posso pensar em uma explicação para isso, é a velha história do bolo:"onde faltar recheio, capriche na cobertura", ou algo assim.

Ou será mesmo que alguém pensa que quanto mais "bonitos" todos estiverem, melhor será o produto final?

segunda-feira, 6 de dezembro de 2004

E o salário, ó...

Hoje estou me sentindo um asno. Pior, um asno inútil. Hoje é aquele dia tão feliz que todos esperam com tanta ansiedade todo o mês. Óbvio que tô falando do pei-dei, o dia que a generosa empresa a qual trabalho tão bondosamente me dá um agrado pelos serviços que eu presto com tanta alegria.

Bem, agora em Novembro deveria ter entrado o reajuste para o ano de 2004, acordado com o sindicato. Só que...

Vamos por partes. Primeiro, como eu recebo meu salário. Acontece que eu me nego prontamente a ser terceirizado. Prefiro vender pamonha na praia a ser terceirizado. Então, quando eu entrei para a empresa, me ofereceram uma "alternativa". Uma parte do meu salário seria em carteira, com os descontos bonitinhos em folha e tudo. E outra parte seria "por fora", "caixa 2", "na mocosa", etc. Na época, aceitei, pois tava muito desesperado
para sair do meu emprego anterior, aquela empresa em que o Hardy já é vice-presidente atualmente. E afinal de contas, eu ia ter meus direitos assegurados, anyway.

Vou dar um exemplo, sem os valores reais, óbvio, de como eu recebia o salário até Outubro passado:

CLT: R$ 400,00
Caixa 2: R$ 600,00

E agora, no salário de Novembro, vamos supor que o reajuste tenha sido de R$ 50,00. Olhem só o que apareceu no meu extrato bancário:

CLT: R$ 450,00
Caixa 2: 550,00

Entenderam? Entenderam? Que beleeezaaaa!!!

Resumindo, não recebi PORRA de reajuste nenhum. Meu salário continua o MESMO. O tal "reajuste" foi só pra mostrar na folha. VÃOSIFUDÊ...Se isso tivesse acontecido mês passado...

E o pessoal da Olimpo S/A deve estar rindo da minha cara nesse instante.

Mas tudo bem, tudo bem. Já contei pra vocês que em Janeiro eu saio de férias?

sábado, 4 de dezembro de 2004

O Homem que Mandava SPAM

Quem ainda não recebeu aqueles e-mails inconvenientes sem pé nem cabeça que atire o primeiro mouse. Nem estou falando exatamente em SPAM, mas sim naqueles e-mails que certos colegas e amigos desprovidos de massa encefálica nos mandam, achando que são sérios, do tipo "americanos ensinam que a amazônia não pertence ao Brasil" e etc...

Pois então. Logo que eu entrei no meu atual emprego um gerente mandou um e-mail pra todo mundo, dizendo que a lista de e-mails interna da empresa não podia ser usada para assuntos off-topic. Tudo porque alguns Joselitos estavam usando a lista para marcar um jogo de futebol e um tempo antes uma estagiária-patty tinha convidado todo mundo pro seu "níver". Tudo bem, não era nada de mais, mas tava incomodando os grandões da empresa.

Só que, um diretor da empresa, isso mesmo, diretor, nunca deu muita atenção pra isso. Afinal, é por isso que ele é diretor. E uma semana sim, uma semana não, nosso amigo chefão manda e-mails acéfalos para TODOS os funcionários. Já rolou propaganda de candidato a vereador, piada cretina, aquele do livro de geografia americano que diz que a Amazônia não pertence ao Brasil, e por aí vaí. O último dizia que americanos estavam tomando conta de reservas indigenas em Rondônia e não deixavam mais brasileiros entrar nelas. Tudo para explorar as riquezas da nossa querida e idolatrada Amazônia (sempre ela).

O diretor foi repreendido alguma vez? Não.

Faça o que eu digo mas não faça o que faço. A não ser que você seja diretor.

Vestindo a camisa da empresa

No inicio desse ano a empresa distribuiu camisetas pra todo mundo. Eu era novo lá e acabei pegando uma e, pasmem, cheguei a usar várias vezes. Agora distribuiram a versão 2005 da camiseta e eu planejava me esconder pra não ter que levar uma. Mas a secretária-recepcionista-faz-tudo-que-tá-cada-dia-mais-gorda da empresa me achou e tive que levar uma.

Mas legal até. Eu tava precisando de um pano de chão novo mesmo.

Trabalho

Nada como um dia de folga para achar graça na história da palavra “trabalho”, que surpreende muita gente: é filha do latim tripalium, um instrumento de tortura. Isso mesmo, aquele que “enobrece e dignifica o homem” descende de um outro que foi concebido para função bem diferente: fazer sofrer terrivelmente, aviltar o homem. Chocante?

