sexta-feira, 30 de abril de 2010

Geradores infinitos de conhecimento inútil

Eu já devo ter mencionado por aqui que eu odeio invencionices, nacionalizacão de termos de outras línguas, distorção dos significados tradicionais das palavras e, sobretudo, acrônimos. Todavia, no mundo atual moderno contemporâneo, pós-internet em que vivemos podemos perceber, em todas as áreas do conhecimento, o crescente e irracional desejo por "novidade", por "metodologia", enfim, por produção de "conhecimento".
Inútil como sou, consigo reconhecer muito bem inutilidades em geral e, exemplificando, seguem algumas imbecilidades "mudéunas" da minha área de conhecimento:

Acrônimos
Não há, no universo conhecido, sequer uma viva alma da área de tecnologia que nunca usou um acrônimo. Embora às vezes úteis para encurtar uma explicação quando se tem consciência de que os envolvidos estão familiarizados com a terminologia, não deveriam ser usados em excesso, muito menos com único propósito de complicar, confundir ou "fazer boiar" o interlocutor em questão. Alguns exemplos:
- J* (JSP, JEE, JME, JRE, JFC, JNDI, JINI, JSON, JSF, JPA, JAXP, JAIN, JCVM, JCL, ...): O JAVA, linguagem de programação da moda, que serve para resolver todos os problemas existentes e futuros do universo, tem tantas siglas quanto expoentes gênios especialistas. Tanto uns como os outros servem exatamente para a mesma coisa: NADA, ou, digamos, criar (pseudo-)conhecimento para (pseudo-)"agregar valor" a uma enorme gama de (pseudo-)tecnologias que são, no fim das contas, vários jeitos de usar um mero C++ for dummies.
- *.net (ASP.NET, C.NET, OO.NET, VB.NET, ...): Exatamente como descrito acima, sem tirar nem por.
- *ML (XML, XAML, HTML, DHTML, PHTML, XHTML, MXTML, ...): Todo esse monte de nomes esquisitos servem, em última análise, apenas a um único propósito (mas bem disfarçado como muitas coisas completamente diferentes): criar estruturas para páginas web.
- *PM* e similares (ou seja, qualquer coisa que contenha "project", "management", "business", "intelligence", "administration", "knowledge", etc.): Os gurus da gerência de projetos tem orgasmos múltiplos com siglas, principalmente as maiores (uuuuiuuuuiuuui, como era graaande aquele acrônimo) e mais obscuras. Se acham seres humanos superiores e sua principal característica é a capacidade de gozar apenas pelo fato de citar algo que a escumalha não consegue entender (pelo menos não de imediato). Desejo do fundo do meu negro coraçãozinho que comecem a cruzar somente entre eles e que a evolução faça sua parte, levando-os à extinção.
- abertura e fechamento inúteis de comunicados inúteis, como PSC, RSVP, BR, TS, FYI, ATT, SDS, N-R,  THX, TIA, ASAP, TTYL, BFN, ...

Neologismos/estrangeirismos
Todo imbecil inútil pseudo-qualquer coisa que se preze não pode se expressar na sua própria língua, ou em nenhuma única língua qualquer, sem enfiar um ou outro. Como eles próprios, em geral, nem sabem o que isso significa, o estrangeirismo é uma das vertentes do embromation, na qual se criam palavras mal traduzidas para dizer coisas que poderiam perfeitamente ser expressas ou na língua original ou na que está dominando a conversa, enquanto o neologismo é a arte inútil de criar ou distorcer significados de termos para identificar ou relacionar certas coisas com pessoas ou outras coisas. Os exemplos, aqui no país dos macaquitos, obviamente são de palavras em inglês abrazzzileirado ou relacionadas à novidades vindas de lá, e vão junto com a explicação perfeitamente clara no velho e bom português: "debugar" (depurar), "mergear" (combinar), "upar" (enviar), "sharear" (compartilhar), "pêemebokado" (seguindo as regras do tal), "isopadronizado" (idem), "scanear" (digitalizar... ahm, um neologismo explicado com outro...), "pontocom" (sem comentários), "postar" (como blog não é correio, eu traduzo como publicar), "blogar" (publicar suas opiniões escritas no tal serviço), "webinário" (seminário com transmissão na rede mundial), "teleconf" (reunião com participantes remotos no viva-voz), "pagear" (enviar uma mensagem), "bipar" (enviar um aviso), "pingar" (idem), "eventualmente" (aquele com significado traduzido errado do termo em inglês, que lá significa "futuramente" enquanto o nosso seria "ás vezes"), "googlear" (fazer uma pesquisa usando tal mecanismo de busca), "tuitar" (escrever um textículo no tal serviço), "customizar" (personalizar, adaptar), "bê-dois-bê" ou "bítchûbí" (de uma empresa a outra), "startar" (inicar), "interfacear" (algo como conectar, mas isso pode significar tanta coisa...).

segunda-feira, 29 de março de 2010

Tamanha hipocrisia


Fui a uma loja comprar uma máquina de lavar e secar roupa. Claro que antes de qualquer decisão sobre qual adquirir, realizei uma pesquisa violenta na internet, onde notei que há poucos modelos que integram a função de secagem num mesmo aparelho. Então lá estava eu na primeira loja para fazer as cotações, em uma das mãos o modelo da máquina que eu queria, a minha frente o vendedor enlouquecido me dizendo que poderia realizar o pagamento em até 15x, quando comentei em pagar à vista ele me alegou que não valeria à pena e que não seria interessante eu realizar o pagamento daquela forma, obviamente este gentil vendedor sabe de minha situação financeira e só queria me ajudar. Então me desloquei para a segunda loja, onde realmente desisti de qualquer tipo de busca por cotação devido ao fato de eu ficar parado em frente a lavadora por longos intermináveis 10 minutos sem que nenhum vendedor me perguntasse se eu estava no lugar certo!! Ok, não desisti tão rápido assim, decidi passar em uma última loja a caminho de casa, para minha surpresa fui bem atendido, tudo correu bem, até a compra já estava em vias de ser efetivada quando o rapaz me diz que será acrescido 3% ao valor da máquina por que o pagamento será realizado através do cartão de crédito, disse a ele que eu faria em 1X no cartão, o mesmo me alegou que a operadora do cartão cobrava dele esta quantia, resumindo fui para casa sem comprar nada e pensando até quando quem paga a conta é o consumidor.
Ao cair da noite decidi ir jantar no shopping, lá chegando entrei na primeira loja que eu vi, peguei um vendedor pelo braço e disse que queria a máquina modelo tal e queria pagar de tal forma... Nunca tinha sido tão bem atendido, pronto, descobri a fórmula de como se realizar uma compra.
Passado cinco dias numa bonita manhã tocaram a companhia de casa, era os instaladores da tão sonhada máquina de lavar e secar, fui abrir a porta sorridente e feliz. Após 10 minutos de análise da nota fiscal e do local onde seria instalada, o dito técnico da LG me olha e dispara a máxima “Essa tomada onde iremos ligar a máquina, a LG não dá garantia”, pronto, tava formado o circo! Gostaria de salientar que um dia antes da chegada dos engenheiros super ultra técnicos da LG eu havia feito a instalação de uma tomada nova, para quem ainda não sabe da novidade, não é mais fabricado as tomadas convencionais e sim somente uma que possui uma furação diferente da usual e que não serve em nenhum equipamento eletroeletrônico já existente, sendo assim o consumidor é obrigado a comprar um “adaptador” que transforma a nova em antiga, mas só um minuto, por que é permitido fabricar um adaptador e a tomada não??? Em suma, tivemos que arrancar a tomada que eu havia colocado nova e instalar uma tomada da LG, para minha surpresa era uma tomada nova das antigas, perguntei ao super ultra hiper... técnico da LG onde ele havia conseguido a tal tomada, ele simplesmente me disse que o seu “chefe” tinha uma maneira de conseguir essas tomadas.
Um grande amigo meu diz a seguinte frase “tem que puxar o bigode do gato” ou a que estou mais acostumado é “achar uma teta para mamar”, o meu filho recém nascido já pegou a dele!

