sábado, 12 de março de 2005

Frases de "(d)efeito"

Enquanto ainda estamos por aqui, quero compartilhar com vocês as imbecilidades que tenho de aguentar todos os dias.

Se a empresa em que a gente trabalha paga mal seus funcionários, é escolha de cada um ficar, ainda mais quando isto é evidente. Eu sei que ganho mal, quando encontrar uma empresa que pague melhor, vou embora, ponto. Para a empresa só resta se conformar e ficar bem quietinha, já que aumento eles não dão mesmo.

No entanto não é isso que eles fazem. Pior que pagar mal, é ficar "chorando miséria", ainda mais que todos sabem que é mentira. Explorar meu trabalho, ok, me tratar como demente, peralá!!!

Outra coisa irritante é tentar motivar pessoas que estão no limite da insatisfação com palavras tiradas de livros de auto-ajuda. Deve ser muito fácil para qualquer diretor dizer aquele monte de m$%*# quando se sabe que o nosso trabalho vai deixar ele bem mais rico.

Então, só pra registrar, minhas "favoritas":
1 - "No pain, no gain." - Não precisava dizer, eu sei que minha dor é teu ganho.
2 - "O que vale é a experiência." - Obrigado, mas prefiro minha parte em dinheiro.
3 - "Reconhecemos o teu valor para empresa, mas o momento é difícil blah blah" - Claro, eu espero chegar um momento melhor, não quero atrapalhar as férias no Caribe do chefe.

Chega, que tá me dando enjôo.

O sumiço da SIC

O último post têm o título "O Sumiço do Overman" ... Mas na real todos nós andamos meio sumidos.

Todos os 5 leitores deste humilde blog devem estar pensando que deixamos de ser inúteis, e agora estamos ocupados demais, dirigindo nossas Ferraris bêbados por aí, acompanhados de loiras esculturais, gastando nossos enormes salários de homens bem sucedidos.

Podem estar certos que não é bem assim. Pelo menos da minha parte, a inutilidade continua bem viva. Aliás, mais do que nunca eu diria.

Excesso de trabalho sem a devida recompensa é o próprio crachá de membro da SIC. Não serve como desculpa, no entanto. Porque vergonhosamente eu tenho que admitir que até tenho tido tempo para postar.

Falta de assunto seria um bom motivo para o sumiço, mas não serve também. Tenho assunto de sobra, daquele tipo que vocês acostumaram a ler aqui.

É obviamente má vontade mesmo. Este é um forte indício de que a SIC está com seus dias contados ... Acho que reclamar em público não está mais trazendo o alívio que nossas pobres almas inúteis precisam.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2005

O sumiço de Overman

Suas fãs estão postando comentários desesperados, a justiça e a ordem clamam por sua presença, a imprensa internacional especula sobre seu paradeiro, os indefesos inúteis oram por seu retorno...
O que teria acontecido ao nosso herói???
Será que a profecia de Laerte se concretizou??? Será que o terrível vilão "O Praga" venceu?? Tomara que não, para o bem dos frascos, inúteis e comprimidos!









domingo, 13 de fevereiro de 2005

Dica de vídeo SIC

A todos os leitores uma excelente dica de filme que traduz perfeitamente a vida de um inútil e que se assemelha muito com a situação dos fundadores da SIC, quando de sua criação.

FILME: Los Lunes al Sol (ESP, 2002, 113 min., diretor Fernando Leon de Aranoa)
Nome em português: Segunda-feira ao sol
Site oficial: http://www.loslunesalsol.com/
Premiado no Festival de Gramado de 2003, como melhor longa metragem latino, melhor diretor, prêmio da crítica e melhor ator.

Não percam!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005

Maré baixa...




Até as aranha já abandondaram esse blog...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

Pra amenizar, umas piadinhas

Certo dia numa empresa, a gerente de RH chegou na sala do gerente geral e disse:
- Estão aqui 600 currículos que chegaram para a vaga de Chefe do Almoxarifado.
O gerente geral olhou a pilha de currículos e lhe disse:
- Tire aleatoriamente 40 currículos para analisar e o resto pode jogar fora.
A gerente de RH, surpresa perguntou-lhe:
- Mas por que fazer isto, podem ter bons profissionais nestes 560 currículos que jogarei fora?
O gerente geral respondeu:
- O que a nossa empresa menos precisa são de pessoas azaradas.

Lula vai visitar um hospí­cio e é recepcionado por uma comissão de pacientes.
- Viva o Lula!
- Viva o Lula!
- Viva o Lula!
Gritavam eles, entusiasmados.
Ao ver um deles calado, um assessor do Lula perguntou:
- E você, por que não está gritando: “Viva o Lula”?
- Porque eu não sou louco, sou o médico!