Mais aqui.

Bom dia!

São 8:00 da manhã de um sábado, eu estou trabalhando, e vocês? Ah, e eu trabalhei até a 01:00 da manhã de hoje, portando dormi menos de 6 horas de ontem para hoje. E daí?! Daí nada, só quis dizer ... Inútil só pode reclamar mesmo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2004

O Final da Novela

Bem, os nossos três leitores já devem estar de saquinho cheio da minha história com a empresa, aqui intitulada Olimpo S/A, que me fez uma proposta de trabalho e eu fiquei naquela de "não sei se caso ou se compro uma bicicleta".
Então vamos acabar com o assunto agora. Tive uma reunião com o meu chefe e com o diretor da empresa que eu trabalho. Nela os caras me prometeram algumas compensações relativas as duas ou três pendengas que eu tinha com a empresa (como trocar de projeto, por exemplo), me fizeram um mea-culpa básico, usaram um pouco de psicologia infantil e então, depois que o rocambole estava pronto fez-se aquele 1/10000 de segundo de silêncio no qual eu deveria dar a minha posição final e definitiva. E como eu sou um fã do Homem-Chavão, não deixei por menos:

- Bem, assim sendo, digam ao povo que fico!

E chutei a Olimpo S/A. Na real, meus caros, neste mundo cão do mercado de trabalho, não existem Olimpos, Shangri-las, Paraísos ou Ilhas de Caras. A real é que toda empresa, por melhor que pareça, tem a sua sujeira escondida embaixo do tapete. E no meu caso, eu já conheço a sujeira da empresa que eu trabalho. E sei que por pior que seja, eu tenho boas perspectivas lá mesmo. E não sou mais ingênuo a ponto de achar que vou trocar de emprego e tudo será lindo e colorido. Então, entre o certo e o duvidoso, fica tudo como está.

Ou...

Ou na verdade talvez eu só esteja fazendo este discurso pra não ficar com remorso por ter dispensado a Olimpo S/A.

Mas na real, dane-se!
Que se explodam os certinhos da Olimpo.
Aaaahh, não quero nem saber.
E só sei que em Janeiro eu saio de férias.

domingo, 21 de novembro de 2004

Iguais, em qualquer língua

Os problemas, pelo menos na nossa área (informática, para aqueles que não lembram) são sempre os mesmos, só mudam o país e os requintes de crueldade.

Estava lendo o Joel On Software (tem uma versão traduzida), e achei uma boa descrição sobre as empresas de TI, a seguir um trecho:

"Não preciso citar nomes aqui, este ciclo aconteceu uma dúzia de vezes. Todas as companhias de serviços de TI ficam ambiciosas e tentam crescer mais rápido do que sua capacidade de encontrar pessoas talentosas, e elas criam camadas e mais camadas de regras e procedimentos que ajudam a produzir trabalho "consistente", ainda que não seja muito brilhante." (o artigo é este)

Dúvida

Alguém sabe me dizer se é bom ou ruim quando o presidente da empresa onde a gente trabalha te chama para uma reunião (só tu, no caso eu) para ajudá-lo a escolher teu novo chefe? Tenho de ficar feliz porque minha opinião é importante, ou triste porque isto me exclui da seleção para o cargo de chefe?

Ah, só pra deixar claro, eu não estou triste. Mas queria dividir esta historinha com vocês três leitores do SIC :-)

sábado, 20 de novembro de 2004

Revista da SIC - Resumo das Novelas

Senhor Sem Destino (SIC TV - de Seg à Sex das 8:30 às 18:00)

Terça-feira (16/11/2004):
Overman recebe proposta de trabalho da Olimpo S/A. Indeciso, faz diversas perguntas ao RH da Olimpo. No mesmo dia, o Chefe de Overman diz que está muito satisfeito com seu trabalho. Overman desconfia que esta coincidência foi coisa de Murphy. E seu amigo Hardy apenas lhe diz: "Te vira magrão!!"

Quarta-feira (17/11/2004):
RH da Olimpo S/A finalmente responde dúvidas de Overman, o que o deixa mais confuso ainda. Overman pede para dar a resposta final só no dia seguinte.

Quinta-feira (18/11/2004):
Overman, mesmo sem muita convicção, decide aceitar a proposta da Olimpo S/A. Passa a manhã ligando para o RH da empresa, mas só consegue encontrar a recrutadora à tarde. Overman pede para acertar a data de inicio no dia seguinte pois só poderia falar com seu Chefe na sexta-feira.

Sexta-feira (19/11/2004):
Overman finalmente conta para o seu Chefe da proposta da Olimpo S/A. O Chefe oferece a Overman algumas compensações para convence-lo a permanecer na empresa. Overman promete pensar no assunto. O Chefe propõe a Overman uma reuniao com O Diretor, para pôr os pingos no i's. A reunião, e a decisão final de Overman, ficam para segunda-feira à tarde.