sexta-feira, 26 de março de 2010

Indicadores de progresso vs. indicadores de atraso

Embora neste nosso Brazzzil varonil, enquanto Estado terceiro mundista, os institutos de pesquisas só estejam preocupados com dados estatísticos que classifico como "indicadores de atraso" (ex. quantas % das crianças no primário, quantos % da população tem esgoto, quantos estão inscritos em programas sociais, etc.), a observação de outros países nos mostra que há outras estatísticas com as quais um dito governo soberano que objetiva o desenvolvimento nacional deveria se importar.
Tudo bem, eu sei que sou apenas um inútil, um membro de uma casta culturalmente superior em meio às hordas de burraldos, ignorantes, ingênuos e deslumbrados macaquitos mas, nem que fosse uma vez na vida, gostaria de ver algum de nossos expoentes intelectuais defendendo uma pesquisa profunda sobre as reais capacidades inexploradas dessa casta. Uma pesquisa que tabule "indicadores de progresso" e permita medir efetivamente o potencial de desenvolvimento não aproveitado e antever as capacidades dessa "elite pensante", cujos resultados possam ser transformados em ações práticas e reais e que, talvez um dia, culminassem com nossa elevação, enquanto nação, ao seleto grupo dos tais de "primeiro mundo".
 Exemplificando, como de costume, elenco apenas algumas das tais perguntas que constariam da minha "pesquisa dos indicadores de progresso":

A) Indicadores de progresso pessoal/profissional

  • Você participou de algum programa de orientação vocacional em sua educação fundamental ou secundária?
  • Você acredita, hoje, estar seguindo sua carreira de vocação?
  • Você desistiu em algum ponto de sua formação acadêmica por sentir a falta de objetivo prático?
  • Você já registrou formalmente algum invento ou idéia?
  • Você já atuou em algum projeto de pesquisa científica? Quantos deles com resultado tecnológico prático? Quantos com resultado teórico? Quantos foram encerrados sem atingir objetivo real?
  • Você já começou um negócio próprio? Deu certo? Em quanto tempo veio o ROI? Faliu? Desistiu antes de falir? Quanto tempo levou até encerrar definitivamente seu empreendimento? Tentou novamente em outra área? Deu certo? Em quanto tempo veio o ROI? Faliu? Desistiu antes de falir? Quanto tempo levou até encerrar definitivamente seu empreendimento? [repetir  as perguntas tantas vezes quantas tenha empreendido]
  • Você empreendeu na sua área de educação formal? Ou de vocação?
  • Quantas vezes na sua carreira profissional esteve desempregado? Quantas vezes foi demitido sem justa causa?
  • Quantas vezes trocou de emprego unicamente por questão salarial?
  • Quantas línguas você fala?
  • Quantas vezes viajou a trabalho para fora do país, conhecendo outras realidades?
  • Quantas vezes viajou para estudo/treinamento para fora do país?
B) Indicadores de progresso do sistema burocrático
  • Em quantas ocasiões a burocracia o impediu de atingir um objetivo positivo?
  • Quantas vezes você tentou uma oportunidade de trabalho fora de seu país? Destas, quantas vezes foi preterido por entraves legais?
  • Quantas vezes foi empregado de multinacionais originárias do estrangeiro? E quantas de multinacionais originadas no Brazzzil?
  • Quantas vezes tentou entrar em contato com algum parlamentar (vereador, deputados)? Quantas conseguiu?
  • Quantas vezes teve de ir a uma repartição pública tratar de um mesmo assunto?
  • Quantas vezes sonegou algum imposto?
C) Indicadores de progresso financeiro
  • Quantos % da sua jornada diária de trabalho você realiza tarefas estranhas à sua função principal?
  • Quantos % da sua jornada diária de trabalho você tem para se dedicar à idéias/inovação?
  • Quanto custa sua posição de trabalho para a empresa? Quantos % disto você efetivamente recebe como salário líquido? Quantos % disto o governo leva antes de chegar à sua mão?
  • Quantos % sobre seu custo a organização lucra com seu trabalho?
  • Se empreendedor, quanto custa seu trabalho em sua própria empresa? Quantos % disto você efetivamente tira como dividendos líquidos?
  • Você conhece dados financeiros como estes sobre outros países? Quais?
  • Você entende como funciona o sistema financeiro, ou pelo menos parte dele?
Embora pareçam inúteis, desconexas ou utópicas, as respostas a tais questões poderiam oferecer indicadores diferenciados do que temos hoje como resultado das atuais pesquisas. No pior caso, pelo menos indicaria o nível de desconhecimento, burrice ou ingenuidade da "elite pensante".
E quem me dera nossos eminentes coronéis soubessem dos tantos e geniais talentos, soterrados sob os entulhos da falta de oportunidade, do excesso de burocracia, da fome estatal interminável por tributos, das exigências absurdas do "mercado", da distância geográfica dos "grandes centros" da civilização, do caquético sistema educacional, enfim, de tantos entraves impostos à minoria dos excepcionais gênios humanos.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O que você quer ser quando crescer?

Capítulo II
Como eu cheguei aqui

Fechando o assunto, posto hoje, em forma de linha do tempo, a minha jornada profissional enquanto ser humano loser:

Ano  -1 - casal com faculdade, moradia própria, carro do ano e emprego público estável decidem ter seu primeiro filho
Ano   0 - nascido na melhor maternidade de hospital particular da região
Ano   5 - alfabetizado em casa, já que não se adaptou no maternal
Ano   6 - inicia o primeiro grau numa das melhores escolas particulares da cidade
Ano  14 - ganha de natal seu primeiro computador da família PC (Intel 80xx) e inicia sua jornada infonerdmática
Ano  15 - inicia o segundo grau técnico em eletrônica numa das melhores escolas técnicas federais do país
Ano  18 - termina o técnico, faz estágio e é reprovado no seu primeiro vestibular em universidade pública, mas inicia o bacharelado em ciência da computação na melhor universidade particular da região, aprovado em segundo lugar no vestibular
Ano  19 - começa a trabalhar na maior empresa de mídia do sul do país
Ano  21 - pede demissão por problemas familiares e segue somente com os estudos do bacharelado e duas línguas estrangeiras
Ano  23 - graduado bacharel, inicia o mestrado naquela universidade federal onde não havia passado no vestibular
Ano  24 - desiste do mestrado, pede aproveitamento dos créditos como especialização e abre sua primeira empresa, em parceria com um grande amigo
Ano  26 - encerra a empresa por falta de mercado e começa a trabalhar numa multinacional que está entre as maiores fabricantes mundiais de comunicação embarcada e diagnóstico automotivo
Ano  27 - trabalha por três meses na europa, por essa mesma companhia
Ano  28 - junta-se ao seu cunhado e outro profissional da área e tentam reerguer uma pequena empresa de software
Ano  29 - desiste da sociedade pois não há oportunidades de negócio nem possibilidade de crescimento suficientes para sustentar as necessidades dos três associados
Ano  30 - na sua terceira tentativa empreendedora, abre uma empresa de recrutamento e seleção, com sua esposa - profissional com dez anos de experiência na área - e uma psicóloga
Ano  30 - pede demissão da companhia multinacional e vai trabalhar na maior fabricante de computadores e impressoras do planeta
Ano  31 - é demitido, juntamente com outros 40% do seu time, por motivos de conjuntura econômica internacional
Ano  31 - começa a trabalhar na maior empresa de internet da américa latina
Ano  32 - é demitido, por motivo de falta de planejamento e visão estratégica da gerência da área
Ano  32 - por falta de condições para pagar os impostos e clientes caloteiros, fecha a empresa e desiste para sempre da sua "veia empreendedora"
Ano  33 - decide ser "dono de casa concurseiro", até que aprove em algum emprego público que realmente valha a pena