Um sujeito chega ao setor de RH de uma grande empresa para uma entrevista de emprego. Após as devidas apresentações o entrevistador começa:
- Pois bem seu Inácio, aqui no seu currículo não consta onde o senhor se formou.
- Exatamente, é que eu não sou formado mesmo.
- Hum, entendo. Aqui também não diz se senhor domina algum idioma.
- Não falo nenhuma outra língua, na verdade nem mesmo o português eu sei direito.
- O senhor tem alguma experiência profissional na função que o senhor está pretendendo trabalhar?
- Não, nenhuma.
- Quando foi seu último emprego?
- Ih, faz tempo. Pra mais de 12 anos.
- Ah, entendi, então o senhor aproveitou este tempo parado para estudar, fazer cursos, se aperfeiçoar...
- Não. Fiquei sem fazer nada mesmo.
- Mas como o senhor se sustentou todo esse tempo?
- Fui sustentado por uns amigos.
- Sei, sei. Bom, veja bem senhor Inácio, infelizmente o senhor não preenche os requisitos para a vaga de subgerente que nós estamos oferecendo. Porém como eu simpatizei com o senhor vou lhe dar um outro cargo.
- Que bom. Qual cargo seria?
- O de "presidente da empresa". Parabéns seu Inácio, o senhor é o nosso mais novo presidente.
- Nesse caso, já me chame de chefe, companheiro, e me arrume um avião particular porque o que eu quero é viajar!


Não achou graça nenhuma? Não entendeu a piada? Brazileiro é tudo burro mesmo (eu incluído)!!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005

Constrangimentos do dia-a-dia

Como bom inútil cidadão da pátria amada idolatrada globalizada falida Brazil, destino cerca de 50% do pouco que recebo em troca de meus dias inteiros de trabalho ao fisco, das mais diversas e inimagináveis formas. Meu dever maior à pátrica é ser um perdulário - cultivar o total desapego aos bens materiais. E tome leão. E dale IPTU. Emenda com o IPVA. E aumenta o ICMS. E por aí vai...

Mesmo pagando caro para ser um dito cidadão de direito, sou submetido diariamente aos mais diversos tipos de constrangimento. E não posso revidar. Além de perdulário, como bom cidadão brazileiro, devo ser resignado. Ter sangue de barata. Ou, como diria jotacê, oferecer a outra face.
Abaixo seguem exemplos do que acontece e do que eu realmente gostaria de fazer nestas situações.

Indo ao trabalho
- Passando ao fundo, faz favor...
- Sobe e passa ao fundo, vamo passando, faz favor...
- Ô seu cego filho da puta, não dá pra ver que não cabe mais nem um átomo nessa merda?!?!?
De repente, pára tudo. Greve dos motoristas e cobradores. Bem na hora do rush.
- Todo mundo descendo porque o corredor tá trancado!
Todos descem e, tal qual fugindo de um tsunami, a massa corre pelas ruas para não ter o ponto cortado.
Junto vários pedregulhos na rua e começo a quebrar os malditos ônibus. Outros também fazem o mesmo e vários são depredados.

Parado no sinal, em qqer rua, a qqer hora do dia
Dois pivetes com mãos sebosas no vidro, com a cabeça piolhenta a dez centímetros da tua:
- Tio, dá um real?
- Não tenho.
- Pô tio, dá um real...
- Não tenho.
- Ô tio, dá um real pra eu ir ali comer.
- Não.
- Ô tio, cinquenta centavos...
- Não.
- Tio, me dá, tio, dez centavos!
- Não.
- Tiooo, me dá dez centavos, tio...
Puxo a .380 e dou um tiro na cabeça de cada um. Paro o carro no meio da avenida, vou até a calçada e esvazio os 13 restantes do pente no aglomerado que fuma tranquilamente à espera de seu "turno".

No congestionamento, provocado pela imbecilidade da autoridade de trânsito:
Abre uma brecha, sinalizo e tento avançar. Um motoqueiro tira uma lasca do carro.
- Biiiiiiiiiii. Ô seu filho da puta, não enxerga não, corno?!?!?
Passa outro, dá uma baúzada no meu espelho e completa com
- Ô seu merda, vai tomar no cú!!
Avanço por cima do primeiro, bato na moto e ele cai. Passo por cima. Saio com a .380 cuspindo fogo. Três tiros no outro e mais um no que está embaixo do carro. Volto calmamente ao volante com a consciência de ter feito minha parte evitado futuros congestionamentos e acidentes.