Segunda-feira (22/11/2004):
A emissora não enviou o resumo do capítulo.

terça-feira, 16 de novembro de 2004

2x2 eh candango!!
(ou 2x2 eh serviços gerais)

Como bom inútil, eu não sirvo pra grandes coisa. Pra nada, na verdade. Mesmo assim, na empresa onde trabalho sempre dão um jeito de fazer eu parar o que estou fazendo pra "apagar algum incêndio" que ninguém se habilita... Ora, se eu quisesse ser apagador de incêndio teria mandado meu currículo para o corpo de bombeiros.
Pois bem, como ia dizendo, sempre há algum bom motivo para que eu pare o q quer q estaja fazendo, desvie minha atenção, torre o meu saco, exploda a minha já não tão grande paciência fazendo alguma coisa ou pagando de palhaço pra alguém (vide meu post anterior).

Desta feita, estava eu correndo como um doido pra terminar a bosta que tenho pra fazer antes do dia 23 do corrente quando, não mais que de repente, chega meu chefe 2 (sim, eu tenho 3 chefes... tsk, tsk...) e me lança:
Chefe 2: - Precisamos instalar o equipamento despirocador de chavasqueamento no carro da empresa.
2x2 eh 4: - Aham, é bom ter ele rodando em teste.
Chefe 2: - Tu podes fazer isso?
2x2 eh 4: - Os testes? Claro, basta botar ele a rodar e...
Chefe 2: - Não, instalar ele no carro.
2x2 eh 4: - Eu?
Chefe 2: - Sim, pega um estagiário e vai lá.
2x2 eh 4: -Mas eu...
Chefe 2: - Aproveita e faz isso agora pq o carro tá aí e ninguém vai precisar dele hj...

Que beleza, não? Eu, um cara com o currículo que tenho (ok, ok, não é tão grandes coisa assim, mas 20 anos de estudo depois...) fui trabalhar de auto-elétrico!! E o melhor é que, mais uma vez, parei tudo que estava fazendo, E QUE SEREI COBRADO PELOS PRAZOS E RESULTADOS (embora tb ache q esteja fazendo coisas bastante abaixo da minha modesta capacidade), pra servir de pau-pra-toda-obra.
Concluí, deste evento, que meus dias de inútil legítimo estão muito mais próximos do que eu gostaria...

segunda-feira, 15 de novembro de 2004

Textos inúteis de volta

Depois de exercitar toda a minha paciência na merda do Ubbi, finalmente os textos inúteis ali do lado estão disponíveis de novo.

Só um aviso aos leitores mais recentes (todos os três): esses textos foram escritos nos primórdios da SIC e são ruins pra caralho.

Como se o resto do blog fosse bom...

domingo, 14 de novembro de 2004

A Entrevista no Olimpo

Bem, como havia anunciado, fui lá no Olimpo (a empresa maravilhosa da área de TI, onde todos trabalham em cima de nuvens saboreando delicias divinais servidas por ninfas semi-nuas que...tá, tá, fecha parentêses). Primeiro falei com a tia do RH, que me fez uma lavagem cerebral básica, me passando os quetais da empresa. Depois fiz uma entrevista com um tiozão gringo-canadense que tinha um sotaque que me fazia querer rir toda vez que ele falava.

Em suma e resumidamente, eis algumas impressões relevantes sobre a Olimpo S/A:

- O normal lá é o funcionário ser CLT, terceirizados são exceção. E não o contrário.
- A empresa tem um esquema altamente complexo de pontuação que pode turbinar o salário do cara com bonificações. Nunca tinha visto nada parecido.
- Ainda no esquema de pontuação, os funcionários são avaliados semestralmente.
- Toda empresa que se preze tem os seus "valores", que geralmente servem pra ficar bonito na página da empresa e quase sempre versam sobre a qualidade dos serviços e a satisfação do cliente. Pois a tia do RH me disse o seguinte sobre os valores da empresa: aqui valorizamos o capital humano. Inédito!
- "Aqui não existe competitividade interna". Mais uma frase da tia do RH.
- E lá veio a tia do RH de novo: "Não fazemos nenhum tipo de teste psicólogico ou psico-técnico para avaliação. Essas coisas não funcionam para profissionais da área de TI". Quase dei um beijo na tia do RH depois de ouvir essa, se ela não fosse mei baranga.
- Plano de sáude, vales transporte e refeição tem cobertura de 95% da empresa. Ou seja, são BENEFICIOS de verdade. Pra se ter uma ideia, eu tomo quase 200,00 de descontos em folha na minha empresa atual. Quase 70,00 só de plano de saúde.
- Toda vez que eu dizia pro tiu gringo que eu não tinha muita experiência em determinada tecnologia, ele só respondia: "no, no tein problema". Quase dei um beijo nele, mas ele não faz muito meu tipo.
- Curso de inglês na empresa com desconto. E certificações, adivinhem só? Isso mesmo. Eles te pagam tudo.