Esta é a história de um inútil perdedor que, apesar de parecer ter feito tudo certo, não conseguiu realizar seu inocente ideal profissonal. Aos que estão grávidos, são pais recentes ou estão pensando no assunto, lembrem-se de criar outras oportunidades (artísticas / esportivas / políticas / religiosas / criminosas) para sua prole fora do tradicional binômio "muito estudo + trabalho honesto", permitindo assim que seus herdeiros, na primeira metade da terceira década de suas vidas, possam acreditar ter chegado a algum lugar, ao contrário deste que vos bloga.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O que você quer ser quando crescer?

Minha mãe conta, do tempo quando eu era pequeno, que, ao ser questionado por algum loser (essa pergunta é típica do parente loser - aquele tio "encostado" pelo INAMPS, aquela tia véia solteirona ou mãe de um inútil vagabundo e/ou boleteiro, etc.), eu sempre saía com a seguinte resposta: "Quero ser doutor, ter um escritório num andar bem alto e uma secretária loira."

Passados quase trinta anos dessa época, posso ver que minha resposta em nada se parece com a situação dos dias de hoje. Embora eu não seja vagabundo nem boleteiro, meu inocente projeto de vida não foi concretizado. Por quê? Não sei responder pois não consigo perceber ao certo onde exatamente eu errei. Talvez em muitas ocasiões, talvez em nenhuma, talvez esse plano utópico não fosse mesmo para mim.

Então, em alusão ao post anterior, intitulado "Vale a pena ter filho!", do caro inútil Petrvs, narrarei, em dois capítulos, a história do único filho do meu pai, a ser usada como referência do que não fazer com seu descendente e já deixando a sugestão estender-se a outros amigos grávidos ou pensando sobre o assunto paternidade.


Capítulo I
Onde eu cheguei

Eu moro atualmente numa remota cidadezinha da região da campanha, esquecida pelo mundo e pelo tempo, na qual vim pela primeira vez mais ou menos nesta tal época da minha inocente resposta à pergunta fundamental do post. Não tenho claramente na lembrança o ano, mas posso afirmar com certeza a década: os famigerados oitentas. Hoje, passadas praticamente três décadas, tudo é exatamente como antes: as pessoas ainda sentam nas calçadas para conversar à tardinha no verão, as crianças ainda correm descalças, andam de bicicleta e brincam até a noite pelas ruas, o casario velho e mal cuidado ainda é o padrão de moradia, as lojas e empresas familiares ainda estão sob comando das mesmas famílias, o rio ainda enche boa parte da cidade com qualquer meia dúzia de dias de chuva, os sítios e fazendas ainda produzem os mesmos produtos da mesma forma primitiva de agricultura, os aposentados seguem como maioria, os jovens que querem prosseguir com os estudos continuam precisando se deslocar até a "cidade grande" mais próxima, o quartel do exército continua sendo o maior empregador da cidade, os funcionários públicos ainda são a maioria absoluta da workforce, as estradas para as cidades vizinhas ainda são estreitas e mal conservadas, os restaurantes permanecem servindo somente a tradicional comida caseira e o churrasco, a clientela dos antigos bolichos ainda são os fétidos velhos bêbados, as indústrias ainda não chegaram, a grande promessa a cada eleição ainda é o desenvolvimento da região, a operadora da telefonia permanece a mesma e única desde a época dos cinco dígitos, as ruas continuam calçadas pelas mesmas pedras e os remendos ainda formam quebra-molas às vezes piores que os buracos, as carroças, bicicletas e motonetas se mantém como o principal meio de transporte, enfim, toda essa longa lista de exemplos serve apenas para dizer que nada mudou.

Estou desempregado desde que fui demitido há cerca de seis meses e vim de mala e cuia com minha amada esposa para cá, por obrigação do seu trabalho. Não tenho perspectiva de arrumar um emprego na minha área de especialização por aqui, já que a indústria ainda não chegou e o setor de serviços se resume ao simples do básico do indispensável. Na verdade, não tenho perspectiva nem vontade nenhuma de trabalhar aqui. Não há "cidade grande" em um raio de 150km e esta mais próxima só pode se orgulhar de ser grande em quantidade de habitantes. Mesmo nessa "cidade grande", minha área profissional praticamente não existe; as poucas possíveis vagas se resumem à meia dúzia de empresas (sim, 6 é a quantidade exata, não apenas uma aproximação) e só abrem por milagre ou total falta de noção (leia-se exigências descabidas) dos recrutadores.

Vivo (ou seja, pago as contas) graças ao salário de merreca da minha esposa e mais umas míseras economias juntadas pelos meus pais nas épocas de vacas gordas. Podem me atirar pedras, tijolos, paralelepípedos e rochedos, mas a época mais farta da minha vidinha de classe média foi a da famigerada inflação galopante, ou seja, a era pré-Collor (desenvolverei esse assunto em um próximo post). Meu seguro desemprego já acabou, pois nosso grande governo trabalhista acha justíssimo dar R$ 870,01 por cinco meses para quem trabalhou (e contribuiu proporcionalmente) nos últimos cinco anos com rendimentos acima de 4 mil, enquanto oferece quase o mesmo (um salário mínimo, atualmente em R$ 510,00) para familiares dos presidiários, pelo tempo que o ente permanecer na cadeia.

Por força desse mesmo governo trabalhista, decidi adotar a velha máxima "se não pode vencê-los, junte-se a eles" e virei concurseiro. Pretendo passar os próximos tempos estudando e fazendo os concursos melhores ou mais adequados à minha profissão, até que passe em algum que realmente valha a pena. Me preocupa muito, todavia, esse ano de eleição, tanto pela pausa legal obrigatória de seis meses nos processos seletivos públicos, como pelo desconhecimento de quem será e qual postura a respeito adotará o governo eleito. Essa preocupação é amplificada devido a um dado recente que indica um total de 40% da workforce do nosso Brazzzil varonil prestando serviço diretamente aos órgãos públicos (resultado da política trabalhista-socialista-disfarçada-de-neo-qualquer-coisa dos últimos dois governos do PT).
Fechando o capítulo, considero caracterizada minha situação atual, fora alguma depressão, tiques, anginas, ataques de fúria, estresses involuntários e preocupações que não valem a pena mencionar. Por motivos de formato bloguístico, o capítulo 2 segue no post de amanhã.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Vale a pena ter filho!!!