Com estes breves exemplos não pretendo defender a violência como solução de todos os problemas urbanos. Apenas de alguns.
Aos pacíficos leitores, minhas desculpas. É que fico irritado nessa época do ano, por causa daquelas siglazinhas que começam com I...

segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

A tia do cafezinho

Depois de um criterioso processo de recrutamento com entrevistas, testes e dinâmicas de grupo, uma grande empresa contratou um grupo de canibais para fazer parte de sua equipe.
"Agora vocês fazem parte de uma grande equipe" - disse o Diretor de RH, durante a cerimônia de boas vindas.
"Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa. Por exemplo, podem ir à lanchonete da empresa quando quiserem para comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados, por favor!"

Quatro semanas mais tarde, o chefe os chamou:
"Vocês estão trabalhando duro e eu estou satisfeito. Mas a mulher que serve o cafezinho desapareceu. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?"
Todos os canibais negaram com a cabeça. Depois que o chefe foi embora, o líder canibal pergunta a eles:
"Quem foi o idiota que comeu a mulher que servia o cafezinho?"
Um deles, timidamente, ergue a mão.
O líder prontamente retruca:
"Mas tu és um asno, mesmo! Nos estamos aqui, com essa tremenda oportunidade nas mãos. Estamos comendo gerentes há quatro semanas sem ninguém perceber nada. E poderíamos continuar ainda por um bom tempo. Mas não... Você tinha de estragar tudo e comer uma pessoa que faz falta!"

segunda-feira, 10 de janeiro de 2005

Incompetência ou azar?

Já de início vou elimiar a segunda alternativa porque, como bom ateu praticante, não acredito em mau olhado, espinhela caída, olho gordo, aura carregada, tranca-rua, espírito de porco, gnomos, elfos, duendes, outras entidades zombeteiras e coisinhas do gênero.
Tratemos então da primeira proposta: incompetência. Incompetência generalizada é o que tenho encontrado nas minhas andanças por este planeta. Incompetência institucionalizada. Incompetência total e irrestrita.

Pois bem, o caro leitor pode estar achando que estou exagerando, subestimando a competência alheia em prol, quiçá, de auto-promoção ou falta de modéstia. Não é o caso. Não falarei aqui das minhas atividades e realizações, apenas citarei breves exemplos REAIS que têm ocorrido comigo e com os que me são próximos, nos últimos tempos.

Exemplo 1 - Serviços de saúde

Esse é um exemplo clássico. Todos já presenciaram ou sabem de algum caso próximo de inépcia e/ou imperícia de profissionais (?) da área da saúde. Nos últimos tempos posso destacar:

  • Dentistas: por causa de um siso cariado, passei por quatro deles, até resolver o problema. Dentre vários erros, um queria extrair o dente, outro errou a avaliação e o canal já estava afetado pela cárie, outro errou a mira da anestesia ao fazer o tratamento do canal e fiquei temporariamente com voz de pato Donald, outro ainda fez a restauração mas o material utilizado quebrou em uma semana, tendo que refazê-la.

  • Atendimento de emergência: curiosamente, a mãe deste último dentista veio a falecer um dia depois de ser atendida e liberada numa emergência (eu cito nomes: Hospital Moinhos de Vento). Ainda não sabem do que ela morreu.

  • Médicos: um colega de ex-empresa teve tendinite (graças à incompetência dos responsáveis pela ergonomia da empresa os programadores não tem cadeiras com apoio de braço) e foi ao médico. Este prontamente lhe receitou um antiinflamatório extremamente agressivo ao estômago, tendo plena consciência da úlcera gástrica ativa que o paciente tinha. Resultado? Sangramento estomacal.

Exemplo 2 - Colegas de ex-empresa

Pedi demissão no início do mês passado e cumpri todo o aviso prévio sem dispensa. Ninguém foi contratado para meu espaço vago. Até aí tudo bem, afinal sou um inútil. O detalhe é que agora começaram a me ligar pra saber onde tá isso?, como ficou aquilo?, pra quem tu passou aquilo outro?... Ainda não atingi o nível de irritação suficiente para mandar alguém longe, mas tenho usado a tática da minha bateria está acabando!!! seguida pelo botão OFF do celular.

Exemplo 3 - Serviços de mecânica

Fui fazer um serviço de rotina no meu auto, de uma simplicidade absurda. Ficou um dia na oficina pra fazer o tal serviço. Mais um dia pra refazer a merda que fizeram. Mais uma manhã pra botar em ordem o que foi desarrumado pela merda ao quadrado que fizeram. Querem nomes? Brondani Auto Center, na Azenha, Porto Alegre - RS.

Exemplo 4 - Serviços fotográficos

Precisei de fotos 3x4 para documentos. Tirei as fotos e pedi urgência, mesmo assim só poderia buscá-las no final do dia seguinte. Chegando lá na hora determinada, não estavam prontas as fotos. Mais dois dias passaram e ainda não estão prontas.