E chega. Agora vem a parte trágica. Estou torcendo, fazendo figa, rezando pra Santo Expedito e o cambau para que eles NÃO queiram me contratar.

Pausa para xingar o Overman.........


Ok. Explicando melhor agora: eu sou um homem estressado. Eu PRECISO de férias. E as minhas devem sair agora em Janeiro ou Fevereiro. Só que se eu trocar de emprego, vou ter que esperar no mínimo mais um ano até poder tirar férias de novo. Só que se a Olimpo S/A me chamar, me digam, caros 3 leitores desse blog, me digam com toda a sinceridade: O QUE EU FAÇO??????

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

O Olimpo

Uma empresa aqui das quadradezas é considerada uma espécie de paraíso, olimpo, meca, terra-prometida ou algo do genero pelos pobres e escravizados profissionais de TI.

Num texto antigo do Hardy, a "Entrevista Versão Heróica" (que devia estar no link ali do lado, mas eu juro que um dia eu ponho no nosso servidor de arquivos), nosso bravo companheiro de inutilidade narrou com detalhes fantásticos a sua visita a este lugar lendário, quando foi chamado para uma entrevista lá. E eu há muito tempo tenho tentado ir pra lá também, este lugar sem igual, onde deuses reunem-se em banquetes intermináveis regados a vinho e ambrosia, ao som de citáras tocadas por ninfas semi-nuas. Mas, somente alguns poucos escolhidos tem acesso. Pois bem, e não é que finalmente eu consigo marcar uma entrevista no Olimpo? Fui chamado a subir até os céus e ser recebido pelos deuses, deusas, ninfas semi-nuas sedentas de sex...Tá, tá, parei.

Na real, acho que não vai dar em nada. Mas como faz tempo que eu não faço uma entrevista, e não quero perder a prática, veremos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2004

Eu queria ter uma bomba... um "flit" paralisante qualquer...

É impressionante o nível de imbecilidade que o ser humano pode atingir. Começo a pensar que Darwin estava errado, pelo menos com relação à raça humana, pois, em minhas observações, só os imbecis sobrevivem...

Hoje chego à empresa onde troco meus dias inteiros por 10 euros, após merecidos 3 dias de repouso remunerado - propiciados graças ao trabalho escravo-eleitoral - e sou surpreendido pelo meu chefe com a notícia que devo juntar minhas coisas, limpar minha mesa e minha máquina pelas seguintes razões:
1) Minha máquina irá para "a moçoila" que entrou na empresa na mesma "seleção" que eu (ganhando o dobro), pois a dela está muito defasada para suas necessidades.
2) Um recém chegado "gerente da qualidade" (chamemo-no pela alcunha de "playmobil") contratou um estagiário e precisa de uma mesa para seu novo pupilo.

Como resultado prático dessa "ação gerencial estratégica" temos:
1) Fui pra outra sala, pra uma mesa menor e cheia de equipamentos de outras pessoas, os quais não posso retirar.
2) Tive que parar tudo o que estava fazendo e perder a manhã inteira salvando minhas coisas na rede E movendo (isso mesmo, fisicamente) a minha "nova" máquina e tb a "antiga" para "a moçoila".
3) Tive que perder toda a tarde remontando o "circo" de software que preciso pra trabalhar.
4) Fiz um super downgrade: de um P4 HT 2.8GHz com 512MB DDR 400MHz de RAM para um AMD1100 com 320MB DIMM 133MHz de RAM, que tem ainda a vantagem de travar a cada 40 minutos.

Como resultado pessoal dessa imbecilidade tamanho família Silva concluo:
1) Eu sou um inútil.
2) Embora seja um inútil, estou em 3 projetos ditos "carros chefe" da empresa, todos com prazo estourado por incompetência de outros imbecis. Obviamente cabe-me o papel de "inútil expiatório".
3) Como sou um inútil, sou a primeira opção para "fornecedor de mesas" e "downgrade de estações de trabalho".
4) Por ser um inútil, eu ganho metade do que ganha "a moçoila" e sou o que menos ganha no meu setor (menos até do que os imbecis que nem formação têm).
5) Cada vez mais se aproxima o dia no qual voltarei a ser um inútil de facto pois estou seriamente inclinado a solicitar minha exoneração.

Para finalizar, cito Rui Barbosa, que falou mais ou menos assim: "A imbecilidade humana, ao contrário da inteligência, não têm limites"