Eu posso, de certa forma, me considerar uma pessoa felizarda, afinal estou "grávido" ou como dizem os mais antigos "agora tu vai entender tudo o que eu dizia".
Acontece que atualmente inúmeras razões me fazem analisar se realmente vale a pena ter filho, veremos algumas:

1°.: Tua mãe, sogra, sogro, pai, avô, avó, cachorro, galinha, o PTQ... querem que você tenha filho - é óbvio que eles querem e é tu que vai criar não eles!
2°.: É uma nova etapa da tua vida - Claro que ao invés de eu viajar para europa...
3°.: A casa fica cheia de vida - e sem espaço também, o que tinha passou para o bebê!
4°.: Ele será um amor de criança - sei... hum... videogame, apartamento, pouco espaço, será sim!!!
5°.: A escolinha é ótima para o bebê - AH sim claro, uma FDP sabe lá de que c* saiu, educará o teu filho, além de custar os olhos da cara.
6°.: A criança é calma, isso depende se você teve uma gestação tranquila - de que maneira, todos temos que trabalhar, a coitada da mulher não tem descanso nunca!!!!!
7°.: Tu como bom marido deverá ser compreensivo e paciente - hahaha, muito bom, essa é a minha parte, ou seja, fica quieto e colabora e claro que a culpa é tua, tu me deixou assim.
...
Existe mais algumas que no decorrer estarei postando, é que realmente eu tenho que ir, pois minha esposa quer ir ao cinema, e como já citei anteriormente (7°) vou indo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Tragédia imprevisível [sic]

Este foi o título de uma matéria, publicada neste domingo pelo jornal Zero Hora, de Porto Alegre, RS, pertencente ao megagrupo sul-brasileiro de mídia RBS. Logo abaixo da headline, um "infográfico" (hmmm, adoro palavras inventadas por intelectualóides...), similar ao apresentado a seguir, explica ao leitor ignorante o que são e onde estão as fendas tectônicas deste ínfimo e inútil pedaço de rocha no qual habitamos.


Enquanto inútil habitante não-ignorante e não-ameba deste minúsculo grão de poeira espacial, me acho no direito de discordar do renomado jornalista que proferiu tamanha imbecilidade. Como sempre, minhas opiniões inúteis são exemplificadas, no sentido de afirmar um ponto de vista em cima da velha e boa lógica e também de ilustrar ao máximo a explicação, permitindo o entendimento até mesmo aos intelectos inferiores.

Considero "tragédia imprevisível", apenas utilizando sinônimos do próprio termo, como uma desgraça qe atinge de surpresa. Ora, não é surpresa para ninguém que os locais do mapa onde existem as linhas rosa (falhas ativas) ou pretas (fraturas das placas) estão, com 100% de certeza, sujeitos a tremores de terra, como no exemplo recente do Haiti e tantos outros anteriores, no México, no Chile, no Japão, na Indonésia. Comuns em todos os citados, então, as tragédias provocadas pelos efeitos dos terremotos sobre a população residente nas áreas próximas às bordas das placas tectônicas não são, em absoluto, imprevisíves, mas sim, líquidas e certas.
Entre tantos exemplos de tragédias anunciadas (portanto, nada imprevisíveis) posso citar: os alagamentos em São Paulo, nos bairros que ficam abaixo do nível do rio Tietê; os repetidos acidentes de trânsito em pontos mal construídos e/ou mal sinalizados de rodovias, como o que vitimou a equipe do Xavante há um ano; as secas constantes no semi-árido nordestino; os deslizamentos de encostas no Rio de Janeiro; os apagões de energia que atingiram a região sudeste; os comuns incêndios florestais do verão australiano.
Em contratponto, exemplificando tragédias imprevisíveis, ou seja, desgraças que não deveriam acontecer por existirem medidas claras de prevenção ou das quais não se conheciam precedentes similares, temos: desastres aéreos, como o ainda recente "sumiço" do avião da Air France sobre o Atlântico; as explosões dos ônibus espaciais Challenger e, mais recentemente, do Columbia; os ataques de atiradores aleatórios em escolas, cinemas e outros espaços públicos; os incomuns tornados que atingiram RS e SC nos últimos anos; as fortíssimas tempestades de neve que se extendem quase até o sul da europa neste inverno.


Como conclusão, fica apenas o alerta para nunca se deixar iludir ou impressionar pelas matérias da imprensa; é sempre prudente e necessário fazer uso do intelecto para relacionar, entender e interpretar a informação. O costume do "uso do intelecto", inclusive, devia ser matéria obrigatória nas escolas... mas isso pode ser assunto de um próximo post.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Os pecadores do direito

Ultimamente tenho escrito muitos posts inúteis sobre o tema "direito", o que pode vir a caracterizar uma tendência psicótica à repetição (cacuete ou TOC - transtorno obsessivo-compulsivo), ou apenas ser um resultado da influência de minha atual situação de inutilidade concurseira. Como todo bom intelectualóide teórico (a.k.a. inútil), me é de grande satisfação prolixamente tergiversar sobre assuntos que não domino totalmente - alguns, nem mesmo parcialmente -, proferindo meus impropérios neste espaço que nosso senhor deus-google desapegadamente nos propicia.

Ofereço minha reles opinião, no que toca à disciplina do direito, quanto a existência de três grandes pecadores que, aliados à vários outros elementos, resultam na baderna legislativa que vivenciamos:

1. O intelectualóide teórico
O teórico é aquela figura que, na falta de algo mais útil para fazer, preenche seu tempo criando jargão. Teorizar, no direito, entendo como o ato de:
- distorcer o significado tradicional (documentado em dicionário) de termos da língua, especialmente os mais obscuros e rebuscados, com propósito de redefinir coisas já bem definidas com terminologia acessível
- aplicar termos oriundos de outras línguas, com especial fixação necromaníaca por línguas mortas, em definições que já são perfeitamente claras com a utilização de termos simples no idioma nacional
- nomear invencionices, ou seja, criar expressões linguísticas para abstrair um conceito complexo/obscuro teorizado pela mente inútil

Nas entrelinhas, o objetivo final destes indivíduos é o de alimentar seus egos narcisistas e/ou segregar e monopolizar o direito (em detrimento ao objetivo primordial da justiça para todos), através desta pseudo-especialização (pois, de fato, não há especialização nenhuma, apenas aumento no tamanho e complexidade do jargão) que chega ao ponto de impossibilitar que laicos tenham a mínima noção dos acontecimentos jurídicos.

2. O normatizador-legislador-compulsivo-obsessivo
Esse é aquele membro do poder legislativo que, por problemas psíquicos, total falta de noção da realidade, de finanças, matemática ou estatística, ou por má intenção descarada, cria uma regra (lei) com duas linhas de texto, mais quarenta e oito adequações e dezesseis exceções, e, ainda por cima, de uma forma tão pouco clara que permite, pelo menos, umas sete interpretações. Como de praxe, ilustro com exemplo.

"É definido o imposto XXX que incidirá sobre o YYYY, devendo ser cobrado de todos, menos quem uma legislação regulamentadora ulterior determinar, obedecendo as alíquotas de
a. 10% para VVVV, se BBB > RRRR
b. 12,5% para TTTT, desde que TTTT não tenha pago o imposto EEEE no exercício anterior
c. 12,36666666% sobre 90% do lucro líquido para GGGG, se já não tiver incidido o disposto na alínea b.
d. 8,3% sobre o lucro presumido para DDDD, mais 2,5% sobre o dedutível do imposto KKKK, até um máximo de 9,5% do mesmo

... (preencha aqui com as 44 possibilidades faltantes)
Estão isentos os que qualifiquem como
a. JJJJ, se constituídos antes de 1957
b. todos os LLLLL
c. MMMM, desde que não declarem o imposto QQQQ ou seu faturamento bruto não ultrapasse 2.827,75 UFIRs
d. alínea revogada pelo parágrafo 5, alínea j da lei 2.293 / 99



... (preencha aqui com as 12 exceções faltantes)
... salvo disposições em contrário.

Ora, qualquer um que tenha uma menor idéia de quanto quer arrecadar, qual é a base de arrecadação e um mínimo de lucidez, consegue chegar à conclusão que teria o mesmíssimo resultado (todavia alcançado de forma mais fácil) cobrar 10% de TODOS SEM EXCEÇÃO.