Exemplo 5 - Serviços públicos

Decidi não citar este exemplo pois teria que usar mais texto do que contém a Enciclopédia Britânica. Mas, de forma brevíssima: descumprimento de prazos na entrega de documentos, cobrança indevida de multas em documentos já pagos, falta de assistência em serviços importantes, ausência de retorno em solicitações pendentes, etc.

Não pretendo também desenvolver teses sobre os porquês dessa incompetência institucionalizada, mas reservo-me o direito de um breve comentário. Na minha inútil opinião, os fatores determinantes da incompetência são (não respeitando nenhuma ordem, mesmo porque a ordenação desses fatores daria margem ao desenvolvimento de mais teses):

  • Baixo salário;

  • Falta de valorização das características profissionais individuais, ocasionando mau posicionamento na estrutura organizacional da empresa;

  • Falta de condições (ferramentas ou informações) adequadas de trabalho: como no item anterior, geralmente provocada por inépcia de chefes/gerentes;

  • Total falta de interesse pelo trabalho executado, sendo somente um ganha-pão-paga-contas;

  • Burrice: existem pessoas que mesmo com ótimos salários e com todas as ferramentas necessárias ao bom desenvolvimento de suas tarefas, não as fazem com qualidade por pura e simples burrice. Darwin explica;

  • Funcionários públicos: todas as anteriores (mesmo assim, continuo fazendo um concursinho aqui, um concursinho ali, quando aparecem... Afinal, quem não quer uma boquinha dessas?)

Se algum dos caríssimos leitores discordar ou quiser expor suas razões, por favor usem os comentários ou o e-mail da SIC. Somos eternamente gratos aos nossos milhares de leitors por suas opiniões sempre tão importantes e embasadas.
Se alguém ainda acreditar somente na segunda proposta do título deste post, pode mandar o endereço de alguma benzedeira forte.

domingo, 9 de janeiro de 2005

Almanacão de Férias da SIC

Que tal aproveitar o periodo de ócio para pôr as historinhas bizarras em dia? Pois então, eis uma que me aconteceu. Acho que eu já tinha feito um comentário aqui a respeito, mas o desfecho eu não contei.

Foi uma vez que um cara estragou boa parte de um projeto que estavamos desenvolvendo quando resolveu terminar o serviço em casa, de madrugada. E o legal é que o cara não viria trabalhar na manhã seguinte. O fantasma da minha guia-mestra-guru Judith Meir apareceu para mim naquele dia, me lembrando que não se deve levar trabalho para casa. Mas, infelizmente, só eu vejo fantasmas, como vocês constataram no conto de natal. Bom, eu e uma outra colega batemos cabeça a manhã inteira para desentortar o sistema, que tinha de estar 100% até o meio-dia. Conseguimos limpar a casa em cima da hora. E óbvio, depois eu nem pude dar um esporro no cara pelo que ele fez, porque ele é "sensível" e é um dos queridinhos da empresa.

Tudo muito bom, tudo muito bem, e o tempo passou. Então, dia desses, o meu querido colega estava contando a história acima para outro cara. E eu liguei as anteninhas para ouvir a versão dele:

- Bah, aquela vez eu fui mexer no XXX em casa de madrugada, daí o Overman e a Fulana foram testar de manhã e tava tudo errado. Eu devia estar totalmente grogue na hora, iac, iac, iac (<- risada do Pateta).

Será que ele ia ter um surto de humildade? Era pedir muito. Ele continuou:

- Mas aí eles conseguiram reverter para a versão anterior e então EU cheguei depois e arrumei tudo.

Coisa querida o cidadão, não?

Ok, a historinha não foi grande coisa. Mas aguardem, em breve sairão os incríveis Passatempos do Almanacão de Férias da SIC:

- Jogo dos 7 erros: descubra as diferenças entre dois curriculos quase iguais, mas com salários diferentes;
- Labirinto: ajude o consultor de RH a sair do labirinto. E afundar no poço sem fundo;
- Decifre o código: tente decifrar os e-mails da diretoria da empresa;
- Colorir: pinte a cara do seu chefe de rosa-choque.


Tá, acho que vou tentar pegar uma praia...

Relatório das férias

Quase uma semana de férias e acho que vou sobreviver. O único incoveniente é a temperatura. Será que eu não podia ter dado mais azar do que escolher o período mais quente do ano para tirar férias? No momento em que eu digito estas palavras uma "lua" de, sei lá, uns 400º queima lá fora. Vou ter que economizar no post inclusive, senão eu desidrato. E nem pensem em me mandar para alguma praia, pois eu odeio este habitat natural dos seres apreciadores de farofa.

Mas tudo bem, não estou reclamando. Ainda. Férias no verão é isso mesmo: minisaias, sorvete de morango, calorão de janeiro, decotes, ventilador ligado o dia inteiro, mais minisaias, sessão de férias na t.v., reprise do Jô Soares, Almanacão de Férias da Mônica, etc. Aliás, por falar em Almanacão, acho que tive uma idéia...

domingo, 2 de janeiro de 2005

Como ganhar todas

Cansado de perder todas as discussões com o seu chefe ou com colegas incompetentes? Cansado de ficar mostrando as coisas óbvias e verdadeiras como argumento e mesmo assim sempre perder a parada? Pois seus problemas se acabaram-se!!

Roubado do NoMimino:

Algumas regras para vencer discussões:

1. Convença o público, não seu oponente
2. Insira a teoria de seu oponente numa categoria odiosa qualquer.
3. Escolha metáforas favoráveis à sua posição.

No total, são 38 truques listados em 'A arte de estar sempre certo' de Arthur Schopenhauer. A conclusão, naturalmente, é que discussões raramente tem a ver com chegar à verdade; seu objetivo é a vitória.


Compre aqui o livro, em português. Um trecho da resenha da Livraria Cultura:

Arthur Schopenhauer (1788-1860) deixou inconcluso este livro breve e perturbador com que desmascara os esquemas da argumentação maliciosa e falsa. Por mais de um século a 'Dialética Erística' ficou praticamente ignorada, até que o renascimento dos estudos sobre retórica e persuasão viesse tirá-la do esquecimento, mostrando seu potencial explosivo.

Para os iletrados, Schopenhauer não é nenhum escritor de livros de auto-ajuda. É "apenas" um dos maiores filosofos da história, influente até hoje.

Como eu sempre digo, carisma e boa retórica são o melhor disfarce para a incompetência.

Enfim, férias

Então meus caros inúteis, já contei pra vocês que em janeiro eu entro em férias? Já? Pois é. Janeiro tá aí e amanhã (segunda-feira) começam oficialmente as primeiras férias remuneradas da minha vida. Vinte dias coçando. Até que é interessante isso, afinal, os caras te pagam pra não fazer nada. Apesar que os funcionários públicos fazem isso o ano inteiro, mas enfim.

Mas como bom inútil, não vou viajar nem nada, fora aquela visita tradicional à casa da mãe, antes que ela esqueça da minha cara. O bom inútil aproveita as férias para fazer aquelas coisas que ele não consegue fazer enquanto está trabalhando, como a faxina na casa, pôr a leitura em dia, dormir, tomar banho, etc. Ou homologar a dissertação de mestrado, que é mais o meu caso. Também espero não sentir falta do trabalho, senão eu saio das férias direto para um hospício.

Então é isso. Tentarei postar mais seguido durante o período de coçamento de saco. Ou não.

sábado, 1 de janeiro de 2005

Mais um texto inútil

Para quem interessar possa, juntei as partes do conto de natal num arquivo só. Tá ali do lado, nos "Textos Inúteis".

segunda-feira, 27 de dezembro de 2004

Um Dia de Calma

Todo dia o estimado colega que senta na minha frente passa duas horas no telefone. Não, ele não fica falando com clientes. Ele fica fazendo ligações pessoais. Eu devo conhecer toda a vida pessoal do cidadão. Hoje ele está conversando com não-sei-quem sobre a sua atribulada vida amorosa. Um dia eu vou chegar na empresa com um bastão de beisebol. Vou quebrar o telefone do meu colega. O celular dele, eu enfio no rabo dele (e tiro uma foto lá de dentro). Em seguida eu vou cortar a língua dele com uma tesoura de jardineiro. Então vou sentar no meu lugar e trabalhar sossegadamente, aproveitando o silêncio...

Como vocês podem ver, voltei bem mais relaxado do Natal.

Nota Mental: comprar um cd-player portátil...

domingo, 26 de dezembro de 2004

Maré...

Depois de ter 5 dentes cariados, uma cirurgia no siso, um acidente de trânsito que me deixou 5 dias com colar cervical, duas caixas de antiinflamatório, duas caixas de tarja-preta, não ter o carro aceito pra conserto por nenhuma oficina, dar o carro a preço de banana pruma seguradora, estar há um mês e uma semana a pé, ter uma infecção intestinal, derrubar a chave de casa no fosso do elevador, pedir demissão da bosta de emprego, cumprir um mês de aviso prévio, ter uma infecção de pele por fungos e uma tendinite na destra, tudo isso nos últimos 45 dias do ano, finalmente se aproxima o ano novo...
E, se deus ou o satanás quiserem, espero que o tsunami (tal qual o da Indonésia, ontem) passe, levando consigo seus mortos e feridos, deixando pra nóis, pobres manos inúteis, algo que preste pra 2005.
Em uníssono: AMÉM!!!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2004

Algumas coisas

1 - Depois da festa de confraternização, onde enchemos a cara até cair, este respeitavel blog entrará em recesso. Mas não por muito tempo.