3. O "senhor-brecha", gerador infinito de jurisprudência
Devido às possibilidades de interpretação, graças ao explanado no item 2 acima, ou mesmo nos casos onde não há ambiguidade e o jurista quer apenas "fazer diferente", seja por burrice, puro exibicionismo ou em prol de vantagem própria, vão se criando tantas possibilidades de aplicação das leis quantas estrelas existem na galáxia. Isso ocasiona:

- o desgaste moral do sistema, já que se tende a criar uma interpretação para cada caso, saída da cabeça de cada juiz
- a deturpação do objetivo original da norma, conforme item anterior
- a lentidão do trâmite, pelas idas e vindas, voltas e reviravoltas
- o aumento de custos processuais, pelas mesmas razões imediatamente acima e, em última análise
- a impunidade

Finalizando, aos advogadinhos de plantão (ou outros inúteis em geral), peço por gentileza que vomitem ali nos comentários...

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Brazzzil, o maior custo de vida do planeta

Quando eu falo isso, em qualquer situação, para qualquer pessoa, invariavelmente sou acossado, rechaçado, rotulado como ignorante ou fora da realidade... Todavia, se o caro inútil for pesquisar comparativamente o preço de absolutamente qualquer coisa, qualquer produto ou serviço, verá que o título deste post retrata a mais triste e dura realidade. Embasando com exemplos aleatórios, mas sempre do mesmo produto/serviço/modelo:


USA x BRA | (dólar americano) U$ 1,00 = R$ 1,76
gasolina
USA: U$ 2,85 /gal = U$ 0,66 /l = R$ 1,16 /l
BRA: R$ 2,85 /l
energia
USA: U$ 0,06 /KWh = R$ 0,10 /KWh
BRA: R$ 0,43 /KWh
tv a cabo
USA: U$ 12,95 /mês = R$ 22,79 /mês
BRA: R$ 139,00 /mês

UK x BRA | (libra esterlina) £ 1,00 = R$ 2,85
pão de sanduíche
UK: £ 1,10 /500g = R$3,13 /500g
BRA: R$ 3,69 /500g
espuma de barba
UK: £ 2,99 /200ml = R$ 8,52 /200ml
BRA: R$ 21,00 /200ml

FRA x BRA | (euro) E 1,00 = R$ 2,59
bateria eletrônica alesis
FRA: E 499,00 = R$ 1.292,45
BRA: R$ 2.800,00
playstation 3 slim
FRA: E 289,00 = R$ 748,51
BRA: R$ 1.299,00

CAN x BRA | (dólar canadense) $ 1,00 = R$ 1,66
cafeteira cuisinart
CAN: $ 79,00 = R$ 131,14
BRA: R$ 649,00

BEL x BRA | (euro) E 1,00 = R$ 2,59
camiseta nike
BEL: E 19,95 = R$ 51,67
BRA: R$ 99,00

ALE x BRA | (euro) E 1,00 = R$ 2,59
netbook acer
ALE: E 299,00 = R$ 774,41
BRA: R$ 1.099,00

ARG x BRA | (peso argentino) P$ 1,00 = R$ 0,46
bmw mini cooper
ARG: P$ 127.000,00 = R$ 58.420,00
BRA: R$ 95.000,00

URU x BRA | (peso uruguaio) P$ 1,00 = R$ 0,09
filé mignon
URU: P$ 170,00 /kg = R$ 15,30
BRA: R$ 37,00

JAP x BRA | (iene) Y 1,00 = R$ 0,02
left 4 dead 2 pc game
JAP: Y 6.280,00 = R$ 125,60
BRA: R$ 299,00

CHN x BRA | (iene) Y 1,00 = R$ 0,02
sony w760 desbloqueado
CHN: Y 2.385,00 = R$ 47,70
BRA: R$ 699,00

AFR x BRA | (rande) R 1,00 = R$ 0,23
ck one
AFR: R 525,00 /100ml = R$ 120,75 /100ml
BRA: R$ 159,90 /100ml

IND x BRA | (rúpia) Ru$ 1,00 = R$ 0,04
Dan Brown's lost symbol
IND: Ru$ 649,00 = R$ 25,96
BRA: R$ 29,90

TCH x BRA | (coroa tcheca) CZK 1,00 = R$ 0,10
cerveja na pressão
TCH: CZK 12,00 /500ml = R$ 1,20
BRA: R$ 7,00 /500ml

AUS x BRA | (dólar australiano) $ 1,00 = R$ 1,59
aluguel na praia de copacabana com vista para o mar
AUS (casa, sidney bay): $ 38,00 /pessoa/noite = R$ 60,42 /pessoa/noite
BRA (apartamento, rio de janeiro): R$ 120,00 /pessoa/noite

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

A norma, pelo leigo

Você já seguiu alguma norma técnica de engenharia, como uma NBR ou uma ISO, aprovada por um iletrado?
Você já viu algum tratado da medicina, publicado em uma renomada revista médica, assinado por alguém que não completou o primário?
Você já soube de algum artigo científico, participante em algum congresso ou evento, publicado por alguém que não sabe fazer uma regra de três?
Você já leu alguma obra literária, como um romance ou um poema, escrita por um semi-analfabeto?
E você prega e obedece as nossas leis e regulamentos do Direito? Mas por que tipo de pessoa eles foram escritos e promulgados?
Advogadinhos de plantão, podem xingar à vontade... para isso existe "democraticamente" a área de comentários...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

"A criatividade e o trepalium" 
ou "O ócio e a preguiça"


É fato indiscutível na filosofia que toda criatividade se origina do ócio. Não entendam ócio como o pecado da preguiça, conforme definido por um inútil pedófilo católico (os "sete pecados capitais" foram enumerados e agrupados no século VI, pelo papa Gregório Magno). A preguiça é um vazio, uma escolha consciente pela ausência de ação, nada produzindo como resultado.
O ócio é aqui considerado como um estado livre da consciência; livre de restrições que impedem a formação, maturação e expressão de idéias criativas. Não entenda também como criatividade apenas a originalidade de produção de obra artística. Criatividade é mais do que isso; é a capacidade de abstrair sobre um tema e produzir um resultado, em forma de simples conceito, teorema, invento, peça literária, musical ou plástica, passível de interpretação pelo espectador, rementendo-o tanto ao tema original imaginado pelo autor (caracterizando uma obra literal, a interpretação é fiel ao ato inicial), quanto a destinos distantes, ou mesmo opostos (neste caso gerando um novo processo criativo no observador, pela imaginação a partir da observação). A "arte", enfim, não está necessariamente vinculada a um processo criativo, nem este sempre resultará em uma obra artística.
Já o processo mental de execução de um trabalho, caracterizado em geral pela necessidade de solução de problemas específicos e, na maior parte das situações, repetitivos, é criativamente nulo. Hão de discordar os fantásticos-profissionais-pró-ativos-gênios-criativos, mas por mais criativa que pareça, estatisticamente se confirma que existem poucas variantes de soluções para um determinado problema. Embora alguns indivíduos se mostrem mais eficientes que outros na execução de uma mesma tarefa, basicamente o trabalho se resume em aplicar um conjunto limitado de ferramentas para obtenção de um resultado presumido.
Para provar que o processo criativo não se aplica ao trabalho cotidiano, basta ver que, de todos os inventos tecnológicos ou artísticos da humanidade, raríssimos foram criados "sob encomenda". E os que foram, sem sombra de dúvida, sempre mostrarão os sinais de comedimento do criador, limitado por diretrizes externas, para o atendimento das especificações. Assim, mesmo o trabalho dito puramente de criação não o é de fato , visto que inexiste o estado inicial de liberdade de pensamento.
Por isso, como qualquer trabalho pode ser (e, em geral, é) executado por intelectos inferiores, tantos bons profissionais são frustrados e estressados. A necessidade pela produção em massa, pelo resultado normatizado e pela urgência do retorno financeiro, são perversidades de nossa época que castram a criatividade. Nestes nossos tempos, o ócio constitui pecado gravíssimo, e o ocioso, mesmo quando criativamente muito produtivo, é taxado de inútil.
Enquanto esta mentalidade materialista prevalece, deixam de ser criadas grandes obras para serem formados grandes vícios ou tumores - doenças características do frustrado. Já a preguiça é até bem aceita, e mesmo sutilmente estimulada, enquanto fator que impede a utilização do intelecto para avaliação dos fatos, formação de opinião e tomada de atitude - termos que hoje em dia tem o significado distorcido para serem, respectivamente, sinônimos de aceitação do noticiado, alinhamento com a massa e acomodação.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