2 - O nosso salvador, aquele a que esperamos a chegada todo mês de dezembro, já deu as caras. O 13º, óbvio.

3 - Por onde anda 2x2eh4?

O verdadeiro conto de Natal

Um Conto de Natal (A Christmas Carol) - Charles Dickens - 1843

- Versão em português

- Versão original em inglês

Filmes:

- Os Fantasmas se Divertem (Scrooged) - Com Bill Murray - 1988

- Adorável Avarento (Scrooge) - Musical - 1970

Pronto. Agora o fantasma do Charles Dickens não vem mais puxar meu pé de noite por eu ter esculhambado a história dele.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

Conto de Natal da SIC - Parte Final

(Uhú! Acabei essa merda! Leio as outras partes nos posts anteriores)

Entrou no apartamento esbaforido. Atirou-se no sofá e ficou pensando porque, afinal, aquilo tudo tinha que estar acontecendo logo com ele. Como se ele, um reles inútil, tivesse alguma importância. E o que eram esses fantasmas-estereótipos? Como seria o próximo? Um nerd? Um cientista maluco? Um chefe-arara? Levantou e foi na cozinha preparar mais uma dose de cuba. Já que provavelmente não ia ter como fugir do fantasma, então o melhor era enfrentar a situação preparado.

Quando voltou, de copo na mão, reparou que já eram mais de onze horas da noite. Talvez o próximo fantasma nem viesse. Quem sabe? Mas o seu otimismo foi embora quando ouviu um ruído conhecido atrás de si. Era aquela barulheira insuportável de quando o fax-modem do computador se conecta com a Internet. O único problema era que o seu computador estava desligado.

Já imaginando o que ia acontecer, Overman derrubou todo o conteúdo do copo goela abaixo. Olhou para o seu velho computador de guerra e viu que uma luz avermelhada estava sendo projetada pelo monitor. Um segundo depois, no lugar aonde o facho de luz apontava, surgiu uma estranha criatura. Não tinha rosto, era apenas uma longa capa escura tapando um corpo, ou seja lá o que tinha ali embaixo. Overman não se abala diante da figura, e já sob efeito da última dose, tenta iniciar um diálogo:

- Nossa. Gostei dos efeitos especiais. Com esse aditivo aqui então – aponta para o copo vazio – ficou melhor ainda.
- ...
- Tu não fala não?
- ...
- Ah, entendi. O espírito dos natais futuros não fala, claro. Afinal, o futuro não aconteceu ainda. Né, não?
- ...
- Mas me diz, chefia, o que exatamente tu é? Um Nazgûl? O Darth Vader? Um dementador? O Mancha-Negra?
-...
- Hehehe. Legal isso. Posso perguntar qualquer coisa e tu não reage. Que time é teu?
- ...
- Tá, e então? De que forma irônica iremos ver o futuro?

O fantasma lentamente levanta o braço e aponta para a tela do computador.

- Nesse monitorzinho de 14 polegadas? Mas que sem graça...

A criatura balança a cabeça, em negativa. Neste instante a luz avermelhada começa a ser projetada novamente, mas desta vez em todas as direções e com mais intensidade, cegando Overman por alguns segundos. Quando ele pôde enxergar novamente, não estava mais no seu apartamento. Ele e o fantasma voavam numa velocidade absurda dentro de alguma espécie de rede de túneis high-tech. À volta deles passava todo tipo de imagem, som, luz e movimento, num caos enlouquecedor. Logo Overman percebeu onde estavam.
- Caralho!! Isso aqui é a Internet?? Mas essa não pode ser a minha conexão discada. Ela não seria tão rápida assim.

Terminou esta frase e foi atingido na cara por um objeto estranho e pegajoso. Desgrudou aquela coisa mal-cheirosa e examinou com as mãos.

- Que isso? Tem um negócio escrito aqui. “Enlarge your penis”. Merda! Fui atingido por um spam!!

Nesse momento de distração ele não percebeu que o túnel o qual viajavam terminou. Ele e o fantasma caíram dentro de uma grande sala. Overman, depois de se recuperar do tombo, olhou em volta e viu que a sala não tinha janelas. Na sua frente, havia uma espécie de púlpito com um metro de altura. Não havia ninguém além deles na sala.

- Tá, seu Mancha. E agora?
- ...
- Imaginei.