O surdo

Ele não frequentou os mesmos tipos de escolas, portanto não tem a mesma formação que os outros inúteis do time, mas têm o mesmo cargo e o mesmo salário. Suas habilidades de se comunicar são muito restritas: ele não entende nada que tu escreve e vice-versa, pois o português-libras que ele aprendeu (e não faz a menor questão de evoluir à norma culta) simplesmente não serve para se comunicar com não-surdos.
Ele não tem papel nenhum na equipe, os gerentelóides não sabem o que fazer com ele, jogando a responsabilidade de "babá" para o "aspira" mais novo. Ele também não se esforça em demonstrar ser capaz de fazer alguma coisa além de ficar teclando nos mensageiros on-line, navegar em sites inúteis e baixar/ver filmes (sim, ele BAIXA torrents no trabalho e ASSISTE filmes inteiros) no horário de expediente. Ele não faz nem questão de se comportar como ser civilizado, tossindo escrachadamente de boca aberta ou fedendo a chubosa com frequencia.
Demitir esse cara não tem resultado prático pois a empresa pagaria todas as obrigações e teria o trabalho de RH desperdiçado para contratar outro exatamente igual, já que o nosso sábio legislativo assistencialista barato obriga a existência de deficientes nas organizações (através do injusto e deliciosamente perverso sistema de quotas). Ele nunca vai se demitir, pois está no seu sagrado direito de ser incompetente e inútil, ocupando um cargo para o qual não serve nem tem a menor pretensão de servir, já que nada lhe é cobrado, em termos de desempenho ou mesmo postura, com todos (ou a ampla maioria) lhe tratando como uma criança mimada, cheia de privilégios incontestáveis. E que ninguém os conteste nunca pois, além de ser taxado imediatamente como maldito nazista preconceituoso com os deficientes, o tal pode ser demitido por justa causa.
Embora o título deste post não indique, que fique aqui claro que também coloco todos os outros deficientes ineficientes nesse mesmo balaio, para que possam se sentir injustiçados e discriminados por este que lhes escreve. Em minha defesa vos digo: já trabalhei em equipes onde haviam cegos e surdos e este é o conceito (conforme definição do post anterior, entendam: pós-conceito) que tenho deles. Não estou dizendo que é impossível existir deficientes úteis; eu apenas não os conheço, talvez pela estupidez dos RH de plantão, que contratam cegos para tarefas de precisão ou surdos para tarefas de comunicação, ou pela postura de acomodação ao assistencialismo, que deve ser sempre condenada, mas com mais veemência em sua origem do que em seus desfrutadores.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Conceito e preconceito

Antes de começar a escrever os próximos posts, quero deixar bem claro a diferenciação destes termos, então, primeiramente de acordo com o dicionário e depois com meus tradicionais exemplos.

conceito
s. m.
1. Mente (considerada como sede das concepções).
2. Opinião, ideia, juízo (que se faz de alguém ou de alguma coisa).
3. Dito engenhoso.
4. Reputação (usado com os adjectivos bom ou mau).
5. Expressão sintética; síntese.
6. Moralidade (duma fábula, dum conto, etc.).
7. Parte final e elucidativa duma charada.
Ex.:
"Esse surdo que trabalha na equipe é um incompetente e preguiçoso."
"O rabino Luís é extremamente avarento."
"Meu avô era um italiano mal-educado e irritadiço."
"Eu sou gordo e sedentário, portanto tenho dificuldades em me movimentar agilmente."
"Formei péssimo conceito sobre Joana após ter participado de seu grupo de estudos."

preconceito
s. m.
1. Ideia, conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério.
2. Estado de abusão, de cegueira moral.
3. Superstição.
Ex.:
"Pretos são indolentes."
"Esses velhos abusados acham que tem direitos acima dos outros."
"Judeus são sovinas."
"Gordos são preguiçosos."
"Isso é bem coisa de japonês."


sexta-feira, 5 de junho de 2009

Migalhas para o pão, diamantes para o circo

Batendo incansavelmente numa das preferidas teclas destes inúteis escritores, hoje me inspirei a vomitar sobre os rendimentos médios de exemplares de algumas áreas do conhecimento humano. Como bom inútil, não vou referenciar as fontes exatas dos dados. Em linhas gerais, foram coletados do IBGE, Revistas ISTOE, Placar, Forbes, etc. Se você é um daqueles otimistas deslumbrados, apenas acredite que eu estou mentindo, distorcendo a informação. Mas não estou. 

Portanto, os dados abaixo apresentados estão propositadamente representados de forma a não serem tão precisos, mas são verídicos. A minha conclusão óbvia já está no título deste post. Tire suas próprias.

Todos os valores de renda abaixo são referentes às grandes regiões metropolitanas do meu Brazzzil varonil e expressos em reais/mês.

PÃO:
Média da indústria: 1.400
Média do comércio: 1.100
Média do setor de serviços: 1.800
Média do setor de construções: 1.000
Média suposta para o setor informal: 1.200
Média do setor de educação: 1.600
Média do setor de saúde: 1.700
Média dos funcionários públicos: 1.500
Média dos trabalhadores da informática: 1.800

CIRCO:
Média do setor de entretenimento: 2.500
Média dos músicos: 2.700
Média dos artistas de tv/cinema: 5.200
Média dos esportistas: 6.000
Média dos jogadores de futebol: 7.500
Média dos políticos (considerado por mim como circo): 8.400

Tendo isto estabelecido, vamos aos casos específicos:

PÃO: 
Josicreide, empregada doméstica: 480
Márcio, estagiário de enfermagem: 700
Luisnilton, gari: 850
Alexandre, programador: 1.300
Jussara, RH: 1.100
Vera, professora: 1.500
Gilberto, bancário: 1.600
Uilson, pedreiro: 900
Diogo, vendedor: 1.100
Istanislau, padeiro: 750
Severino, camelô: 1.000
Garcia, policial: 1.800

CIRCO:
Ronaldo Nazário, jogador de futebol: 1.100.000
Fausto Silva, apresentador: 1.200.000
Giba, jogador de vôlei: 650.000
Paulo Coelho, escritorzinho: 500.000
Rogério Ceni, goleiro: 300.000
Jô Soares, humorista: 350.000
Paulo Paim, senador: 60.000
Zezé di Camargo, cantor: 430.000
Miguel Fallabela, ator: 280.000
Lair Ribeiro, palestrante: 150.000
Benedito Rui Barbosa, novelista: 180.000
Fátima Bernardes, jornalista: 170.000


terça-feira, 2 de junho de 2009

Nós, os losers

E aqui estamos em mais um belo dia (deve estar, não enxergo a rua) de trabalho. Pra quem não sabe a etimologia da palavra (pra quem não sabe o que é etimologia, recomendo fortemente desistir do SIC e ir ler Maurício de Sousa), o termo vem do Latim tripalium (ou trepalium), "instrumento romano de tortura", que era uma espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão, no meio das quais ficava meio suspenso meio empalado o escravo.
Aqui estou eu, apenas mais um desses empalados pela civilização, sentado na minha cadeira ruim, engolindo meus Bufo paracnemis (sapo-boi) e vomitando minhas inutilidades neste inútil blog. Hoje então tocarei (novamente...) nesse assunto que rege a vida da esmagadora maioria dos hominídeos: o inegável fato de ser um perdedor.

Acredito que todos os inúteis que alguma vez já vomitou por aqui tocou nessa ferida, mesmo que indiretamente, pelo menos uma vez. É uma realidade dura e verdadeira. Não importa se você é um otimista deslumbrado ou um emo-pessimista depressivo... o fato inegável é: se você está lendo isso, você é um LOSER.
Como dizem os motherfucking fat american asses, LOSER (perdedor, na tradução literal), na definição deste inútil, é aquele que não alcançou, nem tem possibilidade de alcançar, um status de indepência pessoal que possibilite uma vida livre e desobrigada. Como de costume, vamos às "regrinhas gerais" para definição do LOSER:

1) Você tem hora para tudo: para acordar, para pegar a condução, para chegar, para almoçar, etc.
2) Você não tem hora para nada: para fazer suas coisas pessoais, para contemplar um pôr do sol, para relaxar ouvindo um cd inteiro, ...
3) Você já teve alguma doença que pegou das aglomerações: geralmente viroses
4) Você já passou mal depois de comer
(não propositalmente) algo sem cuidado no preparo: diarréias, desidratação, infecções alimentares, verminoses
5) Você já precisou se submeter a um transporte público absurdamente lotado
6) Você tem celular, deixa ele sempre ligado e sempre atende quando toca: que saudade do tempo em que não havia a "escravidão pela rede" (hummm, ótimo assunto para um futuro post)
7) Sua condução já lhe deixou na mão no meio da rua: carro ou ônibus pifado, greve do transporte público
8) Você já foi esculachado por outros e não pôde reagir: ou se conteve, por várias razões com as quais só perdedores se preocupam
9) Você não participou/participa da educação de algum de seus filhos
10) Você já pensou em se matar: em caso afirmativo, mesmo que você esteja na lista dos mais milionários da Forbes (e, principalmente se estiver), você é LOSER
11) Você já teve doenças provocadas por atividades estressantes e repetitivas: L.E.R., outras doenças relacionadas ao stress
12) Você já precisou cortar gastos básicos no seu orçamento pessoal ou familiar: quase ninguém concorda, mas, na minha opinião, se você é pobrão, remediado ou classe média, você pode até não "ser" um perdedor em essência, mas "está" perdedor nesse momento
13) Você já foi assaltado na rua: somente pessoas que moram em locais genuinamente LOSERS presenciam ou são assaltos fora de locais de grande tentação, como bancos ou joalherias
14) Você já jogou na raspadinha, no bicho ou na loteca: se você arrisca pouco para ganhar muito pouco, obviamente você é um perdedor nato
15) Você trabalha por necessidade e não por escolha: novamente muitos não vão concordar, mas esse para mim é um dos maiores definidores do perdedor, ter que vender sua liberdade por míseros dinheiros
16) Você não gosta do seu trabalho: isso apenas corrobora a regra anterior, mostrando o quanto você é perdedor para ter que aguentar ser escravo sem mesmo poder escolher a senzala
17) Você se submete à alguém em troca de algum tipo de status: isso vale para aqueles LOSERS que se submetem à outro LOSER no intuito de usurpar o que possui (ex. marias chuteira, "fagundes")
18) Você aceita que alguém se submeta a você em troca de algum tipo de status: é uma via de mão dupla; tanto o que usurpa, como o que aceita conscientemente o usurpador (ex. jogadores de futebol, "chefinhos") são perdedores
19) Você tem a necessidade da tragédia: se interessa por histórias de desgraças, notícias de tragédias, sofrimentos alheios, comenta com os outros perdedores, assiste o jornal nacional ou similares, etc.
20) Você se acha ganhador simplesmente pelo fato de existirem outros perdedores além de você: na minha opinião, o pior tipo de LOSER é aquele que sempre usa os bordões "podia ser pior" ou "fique contente, tem gente pior que você" pois, além de estar usando a desgraça alheia como bálsamo (vide regra anterior) ainda tenta se/te convencer que isso o faz um ganhador (síndrome do deslumbrado)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Dicas para as pessoinhas
em resposta às "dicas para as pimentinhas"

Depois de terem sido colocados escassos vasos estúpidos com plantas no andar onde trabalho, pequenos vasos de "plantinhas" serem dados a cada equipe e enviado, pelo gerentão do andar, uma pérola de e-mail com instruções de cuidados para as malditas "plantinhas", decidi escrever um post retaliando com instruções de como tratar das "pessoinhas" que as co-habitam. Então toma.

1) Pessoinhas precisam receber sol de vez em quando, pelo menos uma vez por semana, antes das 10 da manhã ou depois das 4 da tarde.
2) Pessoinhas precisam de ar puro, não podem viver confinadas em ambientes herméticos pois há o risco de epidemias de doenças e outros mal-estares.
3) Pessoinhas precisam que a umidade do ambiente esteja entre 50 e 90 por cento, para que não desenvolvam sintomas respiratórios, alérgicos, desconforto nas mucosas e sejam, então, mais produtivas.
4) Pessoinhas trabalham melhor com temperaturas entre 20 e 24 graus, não importando a estação do ano.
5) Pessoinhas produzem mais e melhor quanto mais baixo for o ruído do ambiente.
6) Pessoinhas produzem mais e melhor quanto menores forem as interrupções ao seu trabalho.
7) Pessoinhas, assim como plantinhas, são de diferentes tipos, portanto, às vezes, são necessários cuidados específicos no tratamento de cada uma delas.
8) Pessoinhas ficam doentes às vezes e precisam receber cuidados especializados. Para isso é necessário que se mantenha atualizada a carteirinha do plano de saúde.
9) Pessoinhas, na nossa área de trabalho, passam 80% do seu dia útil na posição sentada, portanto precisam de acomodações que permitam manter sua saúde física e produtividade.
10) Pessoinhas gostam de agrados, mas têm condições de avaliar a utilidade e o resultado de tais, portanto, colocar plantinhas num ambiente sujo, fedido, feio, seco, quente, nada ergonômico, barulhento e cheio de outras pessoinhas desagradáveis, NÃO MELHORA EM NADA O TESÃO PARA O TRABALHO E AINDA OFENDE A INTELIGÊNCIA DOS POUCOS QUE AINDA A TÊM.

Pega ladrão!

Eu não gosto desse tal do Gabriel, o auto-intitulado pensador, mas respeito qualquer um que, de alguma forma pública, protesta contra essa merda toda que tá aí.
Então, veja e divulgue: http://www.youtube.com/watch?v=0RkXCrOLZnY

terça-feira, 26 de maio de 2009

O progresso da tecnologia

Nos últimos, digamos, cinco séculos, a grande característica da história da nossa espécie é, sem sombra de dúvida, a inovação tecnológica. Não é apenas um termo "da moda", é a mais pura e óbvia realidade. Em praticamente todas as áreas da ciência, grandes avanços ocorreram e permitiram-nos chegar à esta belíssima situação atual. Ok, não irei atacar o mundo contemporâneo e sua pressa irracional pela novidade e eficiência... apenas minha própria área.