Foi quando surgiu um homem de uma porta à esquerda, que vinha caminhando apressado e xingando um outro, que vinha mais atrás.

- Vamos com isso Dante! Rápido que tem mais dois inúteis pra despachar hoje.

Dante carregava com dificuldade uma grande caixa de papelão. O outro homem dirigiu-se para a parede rente ao púlpito. Abriu um painel que havia escondido ali e pressionou uma seqüência de botões. Feito isso, o teto do púlpito se abriu e lá de dentro surgiu um grande caixão preto.

- Vai Dante. Abre isso daí e despeja ali no incinerador.

Dante, atrapalhado, abriu uma outra portinhola, que ficava na lateral do púlpito. Depois, abriu a caixa de papelão e começou a despejar o seu conteúdo lá dentro. Eram várias folhas esverdeadas, de tamanho mediano. Overman, que até então tinha observado tudo impassível, e percebendo que os dois homens não podiam ver nem ele nem o fantasma, aproximou-se da caixa de Dante e retirou uma daquelas folhas de dentro, antes que fosse para o incinerador também. Olhou para ela e levou um susto. Decidiu verificar outra folha também. Mesma reação. Olhou outra e outra e outra. Ficou em pânico e correu para o fantasma.

- Isso aqui, mas ali...Aquilo...Aquela caixa...
- ...
- São contra-cheques! Meus!! Tem trinta e cindo anos de contra-cheques ali!! O que significa isso??

Dante, como se tivesse ouvido Overman, dirige a palavra para o outro homem:

- Não vem ninguém não?
- Não – responde o outro – não tem ninguém.
- E esses contra-cheques? Porque vão ser usados pra isso?
- Pedido do próprio cara. Ele não deixou mais nada mesmo.
- Credo. Devia gostar de um sarcasmo, o cara.

O homem acionou mais uns botões no painel e o caixão começou a baixar lentamente. Uma música fúnebre começou a tocar. Em seguida, os dois funcionários da funerária foram embora. Mas podia-se ouvir o inconfundível ruído das chamas vindo de dentro do incinerador. Foi o suficiente para Overman recobrar a indignação com os fantasmas natalinos.

- Então seu fantasma, era isso que o senhor queria me mostrar? Que eu vou morrer velho e sozinho e, ainda por cima, tostado nos meus próprios contra-cheques??
- ...
- Quer dizer então que eu vou trabalhar a vinda inteira, encher o rabo de dinheiro, mas não vou ter mais nada? Minha vida vai ser meu trabalho? Não vou construir nada, não vou realizar nada, não vou inventar nada, nem vou salvar a humanidade. Projetos pessoais, realização pessoal, nada? Não vou escrever um livro, não vou plantar uma árvore nem vou ter um filho? Mas em compensação, vou ser sempre um funcionário exemplar??
- ...

A música fúnebre ficava mais alta, mas não era suficiente para abafar o barulho das chamas.

- E ainda por cima vou ser enterrado numa VÉSPERA DE NATAL???
- ...
- Fala alguma coisa, criatura imprestável!!

Tomado pela raiva, Overman arranca a capa do fantasma, mas no lugar de ver algum tipo de corpo por baixo, ele recebe um clarão daquela luz avermelhada nos olhos e perde novamente a visão.

Quando volta a enxergar, já não está mais no crematório. Ou melhor, está, mas não exatamente. Overman está agora dentro do caixão. O calor é intenso e algumas chamas começam a romper a madeira. Overman, ao perceber que aquele deveria ser o seu momento final, buscou dentro de si aquela que seria a sua última frase, e que deveria expressar, da melhor maneira possível, todo o seu sentimento diante de tudo aquilo:

- PUTAAAA QUE O PARIUUUU!!!!!!!!!!

***

Acordou. Estava deitado no sofá do seu apartamento. O copo de cuba estava firme na sua mão ainda. Sentiu a cabeça doer e rodopiar. Lá fora se ouviam fogos de artifício, pois já era meio-noite do dia de Natal. Sentou-se e respirou fundo. Largou o copo no chão. Um minuto depois, tocou o telefone. Levantou-se e atendeu.

- Alô... Mãe??...Ah é, feliz Natal.

FIM.

(Fim?)

terça-feira, 21 de dezembro de 2004

Conto de Natal da SIC - Parte III

(A saga de auto-piedade natalina continua. Leia o início da história nos posts anteriores)

Overman chamou o elevador. Enquanto esperava, não tirava os olhos do corredor, com medo de que a velhinha reaparecesse, para decerto mostrar mais algum daqueles natais passados. Como aquele em que ele foi na festa de confraternização da firma do pai, e ficou com medo do Papai Noel.

Chega o elevador e Overman entra desatinado, mal reparando na figura do ascensorista sentado no canto. Mas este em seguida se faz notar.