Para os que não sabem sou um "informata". Podem me chamar também de geek, nerd, infolunático, CDF, mister roboto, quatro-olho, tecnosexual, garoto de programa, etc.
Como "tô nessa" já faz bastante tempo - comprei meu primeiro computador PC em 1989 - e como bom e "opinativo" inútil, às vezes me dou o direito de me achar capacitado para analisar (ironicamente) filosoficamente as questões técnicas e humanas relacionadas ao assunto. Então, vou escrever aqui breves proposições (absurdas) comparativas entre o progresso de outras áreas da tecnologia e a tecnocracia informática.

1) Se a lâmpada tivesse sido inventada por um informata, ela seria compatível com alimentação à querosene.
Mas ela não iluminaria bem. Parece loucura? Pois considerem a absurda necessidade de backward compatibility nos novos produtos informáticos, que perceberão o que estou dizendo. O novo windows não resolve os problemas dos anteriores porque precisa, em última análise, funcionar de forma muito parecida com seus antecessores, para que não se quebre a possibilidade ridícula de usar programas caquéticos sobre um sistema operacional novinho em folha.
2) Se os trens fossem feitos por informatas, haveria novos modelos a cada duas semanas.
É claro que, muitas vezes, as diferenças seriam em detalhes absurdamente inúteis, como a cor da pintura e o índice de refração das janelas, mas, muitas outras vezes, seriam em coisas seriamente perigosas como a quantidade de rodas, o tipo de freio ou o combustível do motor. Nunca se viu em outras áreas da ciência uma necessidade tão absurda por novidade. E o pior é que essa irracionalidade introduzida pela informática já se espalhou para várias outras áreas.
3) Se os carros fossem feitos por informatas, eles seriam comparativamente piores que os da década passada.
Imaginem carros de quarenta toneladas, que não funcionam por mais de três horas sem serem desligados, recheados de defeitos antigos, já solucionados em algum ponto do passado, mas que voltam inexplicavelmente depois do lançamento de um novo modelo. Isso sem contar que, a cada modelo, a segurança para o usuário seria menor que a do anterior, até que fossem inventados novos aparatos tecnológicos para resolver o mesmíssimo problema. E não iam funcionar em qualquer estrada.
4) Se remédios fossem criados por informatas, teríamos drogas para doenças inexistentes e efeitos improváveis nas curas das doenças tradicionais.
Uma das grandes burrices da informática é criar soluções para problemas que não existem. Outra grande burrice é não validar exaustivamente uma solução que tem potencial e, depois de provada, adotá-la como padrão. Na informática os problemas antigos geralmente não são resolvidos, apenas abafados pela quantidade exponencial de problemas novos (ou com nomes diferentes).
5) Se projetos de engenharia civil fossem executados por informatas teríamos prédios que caem e voltam a se reconstruir logo depois.
É incrível como, de uma hora para outra, tudo desmorona e, depois de algum pequeno conserto ou mesmo sem intervenção, volta misteriosamente a funcionar. Duvido que, qualquer pessoa, mesmo usuário básico, já não tenha vivido essa experiência com seu computador.
6) Se as línguas orais e escritas fossem criadas por informatas, haveria quase tanta língua quanto gente no planeta.
A implicação óbvia é que ninguém se entenderia. A não tão óbvia é que nem seria possível existir tradutores para todas as possibilidades. E, mesmo dentro de uma mesma língua, os falantes não conseguiriam chegar a uma normatização do uso dos jargões. Babel é fichinha.
7) Se alimentos fossem plantados por informatas, cresceriam indefinidamente e poderiam nunca ser colhidos.
E cada vez mais se precisaria de adubos e inseticidas melhores. E mais irrigação. E as pragas de insetos atacariam sem trégua. E os agricultores teriam que ser cada vez mais espertos. E tratores maiores e mais potentes. Mas, a colheita propriamente dita, em muitos casos nunca seria realizada, pois, nessa área, o problema sempre cresce mais que a solução. Isso se aplica a um dos grandes paradoxos da informática: o hardware tem que crescer para acompanhar a evolução do softwares ou o software deve crescer para usar toda a potência dos hardwares novos?

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Oxigênio


Eu sou um ser anaeróbio. Pra quem não sabe o que é isso, vai a explicação, segundo a wikipedia: Anaeróbio é o termo técnico que significa literalmente sem ar e que se opõe a aeróbio.
Ah, eu odeio esta evolução dos tempos contemporâneos. Eu odeio ser anaeróbio. Eu gostava do tempo quando eu ainda respirava ar. Pois é. Mas os homo sapiens são anaeróbios? Não eram, mas atualmente... Vamos à "historinha"...

Hoje cheguei à conclusão que sou um inútil anaeróbio. Saio de casa antes das 7 da manhã e entro em uma condução lotada, ar-condicionada e com janelas que não abrem, em direção à senzala. O único ar que circula ali é o que entra quando é aberta a porta. Na realidade não "circula", pois não há outra abertura, portanto umas poucas moléculas entram. 
Chego no meu trabalho, um ambiente herméticamente lacrado desde a sua construção. As janelas não abrem. O circulador de ar-empoeirado-condicionado-da-época-dos-dinossauros-gerador-de-ruído nem está ainda ligado. Se fosse possível acender um cigarro, eu tenho absoluta certeza que a fumaça ficaria totalmente parada, como uma escultura, tamanha a densidade e a estanqueidade do conteúdo gasoso do recipiente.
Saio para o almoço. Na rua o ar talvez ainda exista, mas está há muito perdendo espaço para os respiradores compulsivos, nossos meios de transporte de massa. Pra quem não fez a conta ainda, cada carro 1.0 respira 1 litro de ar a cada 2 rotações do motor, portanto, em um congestionamento, dá uma média de 500 litros de ar por minuto por carrinho furreco. Um ônibus respira cerca de três vezes mais que isso. Chegando no restaurante, também herméticamente lacrado, o recirculador espalha os gases da cozinha por todo o salão, impregnando a roupa e o cabelo de quem fique míseros vinte minutos ali.
Tenho uma palestrinha à tarde em outro prédio. Desta vez não há nem mesmo janelas. Quatro paredes de concreto com portas fechadas nas extremidades. O ar, segundo o conceito "antigo", ali dentro simplesmente não existe; foi substituído por partículas grossas e fétidas que saem dos recirculadores, dos computadores, dos projetores, dos carpetes, das cadeiras, das roupas, pulmões, pés e rabos dos presentes.
Na volta para casa, outra condução herméticamente lacrada e o cheiro de gente sem banho há mais de dez horas, os espirros, a tosse, o chulé e os peidos dos repugnantes trabalhadores apressados e estressados, trancados em um congestionamento que se move mais vagarosamente que uma pacífica tartaruga.
Chego em casa depois das sete da noite e, como todo ser anaeróbio, deixo as janelas fechadas e o condicionador ligado. Pego uma cerveja e tiro o queijo de dentro do meu sapato, afinal, meu processo respiratório não mais necessita de ar, pois, ainda segundo a wiki, a respiração anaeróbia é feita principalmente a partir de fermentação, seja láctica ou alcoólica. 

E você, estimado leitor inútil, é também um anaeróbio? Há algum local em que você permaneça e que seja ainda naturalmente ventilado?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Hooray! SIC is back (again)...


Ok, ok, eu tenho que admitir...  mesmo que ninguém leia esta bosta, tenho o vírus da escrita funcionando sob minhas pelancas gordas. Então, tamozaí devolta nas parada. Sempre seguindo o nosso lema inicial "Cada post é um tapa na cara", devidamente atualizado para "Cada post é um motivo para o suicídio". 
E pra recomeçar bem, que tal uma boa e velha blasfêmia com os símbolos sagrados católicos?