- Ae mano. Pra onde?

Overman estava ainda tentando racionalizar tudo o que tinha acontecido até agora, por isso a resposta saiu quase automática:

- Térreo.

Quando o elevador começa a descer é que Overman finalmente tem um estalo do que está acontecendo ali.

- Êpaaaa!!!! Desde quando esse prédio xinfrim tem ascensorista?? Não vai me dizer que...
- É nóis, mano. Tá ligado nas parada dos natal presente aí?

Overman bate com a mão espalmada na própria cara.

- Não, não pode ser. O fantasma do Natal presente é um "mano". Não me falta mais nada...
- Ae mano, respeito, tá ligado? Vamu chega numas parada de Natal de umas pinta aí.

Overman choraminga, mas fica em silêncio depois, protestar não ia adiantar mesmo. Assim que o elevador parasse ele dava no pé dali. Mas o elevador parecia ter descido muito mais do que os três andares que antes o separava do térreo. E descia cada vez mais rápido, ao ponto de Overman quase cair no piso. Até que parou. Tão bruscamente que ele teve a sensação de que ia ser esmagado contra o teto. Perdeu o equilíbrio com essa movimentação toda e se estatelou de vez no chão. O fantasma permanecia imóvel. Até que a porta abriu.

O plano de Overman de sair correndo alucinadamente dali direto para um hospício foi frustrado. No lugar do corredor do térreo do seu prédio o elevador parecia ter ido parar na sala de jantar de alguma casa, que Overman nunca tinha visto na vida. A sala estava apinhada de gente com roupas de festa conversando alegremente. Decoração natalina, comida sendo servida, enfim, a típica ceia natalina de propaganda de peru de Natal. Até que uma figura conhecida de Overman adentrou na sala.

- Aquele cara ali, eu conheço, é aquele incompetente puxa-sacos filha-da-mãe que trabalha comigo. E que ganha mais do que eu, óbvio.
-Cerrto mano. Preistenção.

A ceia rolava alegremente, e o colega de Overman distribuía sorrisos para todos os lados. Cumprimentava e era cumprimentado, comia, bebia, ria, se divertia. Overman, apenas cruzou os braços e olhou para o ascensorista-fantasma.

- Humpf. Qual o próximo andar?
- Opa, demorô.

A porta fechou e o elevador desceu mais ainda. Quando abriu a porta de novo, a cena era semelhante a anterior. Apenas o lugar e as pessoas mudaram. Em seguida Overman reconheceu seu chefe no meio das pessoas, posando para uma foto, com uma taça de champagne na mão. Overman não esperou muito desta vez.

- Próximo andar, por favor!!
- Tô ligado.

Dessa vez o elevador parou num lugar conhecido. E as pessoas também eram conhecidas. Era a sua família, ou o que restou dela, preparando a ceia de Natal. Sem ele, óbvio, que estava em outra cidade. O clima não era lá essas coisas. Parecia mais um velório do que uma véspera de Natal naquele lugar. Dessa vez Overman não foi agressivo com o ascensorista, apenas pediu calmamente:

- Mano, me leva de volta.
- É nóis.

Mas enquanto o elevador subia, Overman aproveitou para despejar a sua indignação em cima do fantasma.

- Então vem cá. Me diz um negócio. Isso tudo foi pra mim ver que esses caras que eu chamo de incompetentes, puxa-sacos, baba-ovos e coisas do gênero, esses seres que eu considero desprezíveis, desqualificados e sem moral, essas pessoas amorfas e descerebradas que trabalham comigo e que faço questão, sempre que posso, de diminuí-los, achincalhá-los, desprezá-los, cuspir na cara e fazer gozação deles no blog, esses caras na verdade tão cagando pra tudo que eu digo de mal deles? A minha indignação pela tem importância zero?
- Firrmeza.
- Eles tem a vida deles, a família deles, as namoradas, os carrinhos, os celulares que tiram foto e que por mais que eu me ache muito mais profissional e qualificado que todos eles juntos isso não faz a menor diferença!! E eu sou um inútil completo que não tem vida fora do trabalho e que quando chega a merda do Natal eles ficam lá ganhando tapinhas nas costas dos cunhadinhos advogados e eu fico enchendo a cara de cuba??
- É o 'squema mano.
- Puta que pariu.

A porta do elevador abre novamente. Desta vez, de volta ao terceiro andar do bom e velho prédio onde Overman mora. Ele sai em disparada em direção ao seu apartamento, sendo que o fantasma só teve tempo de dizer uma última frase:

- Ô mano, não rola uma "caixinha" pra nóis aqui não?? Ô...

Mas Overman já ia longe.

(Amanhã o grand finale...)